sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

Sweeney Todd - O barbeiro demoníaco da rua Fleet

Sombria cantoria


Direção: Tim Burton

Título original: Sweeney Todd - The demon barber of Fleet street

Duração: 116 min
Idioma: Inglês
Lançamento: Fev/2008

Sombria e amedrontadora, a tomada aérea inicial de uma enevoada Londres de tempos idos já proporciona a ambientação morbidamente perfeita esperada de um filme de Tim Burton. A câmera desce para um antigo navio, foca em um personagem e então... a cantoria começa! E, infelizmente, não pára mais. Sem deixar espaço para muitas falas, as intermináveis e encadeadas canções acabam eclipsando todas as outras qualidades do filme. Johnny Depp, Helena Bonham Carter e todos os outros atores não desafinam e parecem divertir-se em seus personagens exageradamente bizarros ou cruéis, mas a história, que está longe de ser ruim, perde muito ao ser cantada ao invés de simplesmente "dialogada". Muito sangue jorra da cadeira do demoníaco barbeiro da rua Fleet, e o roteiro proporciona alguns bom momentos de tensão e suspense em uma trama propositalmente clássica que segue os padrões pré-estabelecidos das tragédias, mas se Sweeney Todd tem o DNA Tim Burton no visual, no áudio é o de um musical sem grandes atrativos. A não ser que você seja um grande fã do estilo do diretor, pode deixar Sweeney Todd passar direto.

Cloverfield - Monstro

O monstro de Blair

Direção: Matt Reves
Título Original: Cloverfield
Duração: 90 min
Idioma: Inglês
Lançamento: fev/08

Godzilla com uma câmera na mão - isso é tudo o que é necessário saber sobre Cloverfield - Monstro. É um filme na linha de A bruxa de Blair e Diário dos mortos só que ao invés de fantasmas e zumbis, temos um monstro gigante. É cinema-catástrofe na versão "primeira pessoa" - A grande diferença entre esse e os outros dois, é que é temos muito menos suspense, mas muito mais explosões, prédios desabando e outras catástrofes hiperbólicas.

O mundo está acabando, vamos todos morrer... então pegue a câmera e comece a rodar! Obviamente o grande problema de Cloverfield é o mesmo que, talvez até em menor quantidade, acometia A bruxa de Blair: por que diabos alguém estaria segurando a câmera ligada mesmo em uma situação de vida e morte? Porém, na maior parte do filme, o roteiro consegue te convencer que, se não provável, pelo menos não é de todo impossível.

A parte inicial em que você aprende sobre os personagens demora um pouco mais do que o necessário, principalmente porque os personagens não são particularmente interessantes - um deles é simplesmente irritante demais e parte da graça do filme é ficar esperando pelo momento em que ele seja esmagado, ou destroçado em uma explosão. Aliás, é provavelmente isso é que impede o filme de ser muito mais grandioso - a total falta de profunidade dos personagens.

O filme acerta em alguns pontos essenciais, especialmente para filmes de monstros: não explique muito e mostre o mínimo possível de seu monstro (vide sucessos como Tubarão, Abismo Profundo, Alien etc.) e consegue (excluindo-se os primeiros vinte a trinta minutos), manter o nível de tensão no máximo. Não é cinema-cabeça (apesar de algumas infelizes referências gráficas ao terror do 11 de setembro) e cumpre decentemente o objetivo de entretenimento sem muito cérebro e com um mínimo de criatividade.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

Thor v3 #01-06

Retorno de proporções divinas

Editora: Marvel Comics
Publicação: Set/2007 a Fev/2008
Roteiro: J.M.Straczynski
Arte: Olivier Coipel

Depois de algum tempo afastado do universo Marvel após o cataclísmico evento que finalizou a versão anterior de sua série, o Deus do Trovão retorna em grande estilo com a arte espetacular de Oliver Coipel e um ótimo enredo de J. Michael Straczynski.

Longe de ser forçada, a "ressurreição" de Thor abre uma discussão sobre o ser divino e sua relação com o ser humano e sua jornada para "despertar" os deuses nos corações dos homens rende ótimos momentos.

A escolha pela localização de Asgard garante um viés mais realista e prosaico para estória, permitindo alternar os momentos de grandiosidade divina com outras de pragmatismo e pé-no-chão com os personagens de uma cidadezinha no coração da América.

O ritmo também é muito bem construído e cada edição é uma estória fechada em si ao mesmo tempo que avança o enredo principal. Cada capítulo dá um passo a frente: o retorno de Thor, a recriação de Asgard, o despertar de Heimdall, depois dos três guerreiros etc.

Um grande retorno para um grande herói!

sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

Santos e demônios

Juventude Transviada 2.0

Direção: Dito Montiel
Título original: A guide to recognizing your saints
Duração: 100 min
Idioma: Inglês
Lançamento: Dez/2007

Santos e Demônios é um típico filme de "amadurecimento", acompanhando um garoto crescendo em meio a uma vizinhança tomada por gangues e conflitos interraciais e construindo sua individualidade mesmo que isso signifique cortar laços com amigos e família. O embate e a difícil comunicação entre pai e filho ou a falta de compreensão dos amigos são as principais fontes dramáticas do filme, mas há episódios de violência e tragédias suficientes para completar o sofrimento do protagonista.

Ainda que Shia LaBeouf tenha sido uma ótima escolha para o papel do jovem Dito Montiel (diretor dessa cinebiografia), Robert Downey Jr. parece um pouco deslocado - não está ruim, mas destoa - no drama e dificulta pensar nele como Dito e não como ele mesmo. Um ator menos conhecido ou menos característico teria se saído melhor. Com exceção da escolha do ator e a excessiva familiaridade do gênero, as reminiscências de Montiel em Santos e Demônios são sinceras e honestas o bastante para colocar o filme um pouco acima da média de uma sessão da tarde e satisfazer os apreciadores de dramas reais.

domingo, 30 de setembro de 2007

I'm a cyborg, but that's ok

Amor e loucura

Direção: Park Chan-Wook
Título Original: Ssaibogeujiman Gwaenchanha
Duração: 105 min
Idioma: Coreano
Lançamento: Set/2007

A premissa de Eu sou um ciborgue, mas tudo bem (tradução minha, não encontrei nome em português oficial) é a seguinte: a mulher pensa ser uma máquina, lambe baterias para se alimentar, conversa com torradeiras e coisas do tipo e o homem é um cleptomaníaco especializado no roubo de memórias e identidades. Eles estão internados no mesmo manicômio e eles se apaixonam - o filme é uma espécie de "comédia romântica" não-convencional. 

A premissa é bastante original, mas, infelizmente, o filme em si não me cativou. Sequer fui até o final, ou, pelo menos não dedicando toda minha atenção a ele - depois de um tempo estava escrevendo alguma outra resenha enquanto o filme continuava na televisão. Acho que tudo no filme é tão bizarro e a loucura dos personagens é tão definidora que é difícil você se importar com qualquer coisa que aconteça. 

Minha sensação é de que os filmes asiáticos que acabam chegando ao Brasil são apenas os mais estranhos que eles produzem. Isso, ou realmente, o abismo cultural que existe entre nossa cultura e a deles é muito maior e mais profundo do que eu imaginava. O (suposto) lado cômico do filme me pareceu por vezes de mal-gosto, outras vezes tolo ou até mesmo puramente incompreensível - as reações dos personagens não parecem ter conexão com os acontecimentos (parte ou muito por causa da loucura). 

Nos trabalhos anteriores do diretor, como Oldboy e Lady Vingança, a estranheza também está lá, mas você consegue entender de onde estão aflorando os sentimentos dos personagens, ainda que pra você não faça sentido. Com personagens insanos, é impossível saber se a personagem está rindo porque normalmente se ri quando morre alguém na Coréia ou se porque ela é louca simplesmente. 

Há, contudo, elementos que tornam a experiência agradável: algumas cenas de rara beleza, como a da chuva na sequëncia final, outras divertidas de se ver como as em que a protagonista se transforma numa metralhadora, mas de maneira geral, Eu sou um ciborgue é só um exercício de esquisitice e (suposto) humor. Uma (declarada) intenção do autor em se afastar o máximo possível da violência e agressividade de sua trilogia da Vingança. 

Em poucas palavras: para mim, não funcionou...