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sexta-feira, 12 de agosto de 2016

A Entidade 2

Como piorar o que já era ruim

Direção: Ciarán Foy
Título Original: Sinister 2
Duração: 97 min
Idioma: Inglês
Lançamento: Set/2015


A Entidade (2012) contava com méritos técnicos, em especial a qualidade da atuação, que nos permitiam perdoar os inúmeros pecados cometidos pela direção e pelo roteiro. Sua sequência, no entanto, não só carece de elementos redentores, como também potencializa os vícios e delitos do original. E com a mecânica do horror já estabelecida (crianças são cooptadas por uma entidade sobrenatural a assassinar suas famílias e documentar o ato em filmes), a atmosfera de mistério e suspense se dissipa e restam apenas sustos baratos e crueldade sem propósito. 

O roteiro de A Entidade 2 é uma tíbia carcaça conectando despropositadas, ruidosas e súbitas aparições do "bicho-papão" com os violentos, mas em última instância inócuos, vídeos caseiros. A estratégia é fazer com que o espectador instintivamente pule da cadeira com a repentina elevação do volume da trilha sonora ou que se contorça com as atrocidades perpetradas nas películas. Nenhuma das táticas é efetiva.

O apelo dos vídeos no filme anterior, por exemplo, calcava-se não só no contraste da violência com o idílico familiar, mas também na inocente banalidade das armas utilizadas: aparadores de grama, facas de cozinha, cordas etc. Nessa nova iteração, a crueldade parece ter saído do Manual de Horrores do Capitão Planeta: água, eletricidade, gelo, fogo e animais são os protagonistas de elaboradas máquinas da morte de causar inveja à Inquisição Espanhola. Os facínoras infantis necessitariam não só de muito planejamento como, em alguns casos, de força bruta adulta para a execução e a verossimilhança então manda lembranças. Além disso, não há impacto emocional já que as vítimas não têm fala, nome e, pela qualidade dos filmes ou por estarem encapuzadas, sequer têm rosto. Violência estilizada e desprovida de sentido.

Já os sustos, que são em grande parte protagonizados por Bughull, a "entidade" do título, são apenas isso, sustos. Não há tensão. O monstro nunca causa mal algum aos protagonistas ou parece ser uma ameaça efetiva. Ele é o bicho-papão na acepção mais infantil da palavra: aparece de algum canto escuro apenas para fazer "BÚ". O "monstro" poderia, contudo, ter sido trabalhado como uma metáfora para a disfuncionalidade das famílias ou para abuso infantil e, à maneira do primeiro filme, poderia ser retratado como uma espécie de stalker ou voyeur, sempre a observar da escuridão, um predador na iminência de saltar sobre suas presas. 

Essa linha de pensamento não fugiria à proposta do filme. O fiapo de trama da família protagonista envolve violência doméstica. Essa história, no entanto, não é direta ou indiretamente associada a de Bughull ou a dos vídeos caseiros. Não há indícios de que as outras famílias nos vídeos também tivessem problemas ou sofressem com os mesmos dramas. Outras possibilidades de simbolismo, mesmo os mais óbvios, são descartadas: o uso do porão para representar o subconsciente do menino se perde quando a direção evidencia que a ação se passa literalmente no porão sem deixar margem para ambiguidade. 

Os problemas narrativos, contudo, não estão restritos às esferas conceituais e temáticas. Os diálogos são truncados, sem criatividade e muitas vezes constrangedores. As personagens, sem exceção, são clichês e esterótipos com uma única dimensão. O pai das crianças, o pior exemplo da ausência de nuances, é, por si só e mesmo com pouco tempo de tela, motivo suficiente para desqualificar a produção. Porém, a pior decisão de roteiro foi transformar uma personagem que só poderia ser (mal) escalada como alívio cômico (e era esse seu papel no primeiro filme) em protagonista. 

A Entidade 2 é, enfim, um filme B. Leva-se a sério, mas é involuntariamente risível. Tem um roteiro infantilizado, mas com orçamento de gente grande, e só por isso consegue ter um mínimo valor. Recomendado apenas para os fãs do gênero que, como eu, acabam vendo por falta de opções. A maior parte dos filmes de terror, afinal, consegue ser ainda pior.

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

007 contra Spectre

 De segunda mão e ultrapassado

Direção: Sam Mendes
Título Original: Spectre
Duração: 148 min
Idioma: Inglês
Lançamento: Nov/2015


As luzes se apagam. Na tela, uma tomada aérea da Cidade do México em pleno dia dos mortos. A câmera encontra o protagonista esgueirando-se por uma multidão de foliões e começa a segui-lo em um plano-sequência sem cortes aparentes que culmina na primeira, e insuspeitadamente a melhor, cena de ação do filme. Uma sequência competente, bem coreografada, ainda que flerte abertamente com a inverossimilhança (uma premissa, no entanto, em filmes da franquia). O espião mais elegante do mundo sai vitorioso, como era de se esperar, e os créditos iniciais invadem a tela acompanhados pelos irritantes falsetes de Sam Smith para a música-tema  Writing in the wallSegue-se mau gosto e breguice ímpares (a primeira tomada, por exemplo, mostra Daniel Craig sem camisa indiferente a duas mulheres  que lascivamente o acariciam em meio a chamas). Os primeiros minutos de filme até pareceram auspiciosos, mas a partir dessa abertura kitsch 007 contra Spectre entra em uma máquina do tempo para revisitar equivocadamente a história da série.

A era Craig até teve um ótimo início com Cassino Royale, uma abordagem renovada e suficientemente original para um gênero exausto, um filme com personagens memoráveis como o sinistro Le Chiffre, o vilão interpretado pelo talentoso e não menos intrigante Mads Mikkelsen (Hannibal), ou como a Bond Girl sensual e enigmática vivida por Eva Green. Depois passou pelo impenetrável e confuso Quantum of Solace, um filme do qual poucas pessoas sabem dizer de memória qual era a trama. Enfim, Sam Mendes assumiu a direção em Skyfall e aprofundou minimamente um protagonista que sempre foi mais um artifício da trama do que uma personagem propriamente dita. Mendes ficou para (supostamente) fechar a passagem de Craig com um filme ambicioso, mas que só consegue repetir todos os clichês mais antiquados do gênero e reciclar cenas e ideias dos filmes anteriores.

Bond vai para cama com as mulheres depois de passar dois minutos com elas e jura amor eterno depois de longuíssimos dois dias juntos. Em uma cena "inédita", Bond é torturado em frente ao vilão, enquanto cospe ameaças que logo se pagarão. E como remexer no passado do herói foi elogiado pela crítica em Skyfall, por que não inventar laços familiares complicados que nunca foram mencionados em mais de cinquenta anos de filmografia? Tudo em Spectre parece reciclado, reutilizado, repaginado. Poder-se-ia falar em "homenagem" a momentos e períodos célebres da série, mas o resultado soa menos como tributo e reverência e mais como pura falta de criatividade e coragem.

Talvez a mais incômoda característica de Spectre seja que o filme pretende ser um fechamento que interlace e conclua todos os anteriores, mas executa esse plano da maneira mais preguiçosa possível. Mendes quer tentar nos convencer de que tudo foi arquitetado para construir a apoteose de Spectre, mas, sem qualquer menção em filmes anteriores, a única ligação é que todos os vilões dos filmes anteriores trabalhavam para o vilão de Spectre. Talvez se o vilão ou o interesse romântico do novo filme tivessem dado as caras, mesmo que apenas como referências, nos episódios anteriores, ou se houvesse uma ligação real entre as personagens e não uma criada em poucos minutos de tela, talvez o filme tivesse atingido parcialmente o impacto esperado.

Essa falta de vigor narrativo impacta também as atuações. Craig, burocrático, parece estar apenas simulando suas próprias interpretações prévias e não encarnando efetivamente o personagem. Ainda que, em favor do ator, ele faz o que pode com o que lhe reservaram: piadinhas requentadas, cantadas baratas, cenas de ação sem qualquer tensão ou inovação. Ao sempre excelente Christoph Waltz é relegado um vilão cartunesco que parece mais adequado ao paródico Austin Powers ou a um período mais ingênuo da franquia 007. A própria organização criminosa Spectre estaria mais à vontade em um filme dos Vingadores do que em um que se presta a uma vertente mais realística.

Nunca fui fã de James Bond e confesso que só comecei a dar uma chance aos filmes da série no período atual seduzido pela crítica que o classificava como "cerebral", uma visão pós-modernista do personagem, uma revisão da masculinidade e outras subjetividades do tipo. Spectre foge desses progressismos e tenta reintroduzir conceitos ultrapassados e não mais adequados para uma nova audiência. Contudo, para quem não estava satisfeito com o rumo atual da franquia (e provavelmente também não esteja satisfeito com o rumo atual do mundo em geral), ou para quem estava com saudades de tempos mais ingênuos, simplórios e formulaicos, tempos de respostas fáceis e de matizes bem definidas, enfim, para essa audiência, é bem possível que Spectre agrade em cheio.

segunda-feira, 27 de julho de 2015

Wayward Pines

Shyamal... Quem?

Temporadas: 1
Episódios: 10
Situação: Concluída
Emissora: Fox
Showrunner: Chad Hodge (M. Night Shyamalan como produtor-executivo)

Imagine um giroflex com sua intensa luz vermelha girando na escuridão acompanhada de uma insistente sirene zunindo irritantemente e impedindo que você consiga pensar em qualquer outra coisa. Com essa imagem quero deixar dois alertas para você: passe longe de Wayward Pines e, caso vá ignorar o primeiro aviso, saiba que os próximos parágrafos vão estar repletos de spoilers.

Vendida como "Twin Peaks encontra Lost" e ostentando a "grife" M. Night Shyamalan (Sexto Sentido e... Outros filmes ruins), Wayward Pines deveria pagar penitência (Shame! Shame!) por sequer ousar comparar-se a esses marcos da televisão norte-americana. Há muito pouco da atmosfera fantástica e bizarramente familiar do show de David Lynch e menos ainda da estrutura narrativa inovadora ou da construção eficiente de mistérios da série de J.J. Abrams e Damon Lindelof.

Wayward Pines é amaldiçoado por diversos problemas, mas a escalação de Matt Dillon como protagonista, um ator que consegue declamar a frase "Você quase matou meu filho!" com a mesma entonação que ele diria "Adoro sorvete de pistache", talvez seja o mais evidente. Seu discurso é monotônico e carregado de uma empostação ridícula e seu rosto alcança no máximo umas duas ou três variações de expressões, sendo que o ator sempre escolhe a menos adequada para cada momento. Outros programas conseguiram se safar tendo canastrões como protagonistas (Prison Break vem logo à mente), mas só conseguiam faze-lo por conta de um roteiro bem estruturado.

A trama de Wayward Pines nasce de uma premissa interessante e com algum potencial, mas que é mal utilizada, focando nos ângulos incorretos e apressada por uma necessidade inexplicável de construir "viradas" a cada quadro (Shame! Shame! Shyamalan...). A construção dos principais dramas pessoais é rasteira e clichê, as resoluções dos conflitos são desencontradas e anti-climáticas, os acontecimentos mais expressivos não tem consequências à altura, pois o enredo quer partir imediata e rapidamente para a próximo momento "A-há!".

O programa, que visivelmente estrutura-se para ser um mistério, consegue abusar constantemente do pior inimigo do gênero: a exposição. Tudo é explicado da maneira mais literal possível. Não há espaço para ambiguidade e para que os expectadores confabulem acerca de suas próprias teorias. Uma decisão de direção tão errada que, a maior revelação chega na primeira metade de episódios, sem deixar qualquer espaço para dúvidas e simplesmente torna irrelevante tudo o que vem depois dela.

A enfermeira Pam, interpretada pela veterana, Melissa Leo, é a personificação dessa bola de neve expositiva que desce das montanhas geladas de Wayward Pines para atropelar o espectador desavisado. Assim que conhecemos Pam, ela mostra-se um mix de sadismo e reticente loucura que rouba todas as cenas (ainda que, dividindo a tela com Dillon, isso seja o equivalente ao proverbial roubar doce de crianças). A partir da revelação principal, ela vai veloz e inexplicavelmente tornando-se uma personagem amorfa e insossa até que (pobre Melissa) termina espremida dentro de um ridículo colante prateado tentando dar dramaticidade a uma cena que já está longe de qualquer salvação. 

Ao invés de trabalhar as questões existenciais e sociológicas que o seu cenário engendraria, Chad Hodge, o showrunner, prefere focar seus esforços na ação, em dramalhões rasos e mal construído, em proto-romances desnecessários e numa discussão sobre o autoritarismo conduzida sem qualquer sutileza. Nas mãos de bons diretores e roteiristas, a premissa de Wayward Pines poderia render muito mais mistério, tensão e arrebatamento.

Inclusive não é preciso forçar a imaginação para constatar o que a série poderia ter sido, pois os primeiros episódios apresentavam alguns bons indícios da direção correta. Neles, você tinha a participação de ótimos atores e atrizes que realmente captaram o espírito - Terrence Howard (Homem de Ferro, Crash) que fez um xerife maníaco e simpaticamente aterrorizante e Juliette Lewis (Assassinos por Natureza) que fez, bem, mais uma versão de Juliette Lewis, ou seja, alguém de quem você nunca sabe onde acaba a dissimulação e começa a loucura, são ótimos, porém não os únicos exemplos. Nos poucos episódios em que eles aparecem, o enredo foca em construir narrativas possíveis, expandir cenários, criar atmosfera e não muito depois que eles deixam o elenco, a história entra numa espiral auto-destrutiva sem muitas explicações.

Como M. Night Shyamalan ainda consegue financiamento para os seus projetos depois de anos de fracassos é o mistério mais intrigante que você vai encontrar em Wayward Pines. Diferente de todos os outros que são explicados em detalhes não solicitados, esse ainda vai ficar em aberto. Suspeito que não seja a última vez que ouvimos o nome que ninguém sabe pronunciar, mas espero que nenhum executivo da Fox aprove uma segunda temporada para essa série (Shyamalan já deu entrevistas falando que têm "boas ideias" para uma continuação). Eu já cumpri mais do que meu dever ao me arrastar até o final dessa primeira empreitada e não contem comigo para fazer o mesmo num possível retorno dessa bagunça. Vai ter quem goste, com certeza, mas como dizem por aí, opinião é como... bicicleta e cada um tem a sua.

quarta-feira, 17 de junho de 2015

Thirty Flights of Loving

Metacriminosos


Desenvolvedor: Blendo Games
Plataforma: Windows, OS X
Gênero: Adventure
Itens de série: narrativa não-linear e totalmente visual
Defeitos de fábrica: jogabilidade nula, custo x benefício negativo, enredo desinteressante.

Às vezes parece que há uma conspiração da crítica em direção a um determinado ponto de vista que é absolutamente intrigante. Thirty Flights of Loving é um exemplo dramático desses casos. Com uma pontuação no Metacritic de 88 da crítica especializada contra 49 dos usuários, é difícil não se posicionar contra os "especialistas" depois de "jogar" os 15 minutos de duração desse "jogo".

TFoL não poderia ser nem ao  menos considerado um jogo pois não há regras ou objetivos claros e não há muita agência do jogador a não ser movimentar o protagonista de um lado para o outro. Como narrativa interativa também não emociona muito, pois é uma história sobre três amigos criminosos, que termina como várias outras que você já acompanhou em outras mídias.

Há algumas boas ideias espalhadas em termos de construção de narrativa como eliminar completamente a HUD (a interface com o jogador) e os diálogos e ainda assim conseguir contar a sua história. Além disso, as passagens de cenas rápidas e cortadas surpreendem e dão agilidade à narração. No entanto, muito se elogiou sobre o estilo da arte e fora as cabeças quadradas das personagens, não percebi nada de realmente revolucionário ou minimamente diferenciado.

Creio ter demorado mais para escrever os parágrafos acima do que para jogar Thirty Flights of Loving  e, apesar de não ser meu principal problema com o título, ele custa na Steam impressionantes R$10,49 (comprei em alguma das milhares de promoções que eles fazem por 75% do preço, mas ainda assim é um absurdo). TFoL deveria, no máximo, estar no portfólio do estúdio como exemplo de suas habilidades narrativas. Cobrar por essa "experiência" parece-me quase tão desonesto e criminoso quanto os golpes que o trio protagonista de TFoL cometem.

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Ted

Um urso, uma piada



Direção: Seth MacFarlane
Título original: Ted

Duração: 106 min

Idioma: Inglês

Lançamento: Set/2012

O garoto Johnny faz um desejo na noite de Natal para que seu urso de pelúcia vire seu amigo de verdade. Seu desejo é atendido. Nada diferente de uma sessão da tarde qualquer. Porém os dois protagonistas da estória crescem e o diretor-roteirista-dublador Seth MacFarlane explora  as possibilidades bizarras da situação em esquetes alinhavadas por um fiapo de roteiro arrogantemente preguiçoso.

É bem verdade que Ted tem alguns momentos no mínimo interessantes (estamos falando afinal de um produto do criador de Family guy e American dad!), mas no cômputo geral ele é uma longa e única piada de pouco mais de 100 minutos de duração. 

Inicia cena. Ted fala palavrão, Ted usa alguma droga, Ted pega um gancho para sacanear alguma celebridade, Ted faz piada com referência pop qualquer,  Ted ofende alguma minoria e Ted faz qualquer outra coisa que seria bizarro ver um urso de pelúcia fazendo. Fim da cena. Inicia nova cena. Ted fala palavrão, Ted usa alguma droga... Repita por 110 minutos.

Claro que isso seria simplificar demais a estrutura do filme, mas não está muito longe da realidade. Talvez o maior problema não esteja em Ted em si, mas no fato dos outros protagonistas da estória serem totalmente marginalizados: os personagens de Mark Wahlberg e de Mila Kunis não ganham praticamente nenhum traço característico que permita que eles sejam também veículos para piadas. Praticamente todos os momentos engraçados e todas as falas mais elaboradas ficam nas mãos peludas de Ted.

Manter o roteiro em um caminho seguro e tradicional também não ajuda o filme. Com a premissa que tinha, Ted poderia ir até os limites do absurdo. Se beber não case e Um parto de viagem vão muito mais longe com muito menos. O que há de estória para conectar as esquetes isoladas segue uma estrutura básica de amadurecimento forçado pelo amor (romance tradicional sem qualquer "releitura") e ainda aposta em alguns vilões estilo Esqueceram de mim para garantir algumas cenas genéricas de perseguição (também sem qualquer twist na fórmula). 

Para os fãs de Family Guy, uma ou outra referência que aparece rapidamente pode não fazer rir, mas no mínimo deixa um sorriso orgulhoso pela reverência. Desde às referências diretas e semi-metalinguisticas (a comparação da voz de Ted e de Peter Griffin) até às mais indiretas (a participação especial de Ryan Reynolds).

Enfim, com certeza algumas boas risadas isoladas estão garantidas, mas o ranço narcisístico que MacFarlane imprime no filme, extremamente confiante de que tem a fórmula do sucesso cômico nas mãos e de que com gags e incoerências faz-se não somente uma animação de 20 minutos, mas também um filme, torna o que poderia ser a comédia do ano em um produto totalmente desnecessário e que rapidamente será esquecido.

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Procura-se um amigo para o fim do mundo

Hipsters infelizes e solitários


Direção: Lorene Scafaria
Título original: Seeking a friend for the end of the world
Duração: 101 min
Idioma: Inglês
Lançamento: Ago/2012

Não pretendo entrar na questão de porque ultimamente há tantos filmes, séries e livros sobre o fim do mundo (ou sobre o que acontece depois dele). Não me interessa se a causa é uma profecia maia, recessão econômica, o pós-existencialismo moderno na condição substrata do ser ou qualquer baboseira do tipo. O que interessa é que meteoros, epidemias, zumbis e até mesmo deuses sedentos por sangue (pescou a referência?) estão soltos por aí para acabar com a humanidade.

A grande maioria dessas obras foca no evento ou mecanismo em si, nas consequências dele, no que é necessário fazer para continuar sobrevivendo ou como aproveitar melhor os últimos momentos. Poucos se preocupam com as pessoas em si e em desenvolver seus personagens. Esse segundo grupo concentra o que há de melhor no gênero (vide The Walking Dead), mas só quando as pessoas que aparecem nele minimamente se parecem com pessoas que você conheça e é aí que começa o problema do filme dessa crítica.

Procura-se um amigo para o fim do mundo é um sub-sub-gênero raríssimo, uma comédia romântica em um filme sobre o fim do mundo com estrutura de road movie, mescla romance e fofurices em geral com alguns momentos comédia e outros de depressão profunda. A intenção já de partida e na própria estrutura e natureza do filme é não seguir pelo caminho óbvio e nesse sentido o filme ganha alguns tapinhas nas costas. Essa é a armadilha: tudo que ele quer é esse tapinha nas costas e a sua aprovação.

Keira Knightley interpreta o "tipo" de mocinha dos sonhos da hora, que se veste como se tivesse pegado algo de dentro do cesto de roupas sujas, é meio amalucada e meio neurótica, mas ultra-fofa (você já viu Natalie Portman, Kirsten Dunst, Zooey Deschanel e muitos outras atrizes icônicas desse tipo de papel, inclusive a própria Keira) e Steve Carell interpreta mais uma vez um personagem depressivo (para mostrar que nem só de comédia vive um comediante), mas sem a profundidade do Frank de Pequena Miss Sunshine.

Consigo acreditar que algumas pessoas teriam e tenham reações ilógicas à proximidade do fim de suas vidas, mas o filme só nos apresenta esse tipo de pessoa. Quando estamos falando dos personagens que aparecem ao longo do caminho, tudo bem, porque eles estão ali por um momento e vão ser mesmo por definição unidimensionais. No entanto, quando a âncora do filme, ou seja, seus protagonistas também seguem essa linha, fica difícil levar a sério qualquer parte dele (e o filme visivelmente se leva a sério).

Procura-se um amigo para o fim do mundo é o típico produto da tribo hipster: quer desesperadamente que você acredite que ele é cool simplesmente porque é indiferente, é minimalista, é nostálgico, é intimista e nada contra a corrente. Está tão preocupado com sua opinião sobre o que ele quer ser do que em ser alguma coisa efetivamente. Há alguns anos eu talvez tivesse achado esse filme sensacional, mas hoje ele não é um filme diferente, só quer que você acredite que ele seja.


P.S. - Talvez eu tenha sido muito influenciado nessa crítica por ter descoberto o blog Unhappy Hipsters que ambiguamente materializa e perpetua uma tendência que não é de agora (restrito à arquitetura), mas que está se tornando incômoda. Há poucos dias, talvez o filme tivesse levado um três ou até mesmo, em um momento de bem com a vida, um quatro, mas agora que a escotilha foi aberta, não há mais como ser fechada.

sexta-feira, 24 de junho de 2011

A casa


Trapaça desleal

Direção: Gustavo Hernández
Título Original: La casa muda
Duração: 86 min
Idioma: Espanhol
Lançamento: Jun/2011

Baixo orçamento, apenas um cenário, pouquíssimos atores para contar em tempo real uma história baseada em fatos reais - essa é a proposta do filme uruguaio La casa muda que estreou há pouco tempo no Brasil. Em um aparente único longo plano (sem cortes ou edição) de quase uma hora e meia o filme acompanha a experiência de um pai e uma filha que são contratados para fazer a reforma de uma casa.

Como exercício cinematográfico, o filme até tem alguns pontos positivos como o uso criativo da luminosidade, mostrando apenas o que a protagonista consegue alcançar com a sua lanterna e criando uma ambientação correta, ou os enquadramentos bem escolhidos como, por exemplo, quando a câmera se afasta e limita a visão com uma porta impedindo que o expectador veja o que está acontecendo atrás das paredes laterais.

Porém, além dos equivocados efeitos sonoros que antecipam por poucos segundos e matam o efeito dos "sustos" ou elementos surpresas do roteiro, o filme trapaceia vergonhosamente na sua proposta de colocar o expectador como testemunha ocular dos eventos através dos efeitos de câmera e do plano único e dribla as regras acordadas inicialmente para poder fazer uma reviravolta desnecessária nos momentos finais.

A jornada tem até seus momentos, mas a trapaça no final é tão descarada e ilógica que é impossível não desprezar o filme depois de revelada.

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Sobrenatural

Os erros superam os acertos

Direção: James Wan
Título original: Insidious
Duração: 103 min
Idioma: Inglês
Lançamento: Abr/2011

Porque é tão difícil conseguir bons filmes de terror hoje em dia? Esgotaram-se as boas idéias? O gosto do público se alterou e com eles os filmes?

Sobrenatural até começa bem e garante pelo menos uns quarenta minutos tensos, com velhas idéias conhecidas, mas ambientação bem executada e uma pitada de novidade sobre um artifício batido para arrematar. Fugimos um pouco do conceito puro e simples da casa assombrada para algo similar, mas que traz algumas possibilidades novas. As cenas são bem executadas, bom uso dos sons, de câmeras, sombras e luz e conforme a tensão vai aumentando.

E então, quando tudo parecia caminhar para um "fantástico", chegamos à meia hora final e o filme descamba para uma comédia tosca, mesmo que essa não tenha sido a intenção dos diretores. Ainda enquanto o filme navegava por águas sombrias e o demônio ou algo similar escondia-se nas sombras do teto (muito boa a idéia), foram introduzidos elementos cômicos totalmente desnecessários e que eram apenas o prenúncio para as vergonhosas cenas que viriam depois.

Sei que pode parecer loucura, mas vale a pena assistir até aproximadamente cinquenta minutos do filme, desligar e inventar o seu próprio desfecho - o que não vale é de maneira alguma aguentar a parada de clichês e figurinos ridículos do terço final dessa palhaçada. 

Espero que Rose Byrne (Damages) e Patrick Wilson (Watchmen, Pecados Íntimos) tenham trocado de agente depois de terem acabado com essa pequena bomba no currículo.

sexta-feira, 25 de março de 2011

Sucker Punch - Mundo Surreal

Surrealmente Vazio

Direção: Zack Snyder
Título Original: Sucker Punch
Duração: 110 min
Idioma: Inglês
Lançamento: Mar/11

Qual é a graça de um videogame se você não pode interagir com ele e efetivamente "jogá-lo"? Essa é a pergunta que não quer calar durante toda a projeção de Sucker Punch - Mundo Surreal. Apesar da qualidade gráfica do filme estar acima da capacidade que os melhores consoles podem atualmente alcançar, é impossível não compará-lo às elaboradas "cut-scenes" dos jogos mais recentes, ainda que a comparação, na verdade, seja um demérito para jogos como Metal Gear Solid, Grand Theft Auto ou God of War que possuem roteiros muito mais sofisticados que os do filme de Snyder. 

Estágios com começo e fim bem delineados, objetivos específicos (pegue a chave, pegue o mapa, pegue o isqueiro etc.) e os gêneros mais clichês de games: a decrépita e sombria instituição mental, o bordel abjeto, nazistas demoníacos, o futuro tomado por máquinas, os samurais gigantescos, enfim... falta de imaginação somada a um festival de explosões e fantasias fetichistas que tentam esconder os buracos de um roteiro vazio e,  pior ainda, misógino.

Mulheres em constante ameaça, eminentes vítimas de estupro, violência ou assassinato - objetificação pura e simples disfarçada com alguma mensagem final feminista e moralista que não compensa todos os minutos de poses, caras, bocas e degradação feminina que mal funcionam em um videoclipe de banda adolescente (ruim), quem dirá num longametragem.

Vinte minutos são mais do que suficientes para você descobrir que Sucker Punch não vai dar em nada, mas como as imagens até que são "cool" e a trilha sonora é legal, de repente vale ver descompromissados cinco a dez minutos a cada dia - o que equivale a cada uma das "fases" e é o limite de tempo para o tédio chegar ou sua paciência acabar.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Poesia


Sensibilidade para poucos

Direção: Chang-Dong Lee
Título original: Shi
Duração: 139 min
Idioma: Coreano
Lançamento: Fev/2011

Mais de trinta anos pesando na cabeça e algumas centenas de filmes no portfólio e ainda assim ainda não aprendi uma das regras básicas para a seleção do que ver: se os críticos são unânimes nos elogios rasgados, mas ningúem está falando no filme, é porque ele é um daqueles do qual ninguém gosta, mas se você falar mal é porque não entende nada de cinema.

A maioria dos filmes iranianos, mongóis, vietnamitas ou quaisquer outros em que o exotismo da origem tem mais valor que o filme em si cai nessa categoria: são insuportáveis, mas você só tem direito ao seu óculos de aro grosso, sua calça xadrez e um tíquete para o festival de cinema do Rio, se você disser que ele é sublime e de uma sensibilidade ímpar.

O Bonequinho pode ter até ter aplaudido de pé, o Omelete ter lançado quatro ovos e a maioria das mais respeitadas publicações norte-americanas e européias ter se jogado no chão de amores por ele, mas a verdade é que Poesia é desnecessariamente longo e absolutamente sem-graça. Ele é um daqueles filmes que você assiste e fica se sentindo um idiota por estar olhando por mais de cinco minutos para as folhas de uma árvore balançando com o vento e imaginando se não poderia estar fazendo algo melhor com a sua vida (mesmo que seja ir apreciar folhas de verdade balançando com o vento).

Não ajuda muito também a maneira blasé com que elementos como estupro, corrupção, assédio sexual, mal de Alzheimer e outras drogas pesadas que geram obras inteiras por si entram e saem do contexto sem muito alarde, enquanto o filme foca no aprendizado poético de Mija, a protagonista. Poesia parece gritar para você a todo momento a sua superioridade ao estar mais interessado nas sutis metáforas embutidas em cada uma das microscópicas ações de Mija ou nas suas enigmáticas interações com os diversos personagens masculinos do que com os traumáticos e relevantes eventos em si.

Enfim... Ler as resenhas sobre o filme e ver até onde as pessoas conseguem tirar significados ocultos em cada um dos intermináveis e soníferos planos de Poesia é muito mais divertido do que efetivamente assistir o filme.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Amor e outras drogas

Droga de filme


Direção: Edward Zwick
Título Original: Love and other drugs
Duração: 113 min
Idioma: Inglês
Lançamento: Nov/10

O começo de Amor e outras drogas é ruim de fazer sair do cinema ou, no meu caso, de desligar a TV. Mesmo quando, dias depois, permiti que ele seguisse na tela como "som ambiente" enquanto resolvia outras coisas na sala, volta e meia eu era lembrado do porque tinha desistido da primeira vez. A macarena pirotécnica na apresentação das drogas da Pfizer é constrangedora, a cópia barata e sem graça de Jack Black que interpreta o irmão do protagonista é ridícula, o efeito cômico desejado dos exageros e dos constrangimentos não possuem atores à altura para levá-los a cabo ou simplesmente fazem humor com assuntos que não têm graça.

Jake Gyllenhaal é o vendedor ambicioso e mulherengo e Anne Hathaway, a autêntica e indepente artista/garçonete que sofre com o estágio inicial de Parkinson. O casal consegue demonstrar química, especialmente nas inúmeras cenas em que contracenam nus (haja concentração no texto) e o relacionamento quase chega a fazer sentido e despertar alguma emoção. Porém, tudo é hiperlativo, as atuações são exageradas, os diálogos não são naturais e não há química entre atores que resista a inexistência de personagens de verdade se relacionando. E certamente não é culpa dos dois, já que, em um estilo completamente diverso, eles tornaram crível o relacionamento disfuncional e desprovido de amor de seus personagens em Brokeback Mountain.

Isso tudo sem nem discutir a suposta crítica sobre a indústria farmacêutica - o filme atipicamente usa os nomes e marcas verdadeiros das companhias que cita e, apesar de mostrar um mundo assepticamente inescrupuloso, as drogas funcionam e são um sucesso (pode passar na farmácia mais próxima depois do filme). E tem ainda a evolução da doença de Hathaway, que, para simbolizar bem o clima "fake plastic trees" do filme nunca chega a realmente a de forma   visual apresentar o drama que supostamente deveria ser.

Existe salvação para as comédias românticas ainda?

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Enrolados

Novas velhas ideologias

Direção: Nathan Greno e Byron Howard
Título original: Tangled
Duração: 100 min
Idioma: Inglês
Lançamento: Jan/2011


Enrolados vem empacotado naquela inocência característica dos desenhos antigos da Disney que parece extremamente datada hoje em dia. Incomoda a pretensão com que tenta-se vender uma imagem moderna maquiando idéias velhas com animação digital de alta qualidade. Li uma crítica positiva louvando a independência da heroína e classificando-a como uma nova princesa para uma nova geração ou coisa do tipo, mas o que vi no filme foi uma garota falando em ser independente, acertando homens com frigideiras (sim, instrumento clássico da opressão masculina e blá blá blá sociológico) e, no final, agindo da maneira mais convencional e retrógrada possível.


Depois de muito discurso feminista, Rapunzel (ah, os clássicos...) declara que o grande (e aparentemente único) motivo para ela querer livrar-se da clausura imposta pela suposta mãe é poder viver feliz para sempre com o seu "princípe". Nisso toda a ladainha sobre conhecer o mundo e "começar a viver" já foi riacho abaixo e desapareceu em meio à floresta encantada junto com o camaleãozinho de estimação idêntico a todos os outros animais antropomorfizados que costumam acompanhar as princesas da Disney. Não vale nem a pena comentar que o príncipe é um ladrão sem um pingo de honra que logo na cena inicial trai seus companheiros de trabalho e que vai "mudar" pelo amor à bela princesa - Ótimo! Mais uma geração de mulheres sofrendo em insistir que vão mudar os charmosos trastes e canalhas que elas julgam, sem saber porque, serem príncipes. 

Os diálogos simplórios e clichês devem agradar crianças, mas entediar adultos e, se não bastasse, há músicas melosinhas de cinco em cinco minutos, e nenhuma delas chega perto de "chicletar" como Onde eu nasci de A pequena sereia ou Hakuna Matata de O rei leão. Sim, a animação é estonteantemente bela, o cavalo Maximus é bizarramente hilário e a maioria, se não todas, das críticas que li são extremamente positivas - deve certamente agradar às pequenas (ainda que tenha ação suficiente para manter os pequenos de frente da tela também), mas há opções no mercado muito melhores e com mensagens mais positivas (sobre lealdade, amizade, crescimento e heroísmo) do que preocupações com cabelo e príncipes encantados.

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Estréia - The Event

Burocracia e muita preguiça

The Event estreou em meados de setembro pela NBC com muito alarde e muito marketing, então inevitavelmente, grandes expectativas foram criadas (parece que ninguém aprendeu a lição que a ABC tomou com Flashforward o ano passado). Infelizmente, a série nos presenteou um roteiro preguiçoso e extremamente burocrático que não consegue nem de perto alcançar o hype criado.

Começando com um esquema narrativo bastante equivocado, com idas e voltas temporais (sem viagens no tempo dessa vez, ainda bem), mas no qual o passado explica pouco ou nada do presente e serve somente, na maioria das vezes para contextualizar as ações (de maneira excruciantemente didática) dos personagens no momento atual.

Para piorar, a direção segue uma cartilha pisada e repisada: se você acha que a próxima cena irá mostrar um evento no passado daquele personagem que está sendo focado no final da cena, você não vai se decepcionar. Se você acha que a estória de um personagem acabou de atingir seu ápice e que a série vai voltar ao que está acontecendo em uma outra história paralela, mais uma vez você está certo.

Os diálogos, por sua vez, começaram padronizados, mas efetivos, e aos poucos, ao longo dos episódios, foram ficando cada vez mais "literários": o diretor parece esquecer que as imagens já naturalmente dizem mais do que mil palavras e resolve colocar mais algumas para garantir que a cena seja explicada também através da narração dos personagens.

Contudo, a série é também muito "profissional" e boa parte do elenco consegue convencer mesmo quando obrigados a proferir as frase mais manjadas (e algumas vezes constrangedoras) desse tipo de atração (ficção científica, conspirações e muita ação). Outro ponto positivo é a capacidade do show de manter um ritmo acelerado ao longo de todos episódios, mesmo que isso signifique cair na redundância algumas vezes e na inverossimilhança na maior parte das vezes.

Vale à pena também dar crédito também aos roteiristas por "lições aprendidas": depois de Lost segurar milhões de pessoas por seis anos, para não responder nem metade das respostas que abriu e dividir opiniões quanto ao seu final, The Event não espera mais que três episódios para solucionar situações e solucionar mistérios (ainda que eles não fossem muito interessantes para começo de conversa).


The Event não chega a ofender, mas também não vale, sinceramente, o tempo investido. Admitidamente, há algumas boas idéias com potencial (usualmente desperdiçado) e um bom par de surpresas (geralmente no último minuto dos episódios) ao longo do caminho. 

Sinto-me até mal em escrever isso: mas acho que, noves fora, Persons Unknown, por mais doloroso que fosse em alguns (ou muitos?) momentos, pelo menos tinha uma premissa que realmente prendia a atenção e que fazia você flagelar-se com os diálogos estúpidos para poder saber para onde aquela estória estava indo. Em The Event, você já sabe para onde ela vai, resta saber apenas se você quer vê-la confirmada na tela (vale lembrar: o show geralmente não vai te decepcionar em suas expectativas...).

Ainda faltam uns três meses para decidir se eu quero saber SPOILER ALERT o que o sinal enviado vai causar ou as implicações da origem mestiça de Leila. Por enquanto, meu sentimento é apenas um: quem se importa?

De qualquer maneira, segue o trailer para quem já não pegou alguma cena zapeando pela tv:

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Wall Street: O dinheiro nunca dorme

Prazo expirado


Direção: Oliver Stone
Título original: Wall Street: Money never sleeps
Duração: 133 min
Idioma: Inglês
Lançamento: Set/2010

Quando Wall Street: O dinheiro nunca dorme aportou nos cinemas do Brasil, assisti à versão original em DVD para evitar ficar perdido caso a sequência tivesse muita ligação com ela. Um ano depois, fui finalmente assistir a versão 2.0 do retrato da ganância do mundo financeiro e percebi que a vantagem de ter visto o primeiro era simplesmente a de perceber o quanto o segundo ficou aquém dele. As ligações entre os dois são explicadas detalhadamente nesse segundo.

No primeiro Wall Street, o combo de boas atuações de Charlie Sheen+Michael Douglas, totalmente confortáveis em seus papéis, e um roteiro que, apesar de algumas simplificações do cinema oitentista, impressionava por trazer para os holofotes e caracterizar com fidelidade e agradável acidez uma subcultura da relativamente ignorada da época, os yuppies. A sequência do século 21 lembra muito o primeiro, mas muito menos ácida, mais condescendente e em versão contemporânea mais "emo-colorida".

O filme incomoda um pouco pelo didatismo exagerado, o excesso de cenas e artifícios para relembrar de detalhes do filme que você viu há no máximo uma hora e diálogos que parecem ter sido redigidos para adolescentes e não o esperado público-alvo do filme. Porém o que realmente mata O dinheiro nunca dorme são as cenas finais, que só parecem estar ali para confirmar de forma constrangedora que Oliver Stone perdeu a mão há muito tempo em algum lugar no começo dos anos noventa: pieguice pura digna da mais boba das comédias românticas e incompatível com o filme que eu esperava ver como sequência do primeiro Wall Street. 

Nem tudo é perdido, no entanto. Michael Douglas continua "sendo" Gecko, algo que vai além da simples atuação, e alguns inspirados discursos e "lições de vida" do personagem deixam transparecer lampejos de genialidade e boa escrita que não voltam mais. Shia LaBeouf também surge como um bom substituto para Sheen e seu personagem até consegue assimilar o espírito dos jovens financistas atuais, ainda dirigidos pelo dinheiro, mas com interesses mais amplos que o simples desejo de consumir.

Descontados os minutos finais, teria sido uma boa "sessão-da-tarde" com o diferencial de também ser suficientemente esclarecedor em relação da crise financeira recente. Contudo não não dá para perdoar as escolhas de Stone, especialmente no final, e o filme cai na vala comum dos "dispensáveis". 

Melhor fosse ter sido lembrado só pela primeira versão mesmo.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Memphis Beat S01E07 - "Suspicious Minds"

Mistura confusa

Aviões pousando sem pilotos, ganhadores de loteria desaparecidos e inventores frustrados, uma combinação estranha que requereria roteiristas muito competentes para montar uma história coerente e interessante. Infelizmente não é o caso de Memphis Beat. A história segue truncada, cheia de buracos e termina se achando mais interessante do que realmente era. Perda de tempo.

Poucos elementos "Memphianos" para mostrar dessa vez, mas pelo menos uma melhora significativa no desenvolvimento dos personagens, colocando elementos que podem gerar boas interações no futuro. Para fechar, surge um interesse romântico atraente para Hendricks, ainda que seu debut seja em uma cena com diálogos bobos, mas que novamente se acha mais "esperto" do que realmente era. 

Só mais três episódios até o fim dessa temporada. É baixa a probabilidade de que a série dê uma guinada que me segure para a próxima.