quinta-feira, 7 de junho de 2012

Madagascar 3 - Os procurados

LSD Infantil


Direção: Eric Darnell, Tom McGrath, Conrad Vernon
Título Original: Madagascar 3 -  Europe's most wanted
Duração: 93 min
Idioma: Inglês
Lançamento: Jun/2012

Madagascar 3 está para a Dreamworks como Toy Story está para a Pixar - são as franquias mais consistentes de cada um dos estúdios. Ok, Toy Story é a única franquia da Pixar (considerando um padrão mínimo de qualidade - Carros não conta) e a Dreamworks tem uma outra de altíssimo nível, Shrek, mas que não pode ser considerada exatamente "consistente". E Madagascar é consistentemente insana.

Madagascar é simplesmente o mais "adulto" em que uma animação mainstream e voltada para crianças pode ser. Desde que o leão Alex viajou com um dardo tranquilizante e a zebra Marty lamentou não ter uma "balinha" ao chegar em uma rave de lêmures, a série é o mais  próximo que uma criança (normal) vai chegar de uma viagem com drogas e Madagascar 3 - Os procurados é, por consequência, o mais próximo que ela vai chegar de uma overdose. 

Em Madagascar 3, a ação segue um ritmo insano do primeiro minuto ao último, chegando ao absurdo de em pouco mais de uma hora e meia, apresentar uns cinco ou dez minutos de cenas mais "calmas". A bizarra vilã garante cenas insuspeitadamente engraçadíssimas (e muitas delas pouco politicamente corretas). Um romance inter-espécie é o auge da da falta de noção e da criatividade bizarra dos roteiristas (um grupo que inclui o ótimo diretor Noah Baumbach de A lula e a baleia e o fantástico Sr. Fox). E viagens psicodélicas atingem o seu ápice no terço final do filme com o que pode ser efetivamente classificado como o maior espetáculo da Terra.

O filme só não atinge a perfeição porque fora a vilã, os novos personagens que aparecem não são nada memoráveis e um deles é particularmente irritante (Stefano, dublado por Martin Short). Além disso, nos pouquíssimo momentos menos intensos, em que alguma mensagem ou lição deve ser passada ou um vazio romance desenvolvido, o filme não consegue fazer isso de forma regular, é simplesmente desajeitado e tolo.

Ao final, considerando a ubiquidade da franquia que ganhou até mesmo uma série de TV, é impressionante que Madagascar 3 ainda possa divertir tanto e, ouso dizer, conseguir ser melhor que qualquer uma das versões anteriores. Alugue, baixe, compre, aperte o cinto de segurança e prepare-se para mais de uma hora de ação ininterrupta e, muitas, muitas risadas.

Outras animações da Dreamworks no Crítica em Série:
Megamente
Como treinar seu dragão

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Anjos da lei

Expectativas, o outro lado da moeda

Direção: Phil Lord e Chris Miller
Título original: 21 Jump Street
Duração: 109 min
Idioma: Inglês
Lançamento: Mai/2012

Lembro-me vagamente do seriado Anjos da Lei que passava na Globo no final dos anos 80 e começo dos 90 e basicamente a única coisa que me recordo é que tinha o Johnny Depp antes de ser Johnny Depp. Apesar de não ter noção dos detalhes, de episódios específicos ou mesmo dos personagens, apenas com poucas reminiscências já foi possível entender e me divertir com as melhores referências da "nova" versão, agora no cinema.

O contexto é o mesmo do seriado - policiais com aspecto jovem o suficiente para se passar por adolescentes combatem delinquentes juvenis nas high schools. Mesma premissa, resultados completamente diversos. Longe do dramalhão aborrescente com figurino bizarro (ou somente brega... eram os anos 80), o Anjos da Lei do século 21 foca em uma dupla de improváveis camaradas policiais e no quão idiota o próprio conceito do programa pode ser em uma segunda análise, homenageando o original da melhor maneira possível: sem tentar imitá-lo.

A principal sacada é mostrar uma inversão de papéis para os protagonistas em um período de menos de dez anos. Se em 2005, Jenko, interpretado por Channing Tatum, o típico jogador de futebol americano grande e acéfalo vive o seu auge, em 2012, é a vez de Schmidt, papel de Jonah Hill, entrar para turma dos populares com seu jeito nerd-sensível defensor das minorias.

Tatum, o Magic Mike, dessa vez não tem muitas oportunidades para mostrar as "qualidades artísticas" que fazem com que ele participe de um filme  atrás do outro (geralmente ruim, geralmente comédia romântica): está sempre vestido em todas as cenas. Livre desse pré-conceito ele tem a oportunidade para arrancar inesperadas risadas da platéia e mostrar uma boa veia cômica que quase consegue compensar sua usual canastrice. Por sua vez, Jonah Hill, que já havia provado seu valor, tanto cômico, quanto dramático, em alguns bons filmes como Superbad, Django Livre e Cyrus e até levou uma indicação ao Oscar como coadjuvante de Brad Pitt em Moneyball, consegue mais uma vez garantir seu espaço com um timing afinado e boa parte das melhores tiradas do filme.

Nenhuma comédia consegue ser totalmente imune a piadas sem-graça que morrem na praia nada deserta onde vão parar as boas intenções, e Anjos da Lei não é exceção - algumas das piadas nesse filme certamente entram pro hall de honra da vergonha alheia. No geral, no entanto, a química entre a dupla protagonista funciona muito bem e o filme, que não se leva a sério por um segundo sequer e ainda reserva umas surpresas sensacionais escondidas na manga, acaba sendo bem mais divertido do que eu poderia por um segundo sequer imaginar. As maldosas expectativas como sempre, dessa vez funcionaram em benefício da obra.

sexta-feira, 13 de abril de 2012

O segredo da cabana

Apenas por diversão, e se...

Direção: Drew Goddard
Título original: The cabin in the woods
Duração: 95 min
Idioma: Inglês
Lançamento: Abr/2012

Cinco jovens vão passar o feriado em uma cabana isolada à beira de um lago no meio de uma floresta...Você já conhece a história e você já conhece o lugar, mas ainda assim, por algum motivo insano, se zapeando sem propósito pela TV tarde da noite você perceber que esse é o cenário armado, é nesse canal que você vai parar.

Contudo se a cabana do parágrafo acima for a cabana de O segredo da cabana, você provavelmente não terá suas expectativas correspondidas, mas provavelmente vai se deparar com algo ainda mais divertido e inteligente e talvez você tenha a resposta para o porque você parou no canal para começo de conversa.

Eu poderia discorrer por pelo menos uns vinte parágrafos a mais sobre o filme, citando o que deu (muito) certo e o que deu (infelizmente) errado, enumerando as referências a diretores, contando os clichês etc., mas a cada frase que escrevo, mais perto de estragar a experiência para meus caros leitores do Crítica em Série eu fico. Sou obrigado a deixar todas essas discussões transcendentais para uma mesa de bar (ou para a seção de comentários).

Porém, como essa crítica é absurdamente vaga, vale pelo menos dizer que esse é o típico filme "ame ou odeie", mas se o nome Joss Whedon remete a mais do que "o diretor de Os Vingadores", baixas são as chances de que você, muito provavelmente um(a) nerd como eu, vá estar no lado do "odeio". 

E, por fim, porque Roger Ebert é o crítico dos críticos (mas não leia a crítica dele antes de ver o filme, ela entrega mais do que deveria), é dele a palavra final:
"With most genre films, we ask, "Does it work?" In other words, does this horror film scare us? The cabin in the woods does have some genuine scares, but they´re not really the point. This is like a final exam for fanboys"
P.S. - E você sabe que um filme é feito por e para nerds, quando ele tem referências suficientes para gerar uma wiki própria (contenha-se e abra o link apenas se já tiver assistido ao filme).

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

A pele que habito

A crítica que escrevo 


Direção: Pedro Almodóvar
Título original: La piel que habito
Duração: 120 min
Idioma: Espanhol
Lançamento: Nov/2011

Todos os filmes de Almodóvar parecem iguais, todos parecem ter sido feitos há pelo menos uns vinte anos, todos envolvem bizarrices sexuais e todos são interessantes mesmo sendo exatamente variações do mesmo tema milimetricamente calculadas para não parecerem variações (mas parecem). A pele que habito está longe de fugir desse padrão, mas ao menos dá uma segurada na mão no tradicional exagero cromático do diretor e dá uma folga para Penelope Cruz (apesar de contar com os veteranos Antonio Banderas e Marisa Paredes, também prata da casa).

Como sempre, dei uma olhada no que andou falando a "concorrência" e a maioria dos críticos entram na onda dos simbolismos, do existencialismo-filosófico, das releituras clássicas, do retorno às raízes e outras avaliações mais acadêmicas. Incrivelmente o filme consegue ser elástico o suficiente para dar espaço para toda essa gama de interpretações, mas ao mesmo tempo fica a impressão de que justamente por isso nunca alcança a plenitude que justifique perfeitamente nenhuma delas.

Como não segue o padrão econômico e eficiente do norte-americano de fazer cinema (o qual o brasileiro segue quase á risca), a narrativa do filme parece muitas vezes "quebrada", com personagens aparecendo e desaparecendo do nada, motivações obscuras ou incoerentes e alguns exageros que precisam ser tomados como "licença poética" para que você possa efetivamente apreciar o filme sem se sentir ofendido: informações importantes que em filmes mais tradicionais seriam consideradas reviravoltas são, ao final, irrelevantes para o roteiro - como bem pontuou Roger Ebert, é apenas Almodóvar engrossando o caldo.

A maior parte do filme vai te manter no estado "onde diabos esse cara quer chegar" e conforme ele vai revelando suas cartas, vamos tentando entender que "tipo" de filme estamos vendo afinal de contas (para os que não leram críticas demasiadamente esclarecedoras na internet obviamente). Infelizmente o destino parece à primeira vista não tão interessante quanto a jornada, a não ser que nós façamos uma leitura de que aquela desorientação e o vazio que o fechamento anti-climático nos deixou devesse espelhar os sentimentos da protagonista. Essa interpretação eu deixo para os meus colegas mais acadêmicos, pois na crítica que escrevo, A pele que habito é apenas um filme intrigante que se perdeu rumo à linha de chegada.

P.S. - A nota dada pode parecer um pouco acima do que o texto faz parecer que o filme mereça. Almodóvar, mesmo quando não está em sua melhor forma (Tudo sobre minha mãe, Volver, Fale com ela etc.), mais do que vale o ingresso. Vide Abraços Partidos.

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Planeta dos Macacos: A origem

Ave Ceasar 


Direção: Rupert Wyatt 
Título original: Rise of the Planet of the Apes 
Duração: 105 min 
Idioma: Inglês 
Lançamento: Ago/2011 

A maior inovação para a cerimônia do Oscar de 2012 deve ser a nomeação de um chimpanzé para a categoria de melhor ator. Ceasar, o protagonista de Planeta dos Macacos: A Origem é um dos melhores personagens do ano e a prova cabal de que a tecnologia digital já atingiu estágio tal que permite transformar qualquer ideia em imagens - talvez por isso, finalmente as estórias que só faziam sucesso nos quadrinhos estão conseguindo o mesmo na sétima arte. 

A evolução de Ceasar é emocionante e vale certamente o ingresso do cinema, ainda que os 105 minutos de projeção do filme sejam muito menos do que a estória e o personagem mereçam. O tempo se esvai despercebido entre as acrobacias e o gênio estratégico-militar do "general". 

Ceasar foi criado de maneira tão realista que causa aquela estranheza natural ao vermos algo que foge dos nossos parâmetros esperados. No caso, o quanto de humanidade esperamos ver em um chimpanzé. Andy Serkis, o Gollum de O senhor dos Anéis e o King Kong do homônimo filme, confere tanta vida e emoção ao macaco que fica muito evidente que o resto dos atores, incluindo o simpático James Franco e a bela Freida Pinto, estão interpretando e seus personagens ficam parecendo mais caricaturas do que seres humanos. 

Infelizmente o tom moralista, os exageros, os dilemas preto-no-branco e a epidemia do "atingindo todos os públicos" que já conhecemos típicas do cinema norte-americano estão lá e limitam consideravelmente o potencial do filme:

- Personagens caricatos como o ganancioso diretor de empresa, o funcionário público corrupto, o cientista idealista e outros marcam presença; 
- Não há espaço para dúvidas, o roteiro escolhe um lado na briga natureza vs seres humanos e não permite que qualquer tom de cinza confunda o expectador;
- Assim como o recente Capitão América, é um filme asséptico em que a violência é velada e o sangue fica de fora (mesmo com gorilas gigantescos e rancorosos soltos pela cidade);

Contudo, ainda que seja praticamente um desenho da Disney dos anos 80 no formato, Planeta conta também com um diretor que soube contar a estória da melhor forma possível, uma resolução interessante e, não cansa lembrar, um surpreendente protagonista.

No mais, só para constar e informar, vale dizer que A origem explica como o mundo se transformou no planeta dominado por símios em que Charlton Heston caiu em 1968 e Mark Wahlberg em 2001, seja ele uma realidade alternativa ou o nosso próprio planeta em um futuro não muito distante.

Enfim, aparte os personagens humanos unidimensionais e o tom moralista ou moralizante do filme, Planeta dos Macacos: A origem é diversão garantida no cinema e altamente recomendado para qualquer tipo de expectador. 

Longa vida a Ceasar!