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domingo, 12 de setembro de 2010

Hung


Muito sexo, pouca emoção

Lançado no auge da crise financeira, Hung até tinha uma premissa pertinente e com potencial: professor de colégio, divorciado, com dois filhos e coberto de dívidas encontra uma única saída para resolver seus problemas: colocar seus... hã... dotes físicos à disposição de mulheres carentes por... hã... companhia. A premissa, no entanto, apesar de garantir algumas piadas prontas que seriam o suficiente para segurar um filme de uma hora e meia ou duas, não conseguiu gerar material para uma boa série...

Os primeiros episódios da primeira temporada trazem algumas sacada legais e Jane Adams consegue garantir no mínimo alguns sorrisos com sua cafetina-por-acidente e riponga Tanya. E a ela se junta mais tarde, como melhores representantes da vertente cômica da série, Rebecca Creskoff com a devoradora-de-homens e life coach Lenore. Thomas Jane, o bem-dotado protagonista, faz par com uma adequada Anne Heche, mas seus personagens não criam química suficiente para que os espectadores realmente se importem com o relacionamento dos dois.

É na segunda temporada que fica mais evidente a fraqueza da premissa e ela segue sem uma trama que chame a atenção e sem encontrar um caminho certo durante os dez episódios. Algumas estórias paralelas, como a da vizinha turca/síria/libanesa ou qualquer coisa parecida, ajudam a dar um pouco mais de substância (ou enrolar), mas a maioria delas nunca chega a lugar algum.

Hung até tem um ou outro momento mais inspirado, a produção é bem feita (HBO) e os atores são competentes, porém, nunca chega a ser divertida ou dramática o suficiente para se justificar e nunca consegue se diferenciar o suficiente para garantir seu lugar entre as melhores séries. Só indico para quem realmente já esgotou as opções de primeiro escalão.

Para terminar, como de costume, segue a abertura que, assim como a própria série, apesar de bem realizada, está longe de ser memorável como a de outras mais top (Game of Thrones, À sete palmos etc.):


domingo, 11 de julho de 2010

A Era do Gelo 3

Buck, a Doninha

Direção: Carlos Saldanha
Titulo Original: Ice Age 3 - Dawn of the Dinosaurs
Duração: 94 min
Idioma: Inglês
Lançamento: Jul/09

A Era do Gelo 3 tem um segundo nome e não é "O despertar dos dinossauros" e sim, "Buck, a Doninha". Ela é a grande sacada e a protagonista de praticamente todas as melhores cenas dessa sequência do sucesso da Fox. Não sei como é na versão dublada, mas a atuação inspirada de Simon Pegg, aquele inglês de Shaun of the Dead e Spaced, aliada às referências a filmes no estilo "Senhor dos Anéis" e às suas falas insanas e sem sentido garantem que o filme não fique só nos dramas e dilemas sem graça dos três personagens principais.

Apesar de outras ótimas referências à cultura pop em geral e das divertidas cenas com o esquilo(?) espalhadas ao longo do filme, Era do Gelo 3 é uma animação muito mais ingênua e mais propensa a arrancar sorrisos e não risadas que suas concorrentes da Dreamworks como Madagascar e Shrek e também não tem o refinamento técnico, a criatividade e a sensibilidade das da Pixar como Procurando Nemo, Toy Story, Monstros S.A. e Up.

Enfim, a Fox ainda vai precisar comer muito feijão com arroz para sair do óbvio e balancear melhor drama, ação e comédia nos seus roteiros. Porém, não entenda isso da maneira errada, pois Era do Gelo 3 é uma ótima animação, muito acima da média, que vale certamente a pena conferir. O único problema é que a Pixar e a Dreamworks levantaram muito a barra nessa competição e a Fox não consegue alcançá-las em nenhum dos principais quesitos (roteiro, animação, diversão).

O dia em que eles começarem a ousar mais e adicionar ao apuro técnico de seus artistas o humor inteligente, rápido, absurdo e politicamente incorreto de seus ótimos Simpsons, Family Guy e American Dad, ela rapidamente vai se juntar aos outros dois estúdios no panteão da animação.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Flashforward

Visões do futuro do pretérito

A premissa era boa: em um determinado momento, a humanidade inteira "apaga" e vivencia dois e poucos minutos de sua vida em um futuro próximo. O resultado, no entanto, vai ficar para a história como uma das maiores decepções que já foi ao ar na televisão.

O problema foi dado na largada: a ABC propagandeou aos quatro ventos a série como o "novo Lost", ainda que o programa fosse intrinsicamente diferente. Lost era uma mistura pop-filosófica-científica que funcionava por ter como cenário um local místico onde qualquer coisa poderia acontecer. Flashforward iria se concentrar em conspirações, agências de investigação governamentais, explosões e perseguições de carro etc., ou seja, estaria muito mais para 24 horas do que para Lost, duas séries que possuem conjuntos de fãs consideravelmente diferentes (ainda que com muitos elementos na intersecção).

O segundo maior erro foi a escolha do protagonista: Joseph Fiennes fez de Mark Benford um dos personagens mais inexpressivos da história da televisão. Se Jack Bauer personaliza os acertos de 24 horas, Mark Benford é a personificação de boa parte dos defeitos de Flashforward: Fiennes faz sempre as mesmas caras e bocas e usa sempre o mesmo tom de voz rouco como se estivesse constantemente para morrer, suas falas são forçadas e suas ações dependem do que o roteiro do episódio necessita (ele pode ser um idiota ou deduzir as coisas mais absurdas dependendo do que o enredo pede).

Ainda no campo "defeitos de Benford" está seu romance com Olivia (Sonya Walger, a "Penny" de Lost) que carece de "química" e é difícil você conseguir se importar minimamente com um dos principais dilemas da série que é seu provável/possível término. Contribuindo para que esse "plot" funcione, está a construção da ligação entre Olivia e Lloyd Simcoe, que vai melhorando a cada episódio e quando efetivamente engata, não parece tão forçada quanto se poderia prever do começo.

Outro ponto fraco é que, talvez para não encarecer a série, uma trama que poderia ser completamente globalizada, ficou restrita basicamente aos Estados Unidos e, na maior parte do tempo a Los Angeles. A tentativa de colocar o "mundo" na estória gerou uma das tramas paralelas mais insossas que poderia haver: o romance-a-acontecer de Keiko e Bryce (Zachary Knighton). Vamos lá: ele não tem qualquer relevância para a trama principal,a não ser trabalhar junto da esposa do personagem que está investigando o "blackout", e ela então nem se fala. Porque estaríamos então interessados em saber como eles vão ficar juntos no final? Em tese, se eles simplesmente continuassem vivendo suas vidas normalmente, eles acabariam se encontrando de qualquer maneira... Típica enrolação...

O tema destino x livre-arbítrio que deveria permear todos os episódios da série é pouco trabalhado e quando finalmente entra com força na história, gera uma das melhores sub-tramas (vide episódio 06 - "The Gift"), apenas para ser abandonado logo no episódio seguinte (ainda que, para ser justo, não totalmente). Ao longo da série, algumas boas idéias são colocadas na mesa, mas são mal-aproveitadas ou não são inseridas no contexto da trama. Um exemplo do primeiro caso são as o das pessoas que não tiveram "visões" que é destruída com a trama do "Blue Hand Club" e um exemplo do segundo é o lavador de janelas que vira pastor, mas cuja história não têm qualquer ligação com a trama principal.

A série entrou em um hiato aproximadamente na metade da primeira temporada e, realmente, voltou bombando com os episódios 11-12 e manteve um ritmo indiscutivelmente melhor do que na metade anterior, porém as principais deficiências continuaram presentes. Ainda que eu não seja masoquista a ponto de querer passar por mais uma temporada, realmente acredito que simplesmente por tirar (ainda que temporariamente) Benford da trama (o final da série dá margem a essa possibilidade), o nível melhoraria muito.

Os melhores episódios de Flashforward foram:
No more good days (Eps. 1-2) - Vale pela "promessa" do que poderia ter sido o seriado e não foi, ótimas cenas catastróficas e a abertura de um universo de possibilidades 

The gift (Ep. 07) - Ainda que o mote principal do episódio seja o estúpido "Blue Hand Club", o final do episódio dá uma sacudida em uma das premissas principais da série 
Revelation zero (Eps. 11-12) - mais uma promessa, o primeiro episódio depois do "hiato" foi tão frenético que pareceu ser muito mais longo que os seus 80 e poucos minutos e conseguiu transformar Simon Campos (Dominic Monaghan) em um personagem que você queira seguir. 
Goodbye yellow brick road (Ep.18) - mais uma boa surpresa da série, catapultando Janis (Christine Woods) como a personagem mais interessante da trama (ainda que, mais uma vez, o potencial não tenha sido utilizado a contento posteriormente) e de quebra, ainda introduzem Gabriel, o savant que aborda Olivia, outra ótima promessa. 
Future shock (Ep. 22) - o final fechou a série com os flashforwards mais importantes virando realidade, sendo que o episódio anterior foi montado de forma que parecesse impossível para que eles se concretizassem.

Para terminar, a série teve pouquíssimos pontos altos que não valem a tortura de quase quatorze horas basicamente de puro lixo. Não dá para dizer que será esquecida na semana que vem, porque, por culpa dos próprios criadores, vai ser sempre lembrada como o fenômeno que poderia ter sido e não foi.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Maré de azar

Sessão-da-tarde

Direção: Mike Judge

Título original: Extract
Duração: 92 min
Idioma: Inglês
Lançamento: Mai/2010

Ainda lembro de Como enlouquecer seu chefe como uma comédia sessão-da-tarde razoavelmente superior às outras que pasavam no mesmo horário. Nunca fui um grande fã de Beavis and Butthead, mas reconhecia o seu valor “cultural” e crítico. E nem cheguei a assistir Idiocracia, mas gostava da idéia de um futuro onde os idiotas tomaram a Terra simplesmente porque eles se reproduzem mais. Foi nesse espírito meio “pode ser interessante” que resolvi assistir Maré de azar, a nova comédia de Mike Judge.

Contudo, chamar o filme de comédia é um pouco de exagero, já que a quantidade de “piadas” e cenas cômicas é bem baixa. Ele chega a ser engraçadinho e tem um ou outro diálogo interessante. Em termos de atuação, Jason Bateman repete seu papel de Arrested Development, Mila Kunis também continua com a mesma personagem de That 70’s Show (só que um pouco mais esperta) e Ben Affleck está ridículo, ponto.

Não chega a ser ofensivo e não é um filme essencialmente ruim, só que ele não é engraçado, não tem nenhuma atuação memorável, o roteiro é simples e sem nenhuma novidade e, enfim, certamente há outras coisas melhores para se fazer com nosso tempo.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

A fita branca

Penitência


Direção: Michael Haneke
Título Original: Das Weisse Band
Duração: 144 min
Idioma: Alemão
Lançamento: Set/09

Inadvertidamente, assisti ao A fita branca de Michael Haneke e não entendi o auê. Digo inadvertidamente porque não liguei o diretor ao filme e não me lembrei de que ele era o responsável pelo insuportável Caché de alguns anos atrás. Se tivesse pego essa referência não teria me dado ao trabalho de assistir a quase duas horas e meias de lentas cenas em preto e branco que não levam a lugar algum.

Recordava-me que na época em que foi lançado no Brasil, a crítica falou bem do filme, alguns amigos mais intelectualizados o "amaram" e, ingenuamente, coloquei na lista de filmes a ver e fui sempre inconscientemente deixando-o para depois. Era só ter relido algumas resenhas da época para ter a certeza de que ele seria chato. Muito se falava das metáforas, do contexto histórico, de interpretações profundas e blá, blá, blá... Nenhum indício de diversão envolvida.

Se não me fiz claro ainda: A fita branca é chato, muito chato. 

E é o pior dos tipos de filmes chatos, porque é o chato que sinaliza que vai deixar de sê-lo e te impede de simplesmente abandoná-lo.

Normalmente, você percebe que caiu numa cilada já nos primeiros dez a quinze minutos do filme, como com I'm a cyborg, but that's ok ou, mais recentemente, Amor e outras drogas (esse precisou de menos de três minutos). Eu acabo continuando a ver o filme, para poder resenhá-lo depois, mas arranjo outra coisa para fazer enquanto isso (checar e-mails, brincar com o cachorro, etc.) e não precisar me concentrar em algo que, no máximo, vai ser medíocre.

Em A fita branca, a situação é diferente porque, desabafo feito e com um pouco mais de objetividade, ele realmente apresenta um retrato interessante e muito bem feito de uma época, algumas cenas isoladas são verdadeiramente carregadas de bastante tensão e há uma iminente ameaça e um horror implícito em todas elas. 

Então você continua, aguentando estoicamente as cenas mais lentas ou aparentemente despropositadas e os núcleos narrativos que parecem não acrescentar muito à trama principal - supondo que há uma e que você entendeu qual é ela. E o esperado clímax parece estar sempre quase a chegar, mas, quando menos você espera, os créditos já estão subindo pela tela. É similar àquelas músicas eletrônicas em que a velocidade da batida vai aumentando, o refrão parece estar chegando e de repente... nada, volta pro começo e a tudo continua na mesma.

Consigo até acreditar que muita gente sinceramente viu nesse filme uma obra-prima e recomendo para aqueles que acreditam que também vão gostar, mas eu particularmente só queria as minhas duas horas e meia de vida de volta (ou um pouco mais se somar às de Cachè a elas)...

Ok, capitulo e aceito que minha inteligência e sensibilidade são limitadas demais... Um blockbuster pra viagem, por favor!

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Sempre ao seu lado

Prometido, entregue

Direção: Lasse Hallström
Título original: Hachiko, a dog's story
Duração: 93 min
Idioma: Inglês
Lançamento: Dez/2009

Essa é a história real e internacionalmente conhecida de um cão cuja estátua é ponto turístico de Tóquio: Hachiko é um personagem comovente, um símbolo da lealdade e do amor de um cão por seu dono. Muitos expectadores, se não todos, já conhecem o enredo e o desfecho da história, principalmente porque ela pode ser resumida em no máximo duas linhas. Vou, no entanto, abster-me desse resumo porque ainda pode ter uns dois ou três privilegiados que terão o prazer de assistir o filme como algo "inédito". 

Sempre ao seu lado mais do que entrega os sorrisos e lágrimas implícitos em sua premissa. Vale ressaltar só mais uma vez que esse é um filme de uma hora e meia em cima de um enredo que pode ser contado em menos de cinco minutos, então a maior parte das cenas é de "contextualização" (ou pura e simples "encheção de linguiça" se preferirem) e o filme dá inevitavelmente a sensação de ser mais longo do que o necessário. Amantes de cachorros não vão nem perceber esse tempo inútil passando, já que boa parte dele é recheado com "travessuras" de um filhotinho.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Abraços partidos

Não o melhor, mas de qualidade


Direção: Pedro Almodóvar
Título original: Los abrazos rotos
Duração: 127 min
Idioma: Espanhol
Lançamento: Dez/2009

Abraços Partidos é carregado nas cores, exagerado nas emoções, cheio de cenáros kitsch e personagens estranhos, conta uma história bizarra e é, enfim, o que aprendemos a esperar de um Almodóvar. Abraços partidos é uma manifestação de amor ao cinema, à película, à fantasia. Penèlope Cruz é o objeto de desejo mais uma vez, a mulher fetiche, com muito batom, perucas, saltos altos, beicinhos e olhares resvalados. Muito simbolismo e muitas referências cinematográficas estão espalhados pelos nomes dos personagens, pelas fotos, pelos livros na estante e o que mais estiver em cena. Não é necessário escrever muito mais: se não é um Tudo sobre minha mãe ou um Carne Trêmula, e se se excede na breguice ou se arrasta mais do que deveria, Abraços Partidos é um Almodòvar de qualidade e, para quem gosta do "gênero", isso é informação suficiente.

O fantástico Sr. Fox

Humano bizarramente humano


Direção: Wes Anderson
Título original: Fantastic Mr. Fox
Duração: 87 min
Idioma: Inglês
Lançamento: Dez/209

Quem já viu algum dos filmes "estranhos" de Wes Anderson, como O expresso Darjeeling ou Os excêntricos Tenembaums, sabe exatamente o que esperar de O fantástico Sr. Fox: hábitos não-usuais, traumas infantis mal-resolvidos, crises de meia-idade, busca existenciais egoístas etc. - familiaridade e estranhamento simultâneos e instantâneos. Os personagens de Sr.Fox são extremamente reais, ainda que excêntricos, mesmo sendo não mais do que bonecos. Stop-motion, uma das técnicas de animação mais antigas, parece totalmente deslocada em meio ao festival de animações digitais incrivelmente sofisticados de hoje em dia, mas os bonecos de O fantástico Sr.Fox têm o que muitos da Dreamworks (e em menor grau da Pixar) ficam devendo; sentimentos verdadeiros com os quais você possa minimamente se identificar. Mesmo que esses personagens sejam raposas, lobos ou porco-espinhos procurando uma galinha para a sua próxima refeição, o que importa é seu sentimento de inadequação, seu desconforto consigo mesmos, sua luta para manter o equilíbrio entre instinto e razão, sua busca por aprovação e outras características que fatalmente nos causam um leve incomôdo ou nos fazem rir de nós mesmos. Humano demasiadamente humano...

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Do começo ao fim

Involuntária Ficção Científica

Direção: Aluizio Abranches
Título original: Do começo ao fim
Duração: 90 min
Idioma: Português
Lançamento: Nov/2009

Do começo ao fim é uma aberração completa, mas não pelos motivos pelo qual ele mesmo esperaria ser. É um tiro que passou longe do alvo - qualquer que tenha sido esse alvo. É uma daquelas obras que no intuito de quebrar preconceitos (ou simplesmente pré-conceitos) caem na própria armadilha e criam situações tão descoladas da realidade a ponto de deixá-las inócuas ou, ainda pior, ofensivas e desrespeitosas. 

O filme teve mais repercussão entre a divulgação do trailer e sua efetiva estréia do que depois dela porque o tema do qual ele se propunha tratar exaltou a ala religiosa-conservadora que pedia até mesmo a proibição da exibição. Porém, a reação ao filme em si variou entre bocejos e uma indignação um pouco diferente da esperada.

O grande problema do filme é que ele pega dois temas altamente espinhosos (incesto e homossexualismo), combina os dois em um só (incesto entre dois irmãos gays) e faz com essa nitroglicerina uma sessão-da-tarde. Na ânsia de vender a anormalidade (simplesmente algo que não é o padrão) como normalidade absoluta, o filme parece uma ficção científica, mostrando um mundo paralelo onde os padrões sociais e os comportamentos humanos são totalmente diferentes dos do nosso mundo - se nem na mais evoluída família da mais desenvolvida das sociedades você encontraria essa realidade, quem dirá no Rio de Janeiro. 

Apesar de um dos protagonistas mencionar que o casal teria que enfrentar deus e o mundo pelo seu amor (mais do que esperado por qualquer expectador), o ápice (ou o único) desses desafios é a distância: quando um deles precisa ir para outro continente e o conflito maior é uma possível traição que nem ao menos se concretiza. De resto, é a vida como ela é... Como ela é no mundo paralelo, claro.

Do começo ao fim, dentro do que ele pretende ser, ou seja, apenas uma história romântica típica, consegue ser no máximo um filme mediano. Mas chega a ser um desaforo querer fazer um filme sobre um casal de irmãos gays com enredo de novela das seis.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Blackest Night - Titans #1-3


O cemitério mais cheio da DC


Editora: DC Comics
Publicação: Ago-Out/2009
Roteiro: J.T.Krul
Arte: Ed Benes

É impressionante a quantidade de heróis que já morreram ao longo dos anos e das inúmeras versões pelas quais a equipe dos Titãs já passou. Uma história como Blackest Night é um prato cheio para qualquer roteirista a cargo do título e J.T.Krul (que eu desconhecia até esse arco) consegue aproveitar bem o potencial.

Pelo menos um evento realmente relevante acontece nessa mini (a morte de um dos membros da equipe) e várias outras cenas muito boas envolvendo entes falecidos queridos são servidas para acompanhá-lo. Ex-Titãs à granel saem de suas tumbas de todos os lados e proporcionam confrontos, no mínimo, interessantes.

Muito boa a sacada "incolor" ou "amotiva" de Columba que aparentemente a colocará no centro da trama principal. Engraçado como essa dupla Rapina & Columba que para mim sempre soou como segundo escalão da DC volta e meia vira epicentro de alguma mega-saga, como aconteceu com Hank Hal em Armageddon 2001.

A arte sempre refinada do brasileiro Ed Benes deixa a mini-série ainda mais agradável de ler, ainda que a colorização pudesse ter dado um ar mais sombrio que a história realmente merecia. Mais um ponto dentro para Blackest Night!

PS. - Um dos melhores momentos de Blackest Night até aconclusão do reencontro entre Donna e seu bebê. Foi tão forte que teve que acontecer todo off-panel.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Blackest Night - Superman #1-3

Supersimples


Editora: DC Comics
Publicação: Ago-Out/09
Roteiro: James Robison
Arte: Eddy Barrows

Começou mal,muito mal... Ouvi histórias de que Superboy tinha morrido em um dos grandiosos eventos anteriores, então o que ele está fazendo aqui? E Jonathan Kent, morto? Quando? Krypton existe novamente? E quem é Kal-L?Krypto, o supercão agora faz parte do universo "sério" da DC? Lois Lane morreu? O que o Pirata Psíquico está fazendo em Smallville? Dúvidas demais para um leitor tentando entrar no bonde novamente.

Para ser justo, muitas dessas dúvidas vão elucidando-se ao longo da história, ainda que por suposições e não por explanações. E a mini-série tem a vantagem de ser uma grande cena de batalha sem carregar muito no roteiro ou exigir muito do leitor. 

Apesar de não saber quem são eles, entendi que Kal-L e Lois Lane são da Terra-2 e o pai de Kara é de Nova Krypton (não sei a história por trás de nenhum dos lugares, mas isso não é essencial ao entendimento do enredo) e que eles retornaram dos mortos, foram derrotados por Superman, Superboy e Supergirl e agora, ao menos os dois primeiros vão se juntar aos outros heróis na batalha principal.

Simples e direto como isso e com uma arte limpa e clara, sem nenhum diferencial para acompanhar. A mais "fácil" e mediana das minis de Blackest Night até o momento.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Triângulo do Medo

Método sem contexto


Direção: Christopher Smith
Título original: Triangle
Duração: 99 min
Idioma: Inglês
Lançamento: Out/2009


“Se naum gostarão é porque naum intenderão, esse filme é dimais!” é um comentário sobre “Triângulo do medo” relativamente típico e fácil de ser encontrado pela rede. E comentários do tipo dizem muito sobre o filme. Afinal, mesmo quem conseguiu passar pela escola (ou ainda está nela) sem entender regras básicas do nosso idioma consegue apreender as regras desse filme. E aparentemente é capaz de não só entendê-lo, mas (ou “mais” para eles) também ficar tão orgulhoso de tê-lo feito a ponto de se revoltarem quando confrontados com a verdade de que ele é, quando muito, mediano.

A verdade é que, apesar de ilusoriamente confuso, o mecanismo (ou “sacada”) que complica o filme é detalhado e repetidamente explicado e as tomadas são simples e diretas como a de uma novela de forma a minimizar quaisquer dúvidas em relação ao que está acontecendo.

Volta e meia alguns filmes “confusos” geram esse tipo de reação “ame” ou “odeie”, tais como Mr. Nobody e A origem, já resenhados aqui no blog, ou Donnie Darko, mencionado em outra resenha. Esses exemplos, porém, são completamente distintos de Triângulo. Mr. Nobody tem um mecanismo ruim e mal desenvolvido, mas vale pela vontade do diretor de inovar nas tomadas, enquadramentos e afins. Donnie Darko foca na estranheza de seus personagens e o mecanismo apenas os torna mais cativantes. A origem tem um mecanismo elaborado e com regras próprias e o usa para desenvolver o envolvente drama de um dos personagens..

Triângulo do medo, no entanto, é apenas e tão somente o seu próprio mecanismo, o que o torna insosso e repetitivo, e como filme em si carente de quaisquer atrativos. Seria um ótimo episódio de “Além da Imaginação”, onde a ideia vale muito mais do que o conteúdo ou a execução – infelizmente para os espectadores ele é muito mais longo que o típico episódio de uma série. É um bom filme-exercício, realizado com esmero e esforço, mas que não tem uma história de verdade para contar.

À primeira vista, a julgar pelo título em português, estamos falando de um terror qualquer. Desse gênero, porém, Triângulo apenas rouba temporariamente alguns clichês a fim de enganar o espectador com relação a seu verdadeiro objetivo. E talvez seja nesse “truque” que ele apresente uma de suas principais fraquezas: o mecanismo não dependia dos elementos de terror para funcionar, e pior, esses elementos acabam não fazendo sentido considerando a pífia e preguiçosa explicação para o próprio mecanismo.

Em “Triângulo do medo”, o foco de todo o tempo de projeção está em garantir que o mecanismo seja hermético, sem falhas, imune a qualquer crítica e nisso alcança sua meta: realmente o filme “faz sentido”. Só que infelizmente isso não faz dele um bom filme. Na ânsia de explicitar cada detalhe, sobra muito pouco tempo para qualquer tentativa de desenvolvimento dos personagens e muito menos para a criação de um enredo propriamente dito que desse contexto para o mecanismo – esse acaba não sendo um meio para contar a história e sim sendo ele mesmo a história.

Tomemos outro exemplo em “O sexto sentido”, o filme também se apoia em um mecanismo, com a diferença de que nele o diretor tem espaço suficiente para fazer você se importar com os personagens principais e criar cenas que isoladamente são memoráveis independentemente da sacada no final. Essa, inclusive, funciona particularmente bem porque você se envolve tanto com o desenvolvimento da história que não fica prestando atenção no mecanismo em ação.

Em Triângulo, ao contrário, você passa a maior parte do tempo sendo guiado pelas mãos através do conceito: uma personagem te explica logo no início a referência mitológica que o justifica (o que tira a oportunidade de você percebê-la por si mesmo), outro  personagem explicita porque toma determinadas atitudes (o que você facilmente teria deduzido pelo desenrolar dos eventos), e você tem pelo menos umas quinze oportunidades diferentes (entre cadáveres, colares, rabiscos em papéis, gaivotas e outros) de entender o mecanismo e azar o seu se as duas ou três primeiras já tiverem sido suficientes porque não há conteúdo para preencher os próximos cinquenta minutos, então você vai continuar sendo bombardeado até que se sinta tão esgotado quanto a personagem principal.

Mais um filme em um curto espaço de tempo assistido inadvertidamente ao zapear canais. Começo a sentir-me como Sísifo, condenado a repetir eternamente os mesmos erros e a gerar resenhas com referências tão sutis e ligeiramente inadequadas quanto às do filme resenhado.

O desinformante

Bom e sem-graça

Direção: Steven Soderbergh
Título original: The informant!
Duração: 108 min
Idioma: Inglês
Lançamento: Out/2009

Com O desinformante, o blog dá início a uma série de 13 "microcríticas" (impressões principais, sem muita análise) com o intuito de acabar com uma pilha de filmes assistidos há tempos cujas críticas foram sendo procrastinadas repetidamente. Logo, logo, voltaremos a nossa programação normal...

Traffic, indicado ao Oscar de melhor filme em 2000, é o meu recorrente exemplo de um "ótimo filme chato", aquele que você consegue perceber que é um ótimo filme, mas só continua assistindo até o final com muita dedicação. Não foi por acaso então que essa classificação me veio à cabeça durante O desinformante, afinal, como descobri há pouco, os dois são fruto da mente do mesmo diretor, Steven Soderbergh (Erin Brockovich, Solaris).

A estória "baseada em fatos reais" de fraude e corrupção de O desinformante tem seu apelo e o fator "documentário" com empresas e entidades governamentais sendo citadas abertamente dá um toque especial a ele. Um outro aspecto positivo é que Matt Damon consegue fazer um típico colarinho-branco crível e simpático, ainda que fique sempre a impressão de que um ilustre desconhecido do tipo J.C. Reilly ou William H. Macy encaixariam-se com menos atrito no papel. A execução é muito competente, som, iluminação, edição e todos os outros fatores técnicos estão perfeitos. 

Ainda assim, por algum motivo que não sei explicar, ele não empolga, não entretém e não se destaca.

É bom sim, mas ao mesmo tempo é chato e não dá para recomendar... Vai entender.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Blackest Night - Batman #1-3

Uma segunda chance para os órfãos

Finalmente uma mini-série do evento Blackest Night realmente acessível a um leitor das antigas tentando voltar ao Universo DC. A maior parte, se não todos os eventos e fatos anteriores referenciados são bem estabelecidos   e conhecido por todos ou aconteceram a tempo suficiente para eu ter lido como por exemplo a morte do pai de Tim Drake.

O que poderia causar alguma estranheza seria justamente a ausência de Bruce Wayne e o fato de Grayson estar atuando como Batman, mas a morte do homem-morcego original e sua substituição foi tão comentada que seria difícil alguém que acompnha o mundo dos quadrinhos não saber dela. O que me causou surpresa for ver Damian, o filho de Thalia e Wayne como o Robin. Está aí algo que deve estar gerando boas situações no título mensal.

Quanto à história em si, ela é a melhor das que li até o momento: os pais de Batman e Red Robin (A Panini traduziru como Robin Vermelho?) retornam dos mortos e geram a comoção esperada até os heróis, como esperado, colocarem a cabeça no lugar e aceitarem que aqueles não são seus pais. Para completar, um número considerável de vilões ressuscita e tocam o terror em Gotham, mas a maior parte deles eu não faço idéia de quem sejam. 

Boa caracterização dos personagens, enredo simples e sólido, arte no estilo certo para a história, nada a reclamar, porém nada também para impressionar. 

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Deixa ela entrar

Sentimentos Conflitantes


Direção: Tomas Alfredson
Título original: Låt den rätte komma in
Duração: 115 min
Idioma: Sueco
Lançamento: Out/09

Ok, entendi que o filme é sutil, é metafórico, é simbólico, é referencial blá blá blá... mas é bom? É... Mas é legal? Essa é para se pensar... Deixa ela entrar encaixa-se na famosa categoria "fantastichato" : a crítica adora, todo mundo fala bem, dizem que é um exercício de cinema fantástico e outras coisas do tipo, mas quando você resolve finalmente assistir fica com aquela sensação de... Por que afinal todo mundo estava falando tanto disso?

Minha última experiência desse tipo foi com o aclamado Como festejei o fim do mundo, um filme romeno sobre dois irmãos à época da queda do ditador Ceausecu no fim da guerra fria. Assisti o filme pausando a todo momento porque meu pensamento volta e meia escapava para alguma coisa sem importância, mas que naquele momento parecia mais interessante. Mas o filme era ruim? Certamente não... Os atores trabalhavam bem, tinha cenas muito bonitas, a trilha sonora era bacana... mas não rolou a química. Vai entender...

Assistir Deixa ela entrar rendeu sensações muito parecidas. Em nenhum momento diria que é um filme ruim, porque as tomadas são realmente muito legais, a câmera sempre procura ângulos diferentes e os diálogos são instigantes, meio surreais. Considerando que é um fime sueco, vale dizer que é como assistir um Ingmar Bergman sobre vampiros: é bom, mas tem horas que você acha que não vai conseguir resistir ao sono (tudo bem, assisti no meio da semana depois de um dia pesado no trabalho, mas ainda assim...).

O filme é econômico em tudo: na trilha sonora, nas cenas de ação, nos diálogos... E o pouco que é mostrado ou executado acaba tendo muito mais significado do que uma sucessão frenética e videoclíptica de imagens e mesmo cenas relativamente comuns em outros filmes ficam muito mais marcantes nesse. 

Enfim, não é certamente o mais fácil dos filmes e talvez eu tenha tido um problema de expectativa com ele, mas ainda assim o recomendo. No mínimo é garantido que, para o bem ou para o mal, você não vai sair com a impressão de que já viu isso antes. 

sábado, 26 de setembro de 2009

Distante nós vamos

Esforço excessivo

Direção: Sam Mendes
Título Original: Away we go
Duração: 94 min
Idioma: Inglês
Lançamento: Set/2009

Um casal aparentemente cheio de problemas a resolver sai em road trip visitando vários outros casais que são aparentemente modelos de perfeição, procurando pelo melhor lugar para criar o bêbe que está chegando. Mesmo sendo um filme relativamente alternativo, você já consegue ter uma noção de onde repousa a moral do filme.

Burt e Verona são duas pessoas normais, mas um pouco melhores do que as pessoas normais. Não porque eles acreditem que sejam, mas simplesmente porque, pensam, não estão preocupados em ser algo mais do que são. Eles não julgam os outros conscientemente, mas para poder seguir um caminho próprio e poder reafirmar o estilo de vida que eles acreditam ser o mais autêntico, eles precisam depreciar todos os outros.

O filme infelizmente só espelha a cartilha de seus personagens e se esforça demais para tentar ser mais “alternativo” do que realmente é, enquanto com um tom blasé finge que nem está tentando. No caminho, ele ataca preconceituosamente diversos estilos de vida e hipócrita define o de seus protagonistas como superior aos dos outros.

Em tempo, o roteiro é de autoria de um casal muito similar, os escritores Dave Eggers e Vendela Vida, que ao lado de outros “moderninhos” como Jonathan Safran Foer e esposa, fazem parte da nova intelectualidade cool dos Estados Unidos. Qualquer semelhança é provavelmente mera coincidência.

Em tempo de novo, apesar da resenha parecer extremamente desfavorável, o filme não é ruim, só um tanto pretensioso.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Os normais 2 - A noite mais louca de todas

Melancólico Adeus

Direção: José Alvarenga Jr.
Título original: Os Normais 2 - A noite mais louca de todas
Duração: 75 min
Idioma: Português
Lançamento: Ago/2009

Séries dramáticas geralmente morrem pelo excesso - quando os mesmos personagens continuam a cada temporada tendo que sofrer por eventos cada vez mais trágicos, essas séries perdem o contato com a realidade e o público perde o interesse. Comédias, por sua vez, acabam perto do fim embarcando na risada fácil - na "casca de banana" - e esquecem que os que a fez boas no começo era a naturalidade e a genialidade da comicidade inerente a seus personagens ou a seus intérpretes. Friends, Will & Grace, Frasier, todas seguiram o mesmo triste caminho, sendo no final apenas uma sombra do que foram no começo. 

A série Os Normais também não conseguiu escapar a essa sina e o segundo filme que a segue é a prova dessa fatalidade. Lá no início, as risadas vinham fácil quando Vani e Rui estavam simplesmente conversando na cama - atores fantásticos com timing perfeito para entregar diálogos geniais. As situações inverossímeis já estavam lá, mas elas acabavam se integrando naturalmente às interações dos personagens.

Anos depois, em Os Normais 2, o que restou foi um roteiro justamente centrado nessas situações, abusando de sexo, drogas, quedas, desencontros forçados etc. E o casal protagonista luta por um momento de descanso para efetivamente fazer o que sabem fazer de melhor. A razão risada/minuto caiu para níveis mínimos nesse filme, mas estão lá ainda, com alta concentração em uma ou duas cenas. Infelizmente, passado o riso, fica um gosto amargo e melancólico ao entender tudo que poderia ser e não foi - melhor ter ficado com a lembrança de Vani e Rui como nós os conhecemos lá atrás.

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Amantes


Pequenas grandes crianças

Direção: James Gray
Título original: Two lovers
Duração: 110 min
Idioma: Inglês
Lançamento: Ago/2009

Amantes não é um filme fácil de se resenhar e menos ainda de se classificar. Em uma análise mais superficial, ele parece ter muito pouco que o diferencie de outros dramas ou romances que você já tenha visto. O enredo é simples e direto: homem dividido entre duas mulheres de personalidades diametralmente opostas. O simbolismo de cada uma dessas mulheres é sutil e ao mesmo tempo evidente: tradição e família contra impulsividade e paixão. O cenário por sua vez é vago, comum, genérico: cidade grande, restaurantes, interior de edifícios e apartamentos, enfim, nada de novo no front. Não há nenhum personagem que fuja do conceito de cidadão médio e o mais próximo que o filme chega a aventar fora do ordinário é uma menção à possível condição clínica de bipolar do protagonista.

Contudo, ou talvez por isso mesmo, Amantes está entre os melhores filmes que assisti nesse ano. É daqueles que você só percebe o quão bom ele é dias ous semanas depois de tê-lo visto, quando inexplicavelmente cenas ainda reverberam em sua mente e detalhes, gestos e olhares simples refletem as situações imaginárias do filme na sua própria realidade. Creio que essa força venha da honestidade e familiaridade do roteiro - não há reviravoltas, nã há grandes eventos e há sim autenticidade, há pessoas e não personagens - cada um deles carrega um pouco de você e das pessoas com quem você convive. 

Joachin Phoenix está soberbo em sua naturalidade. Você não consegue nem conceber que está vendo um filme e que ele está interpretando um personagem e você tem a sensação de que está indiscreta e voyeuristicamente observando a vida de alguém. Como uma pequena criança grande, ele recusa-se a crescer ou a se enquadrar nos padrões que outras pessoas criaram para ele e fica difícil não se identificar, minimamente que seja, com ele.