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sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Minhas mães e meu pai

Todos estão bem

Direção: Lisa Cholodenko
Título original: The kids are all right
Duração: 106 min
Idioma: Inglês
Lançamento: Nov/2010

Minhas mães e meu pai fala de relacionamentos, comprometimento e família. É um filme simples em sua premissa, mas extremamente complexo e poderoso na sua execução. O enredo apóia-se na ruptura causada em uma família após os filhos resolverem conhecer o doador do esperma que engravidou as mães, um casal de lésbicas. Annette Bening e Julianne Moore, como sempre, dão um show de interpretação e garantem total veracidade e profundidade a suas personagens. Mark Ruffalo, o pai, e Mia Wasikowska e Josh Hutcherson, os filhos, também entregam atuações convincentes, mas acabam ofuscados pela dupla principal. Boa caracterização, sentimentos familiares e ótimas sacadas cômicas em um filme que trata de temas complexos, com a complexidade que lhes é devida. Essencial.

sexta-feira, 12 de março de 2010

Ilha do medo

Sombrio e meticuloso quebra-cabeça

Direção: Martin Scorcese
Título original: Shutter Island
Duração: 138 min
Idioma: Inglês
Lançamento: fev/2010
 
Como em quase todas as resenhas, é difícil dissertar sobre a qualidade de um filme sem estragar a experiência de quem ainda não o viu, mesmo quando essa não é calcada em "surpresas" ou "segredos". Quanto menos você souber de um bom filme, mais significativa e compensadora tende a ser essa experiência. Então, você pode assumir que seu leitor já assistiu ao filme e comentar cenas, divagar sobre referências e símbolos e dissecar o roteiro como se fosse uma discussão pós-saída do cinema ou apenas indicar genericamente as principais característica para recomendá-lo (ou não). Escolho a segunda para que ninguém se pegue eventualmente surpreendido por uma informação indesejada. Reservemos possíveis discussões sobre detalhes desse (e de outros) filmes para a seção de comentários.

O enredo é simples e sob certo ângulo não muito original: dois policiais navegam até uma ilha que abriga um manicômio para investigar o desaparecimento de uma das pacientes. Som, fotografia, cenografia e direção de arte constroem o ambiente e a atmosfera perfeitos que por si já valem o filme. Alie-se a isso um bom elenco com ótimas atuações, em especial de Di Caprio e Ruffalo, a dupla de protagonistas, e você já garantiu um bom entretenimento.

Além disso, o roteiro é muito bem amarrado: todas as cenas estão no filme por algum motivo, todos os detalhes fazem sentido, nenhum diálogo é desperdiçado e a história vai construindo-se pouco a pouco e sempre. Algumas cenas, no entanto, especialmente as mais próximas do final, estendem-se um pouco mais do que necessário e prejudicam ligeiramente o ritmo do filme. No mais, a construção do quebra-cabeças é tão meticulosa e detalhista que o processo, ou o "como" a história é contada, acaba sobressaindo-se à história em si.

No fim das contas, é um prazer tanto deixar-se imergir no universo do filme e sua história, quanto imaginar o trabalho de construção de cada uma das cenas pelo diretor com suas diversas leituras e referências a outras obras do gênero.

segunda-feira, 30 de julho de 2007

Zodíaco


Excesso de zelo

Direção: David Fincher 
Título original: Zodiac 
Duração: 157 min
Idioma: Inglês
Lançamento: Jun/2007


Continuando ainda na onda das microcríticas com mais um representante da série "ótimo filme chato"... 

Zodíaco conta a estória de um serial killer que aterrorizou os EUA na década de 70 e foca nas investigações da polícia e da imprensa, em especial no afinco com que um cartunista fascinado por enigmas se dispõe a desvendar os mistérios que cercam o assassino. Não faltam ao filme cenas carregadas de tensão (como a do casal à beira do lago), o clima noir é muito bem conduzido e São Francisco, palco da maior parte da (in)ação, é uma cidade perfeita para um diretor que saiba onde e como posicionar suas câmeras e David Fincher é um deles.

Fincher é preciosista, atento aos detalhes e bastante estiloso. Quando coloca todas essas qualidades no desenvolvimento de um roteiro pop e "underground" gera filmes imbatíveis como Seven - os sete pecados capitais, O clube da luta ou, com menos maestria, O quarto do pânico. Quando, no entanto, resolve esmiuçar todos os detalhes, até mesmo os mais entediantes, de estórias reais, acaba com filmes tecnicamente irretocáveis, mas desprovidos de alma, como A rede social e o próprio Zodíaco. 

Porém, no caso de Zodíaco, se tivesse que apontar apenas um motivo para explicar o porque do filme simplesmente não funcionar como entretenimento seria o excesso de cenas. Três horas para contar uma estória na qual os principais desdobramentos podem ser listados em apenas uma mão é um pouco demais - tive que assistir em duas sessões e quase deixei o final para uma terceira sentada à frente da TV. 

Não dá para dizer que não é muito bem feito, mas só deve ser interessante para quem já conhecia a estória e queria muito saber todos os mínimos detalhes dela - e é pouco provável que algum leitor desse blog enquadre-se na categoria...