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sexta-feira, 20 de maio de 2011

Piratas do Caribe - Navegando em águas misteriosas

Mais um de muitos

Direção: Rob Marshall
Título Original: Pirates of Caribbean - On stranger tides
Duração: 141 min
Idioma: Inglês
Lançamento: Mai/11

Vi no cinema o novo filme da franquia Piratas do Caribe, acho que era o segundo, quarto ou quinto da série... Quem poderia afirmar? Ainda na entrada estava tentando lembrar como tinha acabado o anterior: foi o do redemoinho engolindo o navio ou aquele em que Jack enfrenta uma tripulação imortal? 

No final, não importa muito. As histórias são todas diferentes entre si, cheia de detalhes, tramas intrincadas; mas no final das contas, não importa muito mesmo, porque você não vai conseguir manter essa diferenciação na cabeça. O que vale é, mais uma vez, checar navios de piratas, baús de tesouro, maldições seculares, seres marinhos fantásticos e outras estórias e lendas do vasto imaginário que envolve os piratas.

A trama da vez envolve a Fonte da Juventude e o vilão da vez é o famigerado Barba Negra, mas há espaço para várias outras referências que só servem de pano de fundo para uma sequência de mais de duas horas de ação ininterrupta seguindo sempre um mesmo esquema: Jack Sparrow vai entrar em uma situação aparentemente sem saída e vai, obviamente, sair dela com acrobacias, truques e muita lábia. 

É a fórmula recursiva (as cenas) dentro de uma outra fórmula recursiva maior (os filmes).

Piratas do Caribe é sempre igual e sempre divertido, vai continuar assim pelos próximos infinitos filmes que podem ser feitos. Se já no quarto da série é muito difícil guardar o que o faz diferente dos outros e ainda assim ser possível se entreter bastante, quer dizer que a fórmula ainda deve aguentar um bom tempo. 

Que venha o próximo!

Nota final: o amor impossível e assexuado à la Crepúsculo de conclusão tão bizarra e indefinida parece ter entrado do nada no meio da estória e ganha mais tempo de tela do que seria recomendável. Com certeza aumenta o escopo do público do filme, mas também o deixa bastante esquizofrênico.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

O imaginário do Dr. Parnassus

Agradáveis alucinações

Direção: Terry Gilliam
Título original: The imaginarium of Dr. Parnassus
Duração: 123 min
Idioma: Inglês
Lançamento: Mai/2010


Apesar de ter ficado conhecido principalmente pelo suicídio de seu protagonista no meio das filmagens, O imaginário do Dr. Parnassus teria chamado a atenção por si só com seu enredo intrincado e seu visual onírico e alucinado. É bem verdade que a morte de Heath Ledger um pouco antes de as cenas finais terem sido filmadas e sua substituição porJohnny Depp, Jude Law e Colin Farrell deixaram o resultado ainda mais interessante. O que poderia ter afundado o filme, nesse caso, fez com que o roteiro fosse reescrito de forma a amplificar as qualidades originais do material e quatro (bons) atores fazendo o mesmo papel fez mais sentido do que um só teria feito. A conclusão, assim como uma ou outra cena ao longo do caminho, desce um pouco quadrada, mas o resto da película oferece um banquete de ilusões, mistérios e imagens agradavelmente sem sentido que mais do que compensam os deslizes do roteiro.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Alice no país das maravilhas

Dose suficiente de cogumelos



Direção: Tim Burton
Título Original: Alice in Wonderland
Duração: 108 min
Idioma: Inglês
Lançamento: Abr/10

Quando a notícia de que um filme sobre a Alice de Lewis Carroll seria filmado por Tim Burton, boa parte das pessoas que conheço confirmaram meu próprio sentimento: ele era o diretor perfeito para levar essa fábula surreal para a tela e, afinal, porque não tinham feito isso antes? Como ele também foi um dos primeiros a ser filmados em 3D na geração pós-Avatar, a espera pelo filme foi marcada por uma leve ansiedade e o tempo fez o seu trabalho de ir pouco a pouco aumentando as expectativas.

Alguns meses depois, tudo que ouvi dos pioneiros que foram ao cinema foi que o filme era muito menos do que eles esperavam... E isso foi o que salvou a experiência pra mim. Expectativas de volta onde deveriam estar, pude então deliciar-me com a leveza macabra do sorriso do Gato Risonho ou da bizarra graça gorducha dos irmãos Tweedle-Dee e Tweedle-Dum sem me preocupar se realmente o filme fazia jus ao que deveria ser ou qualquer coisa etérea nesse sentido.

Realmente o roteiro é muito mais raso que o material original e o maior tempo de tela que o Chapeleiro Louco ganha somente para Johnny Depp fazer suas caretas é injustificado. Apesar de várias bolas dentro como Jack Sparrow, Edward Mãos-de-teoura e outros, esse não é um para colocar na lista de acertos do ator. Ponto negativo também para Anne Hathaway que beira o ridículo com os trejeitos de sua Rainha Branca, a quem o roteiro esqueceu de dar significado e propósito.

Mas, de volta aos aspectos positivos, a cabeçuda Rainha Vermelha de Helena Bonham Carter traz o espetáculo de volta para a estória e certamente faz jus ao espírito da original. A protagonista Mia Wasikowska também está ótima como a determinada e independente Alice - ainda que uma garotinha nos seus nove ou dez anos teria sido muito melhor. E o final, ainda que mais apressado (e forçado) do que o que eu acredito pertinente, foi bastante satisfatório em termos "ideológicos".

Não chegou a alcançar as expectativas de todos, mas foi uma viagem visual bastante satisfatória.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

Sweeney Todd - O barbeiro demoníaco da rua Fleet

Sombria cantoria


Direção: Tim Burton

Título original: Sweeney Todd - The demon barber of Fleet street

Duração: 116 min
Idioma: Inglês
Lançamento: Fev/2008

Sombria e amedrontadora, a tomada aérea inicial de uma enevoada Londres de tempos idos já proporciona a ambientação morbidamente perfeita esperada de um filme de Tim Burton. A câmera desce para um antigo navio, foca em um personagem e então... a cantoria começa! E, infelizmente, não pára mais. Sem deixar espaço para muitas falas, as intermináveis e encadeadas canções acabam eclipsando todas as outras qualidades do filme. Johnny Depp, Helena Bonham Carter e todos os outros atores não desafinam e parecem divertir-se em seus personagens exageradamente bizarros ou cruéis, mas a história, que está longe de ser ruim, perde muito ao ser cantada ao invés de simplesmente "dialogada". Muito sangue jorra da cadeira do demoníaco barbeiro da rua Fleet, e o roteiro proporciona alguns bom momentos de tensão e suspense em uma trama propositalmente clássica que segue os padrões pré-estabelecidos das tragédias, mas se Sweeney Todd tem o DNA Tim Burton no visual, no áudio é o de um musical sem grandes atrativos. A não ser que você seja um grande fã do estilo do diretor, pode deixar Sweeney Todd passar direto.