sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Scott Pilgrim contra o mundo

Para nerds e gamelovers


Direção: Edgar Wright
Título Original: Scott Pilgrim vs the World
Duração: 112 min
Idioma: Inglês
Lançamento: Nov/10

Para compensar a longa hibernação do blog, começo a partir de hoje uma séria de microposts sobre os filmes vistos mais recentemente, com uma análise rápida e direta, começando por Scott Pilgrim vs the World.

Um filme rápido, videoclíptico, cheio de sacadas legais para contar uma história rasa e adolescente com a estética e a estrutura típica de video-games. Michael Cera faz o seu personagem de sempre, desde que apareceu para o mundo como o George Michael de Arrested Development e, como sempre, funciona a contento. Mesmo com algumas boas piadas ao longo da projeção, não há muita estória para te manter efetivamente ligado o tempo inteiro: vale assistir com o mesmo compromisso com que se assiste vídeos no Youtube. É um filme visualmente agradável sem entregar nada que vá além da sinopse: Scott Pilgrim encontra a garota dos seus sonhos, mas terá que enfrentar a Liga dos Ex-namorados Diabólicos (?!). Por fim, vale destacar que, além de Cera, algumas outras caras conhecidas circulam pelo filme, mesmo que para pontas (bem pontas mesmo) como : Anna Kendrick (a garotinha de Amor sem escalas), Chris Evans (o Tocha Humana), Jason Schwartzman (Bored to Death), Thomas Jane (Hung), Brandon Routh (o novo Superman), Kieran Culkin (irmão e quase sósia de Macaulay Culkin). Falta substância sim, mas para fãs de video-game com tempo sobrando, uma boa e divertida opção. 

Um parto de viagem

O quanto vale um ator


Direção: Todd Phillips
Título original: Due date
Duração: 95 min
Idioma: Inglês
Lançamento: Nov/2010

Um parto de viagem não é tão engraçado quanto o filme anterior do diretor Todd Phillips (Se beber não case), mas é certamente um bom substituto enquanto outras boas comédias não aparecem nesse carente mercado. O filme já valeria o ingresso apenas e tão somente pela capacidade de Downey Jr. de proferir as frases mais sérias e banais com um timing tão perfeito a ponto de deixá-las hilárias - fora sua habilidade de improviso que trasnparece em inesperadas reações ou comentários curtos que fazem você esquecer do roteiro forçado e ficar prestando atenção apenas no ator em si. Além de Downey Jr, temos ainda o ótimo Zach Galifianakis, que complementa com um pouco de afeminação o seu já conhecido maconheiro-psicopata (praticamente o mesmo personagem tanto em Se beber não case, quanto em Bored to death) e entrega a criatura mais insuportável - e engraçada - que já existiu. A química entre os dois funciona muito bem e é o que mantém o filme em pé em meio a um roteiro cansativo, com situações escalando a níveis completamente desnecessários e momentos dramáticos que não têm como funcionar no meio de tanto exagero. Um parto de viagem cumpre com seu papel de arrancar risadas da platéia perfeitamente, mas se o roteiro tivesse ajudado os atores, poderia ter sido um filme bem mais completo.

Cyrus


Um bom representante de um gênero muito específico


Direção: Jay & Markus Duplass
Título Original: Cyrus
Duração: 91 min
Idioma: Inglês
Lançamento: Nov/2010

Cyrus é um daqueles filmes simples, sem muita firula, focados em poucos personagens desajustados com relações não usuais, mas que no fundo, no fundo, são gente como a gente à sua própria maneira. E Cyrus ainda é protagonizado por um ator especialista nesse tipo de filme: John C. Reilly - aquele feio, mas competente, que todo mundo conhece, porém absolutamente ninguém se dá ao trabalho de guardar o nome.

A premissa do filme é simples: um loser (Reilly) encontra uma mulher que gosta dele mesmo sendo o loser que é (Marisa Tomei), mas ela tem uma relação bastante dependente e bizarra com o filho Cyrus (Jonah Hill, o gordinho de Superbad), assim como o próprio Reilly também tem uma relação de dependência exagerada com a ex-mulher (Catherine Keener - O virgem de 40 anos)

Além de diálogos não convencionais, mas convincentes, o que esse tipo de filme precisa para ter sucesso é de bons atores para ficar de pé e Cyrus conta com um conjunto bastante competente nesse último quesito. Os antagonistas Reilly e Hill estão sensacionais em seus papéis e Marisa Tomei e Catherine Keever também fazem um bom trabalho, ainda que seus personagens exijam menos delas.

Cyrus certamente não é nada memorável, mas pode ser uma opção interessante considerando sua duração adequada que dificilmente vai causar arrependimentos.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Tropa de elite 2

Intenso e catártico


Direção: José Padilha
Título original: Tropa de Elite 2
Duração: 116 min
Idioma: Português
Lançamento: Out/2010

O Coronel (antigo Capitão) Nascimento já foi capa de revista e praticamente todo e qualquer veículo de comunicação mencionou seu nome de uma maneira ou de outra. Tudo que me resta, ainda mais depois de tanto tempo após o pico da euforia, é validar a opinião da esmagadora maioria: o filme é realmente fantástico. Ainda mais inteligente que o primeiro, Tropa de Elite 2 é uma continuação que supera com folga, uma primeira empreitada que já tinha obtido muito sucesso. Mal e mal comparando, remete às duas partes de Kill Bill de Quentin Tarantino: indissociáveis, mas absolutamente diversas em sua essência. Enquanto a primeira parte (de ambos os filmes) exalava hormônios e abusava da ação e violência em uma trama honestamente direta, a segunda parte apela para sentimentos mais complexos, dá mais profundidade aos personagens e exige mais maturidade e reflexão de seus expectadores sem nunca deixar de ser entretenimento. Trama articulada, interpretações impecáveis de praticamente todo o elenco (falar de Wagner Moura é chover no molhado), alta qualidade das cenas de ação, diálogos realistas e emoções sinceras... Enfim, Tropa de Elite 2 é obrigatório para qualquer cinéfilo que se preze. Longe do escopo desse blog analisar os aspectos políticos, sociológicos e éticos do filme (ainda mais nessa nova fase de "microposts"), mas certamente o filme é uma experiência catártica que pode tanto suscitar quanto destroçar a esperança de qualquer brasileiro no futuro de seu país.

A lenda dos guardiões

Corujas são sérias demais


Direção: Zack Snyder
Título original: Legend of the Guardians: The owls of Ga'Hoole
Duração: 97 min
Idioma: Inglês
Lançamento: Out/2010

Em termos técnicos de animação, A Lenda dos Guardiões é nota 10: perfeccionismo nos detalhes, cenários embasbacantes e, certamente, efeitos 3D de ponta (assumo pelo tipo das cenas, mas vi em 2D mesmo). Em termos de roteiro, a base maior com a guerra entre os "Puros" e os "Guardiões" (ou do "bem" e do "mal") segue elementos narrativos clássicos que já comprovaram sua efetividade uma centena de vezes e seria muito difícil errar com ele.

O que torna o filme um "equívoco", mas não necessariamente um filme ruim são todas as outras escolhas estéticas e de direção de Zach Snyder. Ainda que elas dêem "personalidade" ao filme, sendo possível reconhecer muitos maneirismos do diretor nele, também fazem com que não consiga achar um público ou um gênero específico que queira atingir.

Para começar, a vontade de criar corujas o mais realistas possível fez com que, como no mundo real, fosse impossível individualizar cada uma delas.  Depois de uma hora e meia de filme, eu só conseguia saber quem era quem pelos diálogos e pelas vozes, mas não conseguia, por exemplo, identificar no meio de uma fileira de corujas quem era o irmão do protagonista. Também é difícil entender quais emoções os personagens estão expressando, já que a gama de feições de uma coruja de verdade é bastante limitada.

As tomadas em câmera lenta estilo 300 e a trilha sonora à God of War dão um tom épico exagerado que beira o paródico, o que provavelmente não era a intenção original do diretor. Parece que, ao invés de confiar no poder intrínseco do seu roteiro, fosse necessário validar com elementos externos a grandiosidade que cada uma das cenas deveria ter.

Além disso, o filme é sério demais para agradar o público infantil e ingênuo demais para agradar o público adulto. Há pouco humor no filme, e o que há é excessivamente "britânico" para agradar a maioria dos expectadores e há muita violência considerando-se que é uma animação com corujas que falam e então supostamente voltada ao público infantil.

Se esses elmentos já não fossem o bastante, em termos de construção de personagens, as emoções no filme são rotuladas e não sentidas. Você sabe que o irmão do protagonista não é confiável porque o roteiro quis que assim fosse e não porque as motivações dele foram evoluindo nesse sentido. Você sabe que a cobra é o "coração" do grupo principal porque assim foi anunciado por um dos personagens e não porque as ações dela tenham justificado o rótulo.

A lenda dos guardiões está muito longe de ser ruim como Sucker Punch, mas assim como nesse outro filme de Snyder, ele parece mais preocupado em impressionar com a última tecnologia da moda e com poses e rufar de tambores do que efetivamente contar uma estória.