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sexta-feira, 23 de abril de 2010

Alice no país das maravilhas

Dose suficiente de cogumelos



Direção: Tim Burton
Título Original: Alice in Wonderland
Duração: 108 min
Idioma: Inglês
Lançamento: Abr/10

Quando a notícia de que um filme sobre a Alice de Lewis Carroll seria filmado por Tim Burton, boa parte das pessoas que conheço confirmaram meu próprio sentimento: ele era o diretor perfeito para levar essa fábula surreal para a tela e, afinal, porque não tinham feito isso antes? Como ele também foi um dos primeiros a ser filmados em 3D na geração pós-Avatar, a espera pelo filme foi marcada por uma leve ansiedade e o tempo fez o seu trabalho de ir pouco a pouco aumentando as expectativas.

Alguns meses depois, tudo que ouvi dos pioneiros que foram ao cinema foi que o filme era muito menos do que eles esperavam... E isso foi o que salvou a experiência pra mim. Expectativas de volta onde deveriam estar, pude então deliciar-me com a leveza macabra do sorriso do Gato Risonho ou da bizarra graça gorducha dos irmãos Tweedle-Dee e Tweedle-Dum sem me preocupar se realmente o filme fazia jus ao que deveria ser ou qualquer coisa etérea nesse sentido.

Realmente o roteiro é muito mais raso que o material original e o maior tempo de tela que o Chapeleiro Louco ganha somente para Johnny Depp fazer suas caretas é injustificado. Apesar de várias bolas dentro como Jack Sparrow, Edward Mãos-de-teoura e outros, esse não é um para colocar na lista de acertos do ator. Ponto negativo também para Anne Hathaway que beira o ridículo com os trejeitos de sua Rainha Branca, a quem o roteiro esqueceu de dar significado e propósito.

Mas, de volta aos aspectos positivos, a cabeçuda Rainha Vermelha de Helena Bonham Carter traz o espetáculo de volta para a estória e certamente faz jus ao espírito da original. A protagonista Mia Wasikowska também está ótima como a determinada e independente Alice - ainda que uma garotinha nos seus nove ou dez anos teria sido muito melhor. E o final, ainda que mais apressado (e forçado) do que o que eu acredito pertinente, foi bastante satisfatório em termos "ideológicos".

Não chegou a alcançar as expectativas de todos, mas foi uma viagem visual bastante satisfatória.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

Sweeney Todd - O barbeiro demoníaco da rua Fleet

Sombria cantoria


Direção: Tim Burton

Título original: Sweeney Todd - The demon barber of Fleet street

Duração: 116 min
Idioma: Inglês
Lançamento: Fev/2008

Sombria e amedrontadora, a tomada aérea inicial de uma enevoada Londres de tempos idos já proporciona a ambientação morbidamente perfeita esperada de um filme de Tim Burton. A câmera desce para um antigo navio, foca em um personagem e então... a cantoria começa! E, infelizmente, não pára mais. Sem deixar espaço para muitas falas, as intermináveis e encadeadas canções acabam eclipsando todas as outras qualidades do filme. Johnny Depp, Helena Bonham Carter e todos os outros atores não desafinam e parecem divertir-se em seus personagens exageradamente bizarros ou cruéis, mas a história, que está longe de ser ruim, perde muito ao ser cantada ao invés de simplesmente "dialogada". Muito sangue jorra da cadeira do demoníaco barbeiro da rua Fleet, e o roteiro proporciona alguns bom momentos de tensão e suspense em uma trama propositalmente clássica que segue os padrões pré-estabelecidos das tragédias, mas se Sweeney Todd tem o DNA Tim Burton no visual, no áudio é o de um musical sem grandes atrativos. A não ser que você seja um grande fã do estilo do diretor, pode deixar Sweeney Todd passar direto.