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quinta-feira, 19 de maio de 2011

The Big Bang Theory


Os Nerds contra-atacam

Apesar de ainda ser produzido no cansado, cansativo e praticamente falecido formato das sitcoms, as piadas baseadas em química, física astronomia e outros assuntos nerds  somados a um humorista revelação conseguem fazer de The Big Bang Theory uma daquelas poucas comédias ainda sendo exibidas que ainda podem ser realmente classificadas nessa categoria.

A primeira temporada e o começo da segunda foram realmente fora de série com diversas piadas inteligentes que surpreendiam pela inesperada conexão de assuntos cotidianos com conceitos elaborados de disciplinas mais complexas - a "fantasia de efeito Doppler sendo um dos muitos pontos altos. Jim Parson garantia o restante com os maneirismos incrivelmente engraçados de seu Sheldon Cooper - as expressões faciais do ator para diversas situações eram um espetáculo à parte.

Parsons é realmente quem carrega o show, ganha as melhores falas e tem a melhor performance, mas está bem acompanhado de Simon Helberg e seu diminuto engenheiro judeu Howard, que apesar de muitas vezes ser encarregado do humor físico, tira de letra em um estilo "engraçado-sem-nem-abrir-a-boca". Kaley Cuoco, a Penny, também não faz feio, mesmo sendo praticamente um artifício ambulante para possibilitar algumas piadas mais óbvias do confronto inteligência x sensualidade. 

Tanta qualidade, fazia o expectador virar os olhos para a porção mais banal e simplória do programa com seus estereótipos fracos, piadas físicas e seu plot principal tolo sobre a relação do nerd estranho com a loira gostosa e não tão esperta. Bem, é um programa de TV caro e precisa se pagar, então quanto mais público atingir, tanto melhor.

O problema é que com o passar dos tempos, apesar de os assuntos das piadas até variarem, começa a ficar visível que a estrutura delas é sempre a mesma e o humor físico e raso passa a ganhar mais espaço. A entrada, na quarta temporada, de Mayim Bialik e sua Amy Fowler, supostamente uma versão feminina do astro Sheldon,  não ajudou muito na revitalização da série e só deixou mais patente a reciclagem criativa que vinha acontecendo há algum tempo. 

Ainda assim , a terceira e a quarta temporada ainda conseguiram esconder algumas piadas frescas em meio ao reprocessamento de idéias, e ainda que os episódios mais recentes tivessem sido terríveis de aguentar,  nós na audiência ainda seguimos na inércia. Uma quinta, e provavelmente não final, temporada já começa agora em setembro e precisa desesperadamente de uma mudança de ares, quer seja de novos ambientes, novos personagens ou qualquer outro fator que altere minimamente a dinâmica entre os personagens já existentes.

Mesmo os nerds, que compõe usualmente o tipo de fã mais obstinado, não vão ser capazes de seguir acompanhando as mesmas situações e as mesmas piadas se repetindo eternamente.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

Santos e demônios

Juventude Transviada 2.0

Direção: Dito Montiel
Título original: A guide to recognizing your saints
Duração: 100 min
Idioma: Inglês
Lançamento: Dez/2007

Santos e Demônios é um típico filme de "amadurecimento", acompanhando um garoto crescendo em meio a uma vizinhança tomada por gangues e conflitos interraciais e construindo sua individualidade mesmo que isso signifique cortar laços com amigos e família. O embate e a difícil comunicação entre pai e filho ou a falta de compreensão dos amigos são as principais fontes dramáticas do filme, mas há episódios de violência e tragédias suficientes para completar o sofrimento do protagonista.

Ainda que Shia LaBeouf tenha sido uma ótima escolha para o papel do jovem Dito Montiel (diretor dessa cinebiografia), Robert Downey Jr. parece um pouco deslocado - não está ruim, mas destoa - no drama e dificulta pensar nele como Dito e não como ele mesmo. Um ator menos conhecido ou menos característico teria se saído melhor. Com exceção da escolha do ator e a excessiva familiaridade do gênero, as reminiscências de Montiel em Santos e Demônios são sinceras e honestas o bastante para colocar o filme um pouco acima da média de uma sessão da tarde e satisfazer os apreciadores de dramas reais.

domingo, 30 de setembro de 2007

I'm a cyborg, but that's ok

Amor e loucura

Direção: Park Chan-Wook
Título Original: Ssaibogeujiman Gwaenchanha
Duração: 105 min
Idioma: Coreano
Lançamento: Set/2007

A premissa de Eu sou um ciborgue, mas tudo bem (tradução minha, não encontrei nome em português oficial) é a seguinte: a mulher pensa ser uma máquina, lambe baterias para se alimentar, conversa com torradeiras e coisas do tipo e o homem é um cleptomaníaco especializado no roubo de memórias e identidades. Eles estão internados no mesmo manicômio e eles se apaixonam - o filme é uma espécie de "comédia romântica" não-convencional. 

A premissa é bastante original, mas, infelizmente, o filme em si não me cativou. Sequer fui até o final, ou, pelo menos não dedicando toda minha atenção a ele - depois de um tempo estava escrevendo alguma outra resenha enquanto o filme continuava na televisão. Acho que tudo no filme é tão bizarro e a loucura dos personagens é tão definidora que é difícil você se importar com qualquer coisa que aconteça. 

Minha sensação é de que os filmes asiáticos que acabam chegando ao Brasil são apenas os mais estranhos que eles produzem. Isso, ou realmente, o abismo cultural que existe entre nossa cultura e a deles é muito maior e mais profundo do que eu imaginava. O (suposto) lado cômico do filme me pareceu por vezes de mal-gosto, outras vezes tolo ou até mesmo puramente incompreensível - as reações dos personagens não parecem ter conexão com os acontecimentos (parte ou muito por causa da loucura). 

Nos trabalhos anteriores do diretor, como Oldboy e Lady Vingança, a estranheza também está lá, mas você consegue entender de onde estão aflorando os sentimentos dos personagens, ainda que pra você não faça sentido. Com personagens insanos, é impossível saber se a personagem está rindo porque normalmente se ri quando morre alguém na Coréia ou se porque ela é louca simplesmente. 

Há, contudo, elementos que tornam a experiência agradável: algumas cenas de rara beleza, como a da chuva na sequëncia final, outras divertidas de se ver como as em que a protagonista se transforma numa metralhadora, mas de maneira geral, Eu sou um ciborgue é só um exercício de esquisitice e (suposto) humor. Uma (declarada) intenção do autor em se afastar o máximo possível da violência e agressividade de sua trilogia da Vingança. 

Em poucas palavras: para mim, não funcionou...

sexta-feira, 24 de agosto de 2007

Possuídos

Paranóia contagiante

Direção: William Friedkin
Título original: Bug
Duração: 102 min
Idioma: Inglês
Lançamento: Ago/2007

Se você conseguir deixar passar a boa, mas lenta, primeira metade de Possuídos, vai ser presenteado com uma fantástica sequência de paranóia escalante que vai atingir níveis desesperadores da metade para o final. Os protagonistas Ashley Judd e Michael Shannon vão crescendo passo-a-passo, superando-se e alcançando níveis dramáticos absurdamente intensos e assustadores. O processo de filmagem deve ter exaurido completamente seus protagonistas, pois se a carga emocional do filme é desgastante e incômodo para os próprios expectadores, quem dirá para os intérpretes. Possuídos é do mesmo diretor de o Exorcista, William Friedkin, mas dessa vez, não é necessário qualquer efeito especial para deixar a audiência apavorada. O filme não tenta em nenhum momento assustar os expectadores, mas tenta sim fazer com que eles se assustem junto com os personagens, fazer com que se importem e desesperem-se na sua impotência e incapacidade de ajudá-los e em saber que não poderiam fazer nada por eles mesmo que eles não fossem apenas personagens. Tudo considerado, Possuídos é um filme de terror excelente, porém poderia ser ainda melhor se o ritmo e a intensidade fosse distribuído mais harmoniosamente ao longo do filme. 

segunda-feira, 30 de julho de 2007

Zodíaco


Excesso de zelo

Direção: David Fincher 
Título original: Zodiac 
Duração: 157 min
Idioma: Inglês
Lançamento: Jun/2007


Continuando ainda na onda das microcríticas com mais um representante da série "ótimo filme chato"... 

Zodíaco conta a estória de um serial killer que aterrorizou os EUA na década de 70 e foca nas investigações da polícia e da imprensa, em especial no afinco com que um cartunista fascinado por enigmas se dispõe a desvendar os mistérios que cercam o assassino. Não faltam ao filme cenas carregadas de tensão (como a do casal à beira do lago), o clima noir é muito bem conduzido e São Francisco, palco da maior parte da (in)ação, é uma cidade perfeita para um diretor que saiba onde e como posicionar suas câmeras e David Fincher é um deles.

Fincher é preciosista, atento aos detalhes e bastante estiloso. Quando coloca todas essas qualidades no desenvolvimento de um roteiro pop e "underground" gera filmes imbatíveis como Seven - os sete pecados capitais, O clube da luta ou, com menos maestria, O quarto do pânico. Quando, no entanto, resolve esmiuçar todos os detalhes, até mesmo os mais entediantes, de estórias reais, acaba com filmes tecnicamente irretocáveis, mas desprovidos de alma, como A rede social e o próprio Zodíaco. 

Porém, no caso de Zodíaco, se tivesse que apontar apenas um motivo para explicar o porque do filme simplesmente não funcionar como entretenimento seria o excesso de cenas. Três horas para contar uma estória na qual os principais desdobramentos podem ser listados em apenas uma mão é um pouco demais - tive que assistir em duas sessões e quase deixei o final para uma terceira sentada à frente da TV. 

Não dá para dizer que não é muito bem feito, mas só deve ser interessante para quem já conhecia a estória e queria muito saber todos os mínimos detalhes dela - e é pouco provável que algum leitor desse blog enquadre-se na categoria...

sexta-feira, 20 de julho de 2007

Saneamento básico, o filme

Cinema básico

Direção: Jorge Furtado
Título original: Saneamento Básico - O filme
Duração: 112 min
Idioma: Inglês
Lançamento: Jul/2007

Depois do ótimo O homem que copiava, acho que inconscientemente subi bastante a barra para o cinema de Jorge Furtado. Foi nesse contexto que, apesar das resenhas bastante positivas que havia lido há muito tempo e de o elenco contar com atores de peso como Wagner Moura, Camila Pitanga, Lázaro Ramos e a ótima Fernanda Torres, Saneamento Básico simplesmente não funcionou pra mim e ficou longe de atingir as expectativas. O filme certamente tem seu apelo e faz crítica social com leveza e uma boa dose de humor, porém, ao mesmo tempo, ele se leva a sério demais para que algumas cenas ridiculamente forçadas consigam se encaixar no todo. Para piorar, os atores parecem não se esforçar muito (mesmo considerando que o roteiro não exija muito deles) e cumprem com sua função quase burocraticamente, sem sair de sua zona de conforto - basicamente dão a seus personagens as mesmas características que já usaram em trabalhos anteriores. Ao mesmo tempo, o filme não chega a ofender e se em uma tarde ou noite modorrenta, você esbarrar com ele na televisão, pode ser uma opção para passar o tempo.