sexta-feira, 16 de outubro de 2009

O desinformante

Bom e sem-graça

Direção: Steven Soderbergh
Título original: The informant!
Duração: 108 min
Idioma: Inglês
Lançamento: Out/2009

Com O desinformante, o blog dá início a uma série de 13 "microcríticas" (impressões principais, sem muita análise) com o intuito de acabar com uma pilha de filmes assistidos há tempos cujas críticas foram sendo procrastinadas repetidamente. Logo, logo, voltaremos a nossa programação normal...

Traffic, indicado ao Oscar de melhor filme em 2000, é o meu recorrente exemplo de um "ótimo filme chato", aquele que você consegue perceber que é um ótimo filme, mas só continua assistindo até o final com muita dedicação. Não foi por acaso então que essa classificação me veio à cabeça durante O desinformante, afinal, como descobri há pouco, os dois são fruto da mente do mesmo diretor, Steven Soderbergh (Erin Brockovich, Solaris).

A estória "baseada em fatos reais" de fraude e corrupção de O desinformante tem seu apelo e o fator "documentário" com empresas e entidades governamentais sendo citadas abertamente dá um toque especial a ele. Um outro aspecto positivo é que Matt Damon consegue fazer um típico colarinho-branco crível e simpático, ainda que fique sempre a impressão de que um ilustre desconhecido do tipo J.C. Reilly ou William H. Macy encaixariam-se com menos atrito no papel. A execução é muito competente, som, iluminação, edição e todos os outros fatores técnicos estão perfeitos. 

Ainda assim, por algum motivo que não sei explicar, ele não empolga, não entretém e não se destaca.

É bom sim, mas ao mesmo tempo é chato e não dá para recomendar... Vai entender.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Blackest Night - Batman #1-3

Uma segunda chance para os órfãos

Finalmente uma mini-série do evento Blackest Night realmente acessível a um leitor das antigas tentando voltar ao Universo DC. A maior parte, se não todos os eventos e fatos anteriores referenciados são bem estabelecidos   e conhecido por todos ou aconteceram a tempo suficiente para eu ter lido como por exemplo a morte do pai de Tim Drake.

O que poderia causar alguma estranheza seria justamente a ausência de Bruce Wayne e o fato de Grayson estar atuando como Batman, mas a morte do homem-morcego original e sua substituição foi tão comentada que seria difícil alguém que acompnha o mundo dos quadrinhos não saber dela. O que me causou surpresa for ver Damian, o filho de Thalia e Wayne como o Robin. Está aí algo que deve estar gerando boas situações no título mensal.

Quanto à história em si, ela é a melhor das que li até o momento: os pais de Batman e Red Robin (A Panini traduziru como Robin Vermelho?) retornam dos mortos e geram a comoção esperada até os heróis, como esperado, colocarem a cabeça no lugar e aceitarem que aqueles não são seus pais. Para completar, um número considerável de vilões ressuscita e tocam o terror em Gotham, mas a maior parte deles eu não faço idéia de quem sejam. 

Boa caracterização dos personagens, enredo simples e sólido, arte no estilo certo para a história, nada a reclamar, porém nada também para impressionar. 

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Deixa ela entrar

Sentimentos Conflitantes


Direção: Tomas Alfredson
Título original: Låt den rätte komma in
Duração: 115 min
Idioma: Sueco
Lançamento: Out/09

Ok, entendi que o filme é sutil, é metafórico, é simbólico, é referencial blá blá blá... mas é bom? É... Mas é legal? Essa é para se pensar... Deixa ela entrar encaixa-se na famosa categoria "fantastichato" : a crítica adora, todo mundo fala bem, dizem que é um exercício de cinema fantástico e outras coisas do tipo, mas quando você resolve finalmente assistir fica com aquela sensação de... Por que afinal todo mundo estava falando tanto disso?

Minha última experiência desse tipo foi com o aclamado Como festejei o fim do mundo, um filme romeno sobre dois irmãos à época da queda do ditador Ceausecu no fim da guerra fria. Assisti o filme pausando a todo momento porque meu pensamento volta e meia escapava para alguma coisa sem importância, mas que naquele momento parecia mais interessante. Mas o filme era ruim? Certamente não... Os atores trabalhavam bem, tinha cenas muito bonitas, a trilha sonora era bacana... mas não rolou a química. Vai entender...

Assistir Deixa ela entrar rendeu sensações muito parecidas. Em nenhum momento diria que é um filme ruim, porque as tomadas são realmente muito legais, a câmera sempre procura ângulos diferentes e os diálogos são instigantes, meio surreais. Considerando que é um fime sueco, vale dizer que é como assistir um Ingmar Bergman sobre vampiros: é bom, mas tem horas que você acha que não vai conseguir resistir ao sono (tudo bem, assisti no meio da semana depois de um dia pesado no trabalho, mas ainda assim...).

O filme é econômico em tudo: na trilha sonora, nas cenas de ação, nos diálogos... E o pouco que é mostrado ou executado acaba tendo muito mais significado do que uma sucessão frenética e videoclíptica de imagens e mesmo cenas relativamente comuns em outros filmes ficam muito mais marcantes nesse. 

Enfim, não é certamente o mais fácil dos filmes e talvez eu tenha tido um problema de expectativa com ele, mas ainda assim o recomendo. No mínimo é garantido que, para o bem ou para o mal, você não vai sair com a impressão de que já viu isso antes. 

sábado, 26 de setembro de 2009

Distante nós vamos

Esforço excessivo

Direção: Sam Mendes
Título Original: Away we go
Duração: 94 min
Idioma: Inglês
Lançamento: Set/2009

Um casal aparentemente cheio de problemas a resolver sai em road trip visitando vários outros casais que são aparentemente modelos de perfeição, procurando pelo melhor lugar para criar o bêbe que está chegando. Mesmo sendo um filme relativamente alternativo, você já consegue ter uma noção de onde repousa a moral do filme.

Burt e Verona são duas pessoas normais, mas um pouco melhores do que as pessoas normais. Não porque eles acreditem que sejam, mas simplesmente porque, pensam, não estão preocupados em ser algo mais do que são. Eles não julgam os outros conscientemente, mas para poder seguir um caminho próprio e poder reafirmar o estilo de vida que eles acreditam ser o mais autêntico, eles precisam depreciar todos os outros.

O filme infelizmente só espelha a cartilha de seus personagens e se esforça demais para tentar ser mais “alternativo” do que realmente é, enquanto com um tom blasé finge que nem está tentando. No caminho, ele ataca preconceituosamente diversos estilos de vida e hipócrita define o de seus protagonistas como superior aos dos outros.

Em tempo, o roteiro é de autoria de um casal muito similar, os escritores Dave Eggers e Vendela Vida, que ao lado de outros “moderninhos” como Jonathan Safran Foer e esposa, fazem parte da nova intelectualidade cool dos Estados Unidos. Qualquer semelhança é provavelmente mera coincidência.

Em tempo de novo, apesar da resenha parecer extremamente desfavorável, o filme não é ruim, só um tanto pretensioso.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Lunar

Solidão na estação espacial versão 2.0

Direção: Duncan Jones
Título Original: Moon 
Duração: 97 min
Idioma: Inglês
Lançamento: Jul/2009

(In)felizmente tudo remete a "2001, uma odisséia no espaço" em Lunar: o cenário minimalista e asséptico, silêncios prolongados e uma versão remasterizada de Hal 9000. 

Essas semelhanças são o trunfo e o revés dessa produção semi-independente (custou meros 5 milhões para a Sony) sobre um homem trabalhando numa estação mineradora na lua. É trunfo quando consegue atualizar a profundidade filosófico-contemplativa da obra-mãe, mas é revés quando mimetiza a mesma lentidão de dar sono do filme de Kubrick dos anos 60. 

Abertura caprichada, (mais uma) atuação competente de Sam Rockwell, roteiro bem amarrado, tensão na medida e ótimas idéias pra discutir pós-filme... Lunar só não é perfeito porque é vítima da lentidão e do tédio intrínsecos aos temas que trata.