sábado, 3 de julho de 2010

Príncipe da Pérsia - As areias do tempo

Boa versão, mas não a melhor

Direção: Mike Newell
Título Original: Prince of Persia: The sands of time
Duração: 116 min
Idioma: Inglês
Lançamento: Jun/2010

Ao contrário do que costuma acontecer quando um jogo é levado para as telas, a história de Princípe da Pérsia ficou mais pobre na transposição. O príncipe do jogo é um personagem muito mais complexo que tem todo um caminho de redenção a percorrer e faz diversas escolhas equivocadas ao longo de sua jornada por motivos ora nobres, ora bastante egoístas. Fãs do jogo, como eu, vão certamente apreciar os cenários e as acrobacias, mas vão terminar a película com a sensação de que algo essencial ficou de fora.

Aparte a questão étnica, Jake Gyllenhaal não foi uma escolha acertada para o protagonista. O ator segura bem as pontas nas cenas em que precisa ser charmoso ou espertinho, mas nas outras em que uma cara mais "durão" é necessário, o seu olhar lânguido não impõe respeito suficiente. Gemma Arteton cumpre bem com sua função de brava mocinha, mas deixa um gosto de "requentado", porque lembra muito a Keira Knightley e sua Elizabeth em Piratas do Caribe (outra franquia Disney/Brukheimer).

Outra limitação do filme, que não chega a ser um erro, mas uma oportunidade perdida são as areias do tempo do subtítulo. Muito mal-exploradadas, as poucas cenas que fazem uso do recurso (que no jogo, por sua vez, é uma constante) não utilizam o potencial inerente do mecanismo, exceção feita a uma delas já perto do final.

As cenas de ação, no entanto, são muito bem feitas e as acrobacias, marca registrada da personagem, são executadas de forma o mais realista possível - com exceção às partes em que os efeitos especiais tomam conta, especialmente mais para o final, criando algumas situações forçadas que te jogam para fora da história e fazem você lembrar que é só um filme.

Os cenários, ainda que grande parte seja fruto de computação digital, consegue dar o tom de exotismo e fantasia que se espera de uma estória na Pérsia (aproximadamente o atual Irã) e o paralelo com a invasão do Iraque, apesar de um pouco forçada, funciona bem como contexto. A opção pelo sotaque britânico das personagens é no mínimo estranha - ainda que contribua (pelo menos para a audiência norte-americana) para aumentar o fator "exotismo" não faz muito sentido (o jogo funciona bem com o sotaque americano).

Fiquei um pouco decepcionado porque, diferente de quando você passa horas na frente do jogo, você não sai do cinema com vontade de correr por todas as paredes ou de pendurar-se nos postes que vê pela frente. Alguns vídeos de Parkour do Youtubeconseguem ser mais efetivos nesse quesito.

Ainda que tenha ficado abaixo das minhas expectativas, é um filme bem divertido e na maior parte da projeção dá para escapar momentaneamente para esse mundo. As areias do tempo, porém, vão certamente soterrá-lo no esquecimento não muito tempo após a saída do cinema.

2 comentários:

disse...

uma pena!! tava com vontade de ver antes de ler a crítica...

mas valeu pela metáfora do último parágrafo.... rsrs

Rodrigo Zago disse...

Não desiste de ver só por causa da crítica não.
O filme é bem divertido e tem algumas cenas bem legais.
É uma boa maneira de passar o tempo, principalmente quando você está com algum sobrando.
O problema é que ele poderia ser melhor, no mínimo, porque a "matéria-prima" (o game) é.
Vale ao menos pegar quando sair em DVD!
Abração!