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sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

O discurso do rei

Genuinamente um candidato ao Oscar

Direção: Tom Hooper
Título original: The king's speech
Duração: 118 min
Idioma: Inglês
Lançamento: Fev/2011


O discurso do rei é um filme visivelmente idealizado para ser indicado ao Oscar e dada a competência da execução fica fácil entender porque acabou levando a estatueta. Uma história sobre amizade com pano de fundo político e histórico e dois atores de peso para contracenar - como poderia dar errado? Infelizmente, essa ânsia pela premiação acaba sendo o maior defeito do filme, que torna cenas mais triviais (o próprio discurso do título) em momentos apoteóticos de superação humana. Uma extravagância que, no entanto, não tira o brilho das interpretações geniais de Colin Firth (merecido Oscar) e Geoffrey Rush ou dos diálogos inspirados do roteiro de David Seidler. Nem sempre o vencedor do Oscar é um filme que valha o tempo investido, mas certamente não é esse o caso.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

A lenda dos guardiões

Corujas são sérias demais


Direção: Zack Snyder
Título original: Legend of the Guardians: The owls of Ga'Hoole
Duração: 97 min
Idioma: Inglês
Lançamento: Out/2010

Em termos técnicos de animação, A Lenda dos Guardiões é nota 10: perfeccionismo nos detalhes, cenários embasbacantes e, certamente, efeitos 3D de ponta (assumo pelo tipo das cenas, mas vi em 2D mesmo). Em termos de roteiro, a base maior com a guerra entre os "Puros" e os "Guardiões" (ou do "bem" e do "mal") segue elementos narrativos clássicos que já comprovaram sua efetividade uma centena de vezes e seria muito difícil errar com ele.

O que torna o filme um "equívoco", mas não necessariamente um filme ruim são todas as outras escolhas estéticas e de direção de Zach Snyder. Ainda que elas dêem "personalidade" ao filme, sendo possível reconhecer muitos maneirismos do diretor nele, também fazem com que não consiga achar um público ou um gênero específico que queira atingir.

Para começar, a vontade de criar corujas o mais realistas possível fez com que, como no mundo real, fosse impossível individualizar cada uma delas.  Depois de uma hora e meia de filme, eu só conseguia saber quem era quem pelos diálogos e pelas vozes, mas não conseguia, por exemplo, identificar no meio de uma fileira de corujas quem era o irmão do protagonista. Também é difícil entender quais emoções os personagens estão expressando, já que a gama de feições de uma coruja de verdade é bastante limitada.

As tomadas em câmera lenta estilo 300 e a trilha sonora à God of War dão um tom épico exagerado que beira o paródico, o que provavelmente não era a intenção original do diretor. Parece que, ao invés de confiar no poder intrínseco do seu roteiro, fosse necessário validar com elementos externos a grandiosidade que cada uma das cenas deveria ter.

Além disso, o filme é sério demais para agradar o público infantil e ingênuo demais para agradar o público adulto. Há pouco humor no filme, e o que há é excessivamente "britânico" para agradar a maioria dos expectadores e há muita violência considerando-se que é uma animação com corujas que falam e então supostamente voltada ao público infantil.

Se esses elmentos já não fossem o bastante, em termos de construção de personagens, as emoções no filme são rotuladas e não sentidas. Você sabe que o irmão do protagonista não é confiável porque o roteiro quis que assim fosse e não porque as motivações dele foram evoluindo nesse sentido. Você sabe que a cobra é o "coração" do grupo principal porque assim foi anunciado por um dos personagens e não porque as ações dela tenham justificado o rótulo.

A lenda dos guardiões está muito longe de ser ruim como Sucker Punch, mas assim como nesse outro filme de Snyder, ele parece mais preocupado em impressionar com a última tecnologia da moda e com poses e rufar de tambores do que efetivamente contar uma estória.