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quarta-feira, 25 de maio de 2011

Modern Family - Segunda Temporada

A família continua no topo


Modern Family fechou sua segunda temporada um pouco menos no hype do que no ano anterior, mas ainda contando com muitas piadas e situações originais, performances inspiradas e uma média geral de prós e contras acima da das boas comédias que ainda sobrevivem hoje em dia. Posso estar sendo injusto, mas creio que é a única comédia que acompanho (descontadas animações como Family Guy e Americand Dad!) que realmente consegue arrancar risadas. The Big Bang Theory mantém seu appeal "nerd" mas as piadas deixaram de ser inteligentes e a comédia física já tomou conta, as risadas nervosas e constrangedoras por vergonha alheia de The Office e Parks and Recreation foram perdendo o frescor e os seriados se perdendo em roteiros que lembram mais séries dramáticas que comédia e How I met your mother, assim como Friends, é divertido de se ver, mas não necessariamente engraçado.

O passado costuma ajudar muitas séries, algumas piadas são boas porque fazem referências a situações pelas quais os personagens já passaram e o senso de familiariedade ajuda a você entrar no clima. Contudo, em alguns casos, essa continuidade cria uma âncora que não é necessariamente vantajosa para a série e corre-se o risco de algumas características virarem piada repetida (a tendência maníaco-obssesiva de Mônica em Friends) ou um bordão "Zorra Total" que só tem graça nas primeiras vezes em que é utilizado (o "Bazinga" de Sheldon em The Big Bang Theory). 

Modern Family ainda está longe de alcançar esse período de decadência e inanição criativa e consegue manter o frescor de seus episódios sem carregar demais em roteiros mais elaborados do que o necessário para gerar situações cômicas. Contudo, já em sua segunda temporada, começa a demonstrar cansaço em alguns personagens específicos: Manny (Rico Rodriguez II) não conseguiu sair do personagem-de-uma-piada-só do garotinho "adulto" e a afetação e os exageros de Cam (Eric Stonestreet) tomaram o palco central e dominaram mais episódios do que seria saudável para o personagem. 

Por outro lado, acertadamente, Ty Burrell perde um pouco de espaço para dar uma segurada na superexposição que Phil teve na primeira temporada, o que ajudou a manter as piadas típicas do pai-pateta minimamente inesperadas. E uma das melhores surpresas veio justamente de uma das piores personagens da primeira temporada: Sofia Vergara conseguiu maneirar na caricatura e, com a ajuda de um roteiro que tirou a personagem do limbo da piada monotemática, cresceu na temporada com uma Gloria de mais nuances e facetas roubando merecidamente a cena em diversos episódios. Outra que também conseguiu mais espaço e amadureceu desde o ano anterior foi Sarah Hyland, ainda que sua  Haley vá precisar de mais alguns ajustes finos para fugir da inevitável comparação com a Jackie de Mila Kunis em That 70's show - as duas atrizes ainda dividem algumas semelhanças físicas, o que torna mais difícil não comparar.

Jesse Tyler Ferguson (Mitchell), Ed O'Neill (Jay) e Julie Bowen (Claire) mantiveram a performance e ajudaram a compensar quaisquer deslizes da série e mantê-la como a melhor opção de comédia entre as que estou acompanhando atualmente. Espero que tenha fôlego para pelo menos umas duas temporadas, já que o próprio formato "família" torna difícil uma renovação do elenco ou dos personagens sem descaracterizar completamente aquilo que justamente torna tão fácil a identificação do expectador com a série.

Continua valendo a recomendação para quem ainda não está vendo e e para quem já está agora é só esperar setembro chegar para mais episódios inéditos de Modern Family!

domingo, 25 de julho de 2010

Scoundrels S01E05 - "Yes, Sir, Yes, Sir, Three Bags Full"

Passeio pelo deserto

Certamente é um mau sinal quando você percebe que só está querendo ver o episódio de uma série para poder checar a paisagem e as locações. É quase como ficar ansioso para ver o filme ganhador do Oscar de melhor fotografia. Se não há conteúdo para acompanhar, são só imagens agradáveis sem consequência. 

Foi essa a minha sensação com o episódio de hoje de Scoundrels. As únicas coisas que realmente me empolgaram foram a paisagem que pode ser apreciada das janelas da mansão da família Hong, os flashes com externas de Palm Springs, o céu infinito do deserto na cena com o trailer de Sparky.

A história em si foi muito rasa e com pouco a destacar. A subtrama de Hope com os vídeos piratas foi a que chegou mais próxima de representar algum avanço ou mudança de status para um personagem. O debut de Heather como stripper ou a trama paralela de Logan e Cal onde nada efetivamente acontece são pura perda de tempo e beiram perigosamente os limites do Pastelão.

Scoundrels já passou da metade da temporada e efetivamente não conseguiu achar um nicho nem no drama, nem na ação e nem na comédia, deixando a desejar em qualquer um dos estilos. Assim como Memphis Beat, vou continuar até o final dessa temporada, mas a não ser que haja uma mudança repentina e extrema de direção, vou procurar por outra fonte de imagens do deserto californiano.

domingo, 18 de julho de 2010

Scoundrels S01E04 - "Where have you been, Charming Billy?"

Dentro e fora da cadeia o tempo todo

Quando Scoundrels começou eu nem entendia muito bem porque David James Elliott era citado como parte fixa do elenco ou porque ele tinha destaque nas fotos de divulgação. Afinal, a própria sinopse da série era justamente que a família West ia tentar se endireitar depois que ele, o patriarca, fosse para a prisão logo no começo do primeiro episódio.

Contudo, ele continuou exercendo sua influência de dentro da prisão e tendo bastante tempo em cena em todos os quatro primeiros episódios. Nesse último, ele simplesmente fica fora da prisão o tempo inteiro. Por quanto tempo eles ainda vão conseguir manter isso? Tudo bem que ele é praticamente o principal empecilho para que os planos de Cheril se concretizem (como ela mesma concluiu no final do episódio), mas a situação já está começando a ficar forçada.

Fora isso, no geral, o episódio continuou no nível "divertido, mas nada de especial". Heather seduz o oficial da condicional para manter o pai fora da cadeia por mais algumas horas em algumas cenas engraçadinhas, mas sem nada de novo. De outro lado, a trama de Hope não engrena direito, porque nem ela, nem o amigo Russell se firmaram como boas personagens o suficiente para que nos importemos com a relação dos dois.

O mais engraçado, no entanto, é ver a jornada dupla de Patrick John Flueger no papelo dos gêmeos. O ator está se esforçando e conseguindo separar as duas personagens sem ter que apelar para caricatura completa. Contudo, o melhor é perceber que a Globo dá um banho de qualidade na ABC na hora de colocar um ator na tela interpretando dois irmão gêmeos sem precisar apelar por dublês o tempo todo.

Sigo sem muita empolgação à espera do próximo episódio...

domingo, 11 de julho de 2010

Scoundrels S01E03 - "Liar, Liar, Pants on Fire"


Explorando o potencial 

Scoundrels deu um passo na direção certa com esse terceiro episódio ao explorar com bom humor o manancial de conflitos potenciais que a premissa da série proporciona. As diferenças ideológicas entre Wolf e Cheryl transformam o marido em um "inimigo íntimo" (provavelmente o nome do personagem não é aleatório), a guerra entre Logan e seu concorrente no escritório de advocacia inserem o personagem no contexto da série e a implicância eterna entre as diametralmente opostas irmãs Hope e Heather são sempre uma oportunidade para diálogos afiados. 

Inesperadamente, as melhores cenas do seriado até o momento vieram justamente da "ovelha branca" da família, Logan. O filho "certinho" dos Wests, usando de táticas "heterodoxas" para resolver seu feudo com um colega de trabalho, mostrou que não é tão diferente assim do resto do clã e que a malandragem está realmente no sangue. As novas camadas do personagem são muito bem-vindas para torná-lo mais humano e deixá-lo mais próximo do universo dos outros personagens sem deixar de agir como contraponto.

Scoundrels é uma série simpática e com potencial que está ficando melhor conforme vamos passando mais tempo com as personagens e nos acostumando com elas.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Estréia: Huge

O de sempre, versão GG

A protagonista de Huge e também as principais coadjuvantes estão todas pelo menos uns 20 kilos acima do seu peso ideal. Mas não se deixe enganar, pois posta de lado a questão estética, essas adolescentes não são em nada diferentes das patricinhas de Gossip Girl ou Beverly Hills 90210. Elas humilham umas às outras, fazem intrigas, deduram as amigas na melhor das intenções e disputam a atenção dos garotos "robustos" do acampamento/spa da série.

Huge estreou há duas semanas no ABC Family e é protagonizada por Nikki Blonsky, a gordinha de Hairspray. Algumas personagens até são bastante interessantes, como a “rival” de Blonsky, interpretada por Hayley Hasselhoff, que parece ser uma bitch, mas você percebe que ela não é naturalmente ruim e sim está tentando se defender na "selva de hormônios" do acampamento.

Se você gosta de dramas adolescentes, Huge parece ser para você: a série é bem produzida, o elenco dá conta do recado e o roteiro é, no mínimo, satisfatório. No meu caso, só seguiria acompanhando se ela se levasse menos a sério e aproveitasse melhor as oportunidades humorísticas naturais do tema (ainda mais com uma atriz como Nikki no elenco). Na linha do "no fundo, todos são iguais, não importa o tamanho", ela se diferencia muito pouco de outras do gênero. E, sinceramente, minha paciência e tempo disponível para dramas "malhação" hoje em dia são escassos.

domingo, 27 de junho de 2010

Scoundrels S01E02 - "Mary, Mary, Quite Contrary"


Uma contra todos 

Todos os membros da família West conseguem empregos honestos ou simplesmente deixam os "maus hábitos" para trás. E todos sem exceção descobrem que a vida de um ex-fora-da-lei é muito mais difícil e complicada do que imaginavam. Para Cheryl, em especial, tudo é ainda mais difícil porque todos os outros membros da família estão jogando no time adversário. 

Em "Mary, Mary...",  a matriarca da família West enfrenta o preconceito e o abuso de seu novo chefe e continua a aguentar as provocações e a desconfiança do Sargento Mack em uma trama simplista e ingênua demais para gerar interesse. Cal segue numa outra trama totalmente telegrafada envolvendo a mulher do patrão que não funciona simplesmente não acrescenta nada de novo a uma situação batida. 

Esse segundo episódio já foi um pouco melhor que o anterior, mas a série ainda não acertou nem no drama, nem na comédia. Scoundrels é divertido e não ofende, mas, por enquanto, ainda é leve e esquecível demais para sequer entrar na categoria "promissor".

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Estréia: Rookie Blue

McNallys' Anatomy

Não me surpreendi em nenhum momento sequer durante a estreia de Rookie Blue na ABC. Não vou me surpreender nos próximos episódios também, porque não pretendo continuar seguindo a série. E não me entenda mal, ela não é ruim. É muito bem produzida, os diálogos seguem perfeitamente o manual e todos os elementos narrativos que você espera de uma série policial ou dramática estão lá. Então, se é isso que você está procurando, Rookie Blue entrega satisfatoriamente.

A estória segue cinco policiais novatos genéricos em seus primeiros dias de trabalho em uma delegacia genérica de uma cidade genérica. O elenco parece ter descido para o set de gravação direto das passarelas da São Paulo Fashion Week. Todos, sem exceção, são bonitos, especialmente a protagonista Missy Peregrym. Vale deixar claro que não são atores ruins, ainda que nenhum tenha demonstrado também qualquer capacidade dramática mais elevada (não que o roteiro tenha exigido muito). O problema é que o realismo passou ao largo. Nem por um segundo a delegacia se parece com uma delegacia ou os atores se parecem com policiais.

Quanto ao roteiro, imagine uma cena inicial em que você apresenta os personagens de forma que pareça que você já está seguindo a história. Um deles chega muito antes dos outros e já vai se apresentando empolgado para o serviço para um policial mais antigo e cínico que desdenha da energia do novato; outro chega de bicicleta, porque é isso que os liberais que adoram bandidos fazem, outra se esconde no carro quando um deles passa porque estava beijando um veterano, e a protagonista chega atrasada, toda estabanada no final. Pronto, você praticamente já sabe tudo que precisava sobre os personagens, nada vai mudar nos próximos quarenta minutos. Eles serão os estereótipos que pareciam ser.

A maioria dos momentos dramáticos é telegrafado. Quando a mocinha corre atrás de um suposto bandido e parece que está mandando muito bem, você sabe que aquilo vai dar errado. Quando você descobre que o bandido era um policial disfarçado, você sabe que ele vai virar o interesse romântico dela logo, logo. Quando você descobre algum dado sobre a vítima, você sabe que o caso está relacionado a ela e não ao bandido, etc.

Porém, o mais irritante mesmo é ver a versão policial de McDreamy e McSteamy de Grey's Anatomy. Os dois são policiais veteranos, sendo que um é bonito, bonzinho, sensível e apóia a heroína. O outro é um bad boy, tem atitude e vive às turras com ela. Quem será que vai ficar com McNally? Quem se importa?

Rookie Blue é bem produzida, mas é completamente desnecessária e não tem nada que a diferencie de outras séries. A única boa notícia é que fãs de Grey's Anatomy passam a ter mais uma opção agora: quando ficarem cansados do ambiente hospitalar, podem conferir o que está acontecendo com as mesmas personagens quando elas estão trabalhando na delegacia. Assim como The Deep End, o Grey's Anatomy dos tribunais que mal sobreviveu a uma midseason, é difícil acreditar que essa vá muito longe também.

domingo, 20 de junho de 2010

Estréia: The Gates

O Crepúsculo de Wisteria Lane


The Gates, mais uma das tentativas da ABC de emplacar alguma coisa nesse midseason que possa preencher o vácuo deixado por Lost, é o que acontece quando você junta Desperate Housewives com Crepúsculo e Charmed no liquidificador, só que a soma das partes é muito menor do que qualquer um dos elementos sozinhos (o que, com exceção de DH, já não é muita coisa para começo de conversa).

O "The Gates"do título é uma comunidade fechada de casas luxuosas de vida independente com escolas, lojas, segurança etc. Mas por trás da pacata fachada suburbana... (surpresa!) escondem-se segredos em cada um daqueles casarões fakes como a Casa da Barbie. 

Se não fosse pelos vampiros, lobisomens e bruxas que compõe aparentemente boa parte da população de "The Gates", a história não conseguiria mais que bocejos com suas tramas clichês (garoto novo na escola se apaixona pela namorada inteligente do atleta ciumento, casamento em crise porque o marido policial é obcecado pelo trabalho etc.).

Confesso que fiquei com vontade de ver mais pelo menos alguns episódios para checar se eles vão colocar ainda alguns zumbis, múmias ou coisas do tipo, mas tem muita coisa estreando na TV nesse midseason e realmente acho que vou deixar passar essa "oportunidade". 

E, tudo bem, alguém poderia dizer que True Blood joga mais ou menos no mesmo campo e é muito boa, mas, sinceramente, assista o episódio piloto de um e de outro e você vai ver rapidamente que o campo pode até ser o mesmo, mas os jogos são completamente diferentes

Scoundrels S01E01 - "And Jill came tumbling after"

Uma série à procura de um rumo na vida

Scoundrels (algo como "Patifes" em português) é entretenimento sem comprometimento e acho difícil que os produtores estejam querendo muito mais do que isso. Não parece ser um programa que vá arrastar legiões de fãs com mistérios sem solução, quebra-cabeças médicos  ou dramas refinados com atuações viscerais à la HBO.

A premissa é simples: com o patriarca indo passar um longo período na cadeia, família de malandros/trambiqueiros (o uso dessa palavra ainda é aceitável?) que vive de pequenos golpes e crimes menores e sem violência resolve se endireitar. A pergunta óbvia é se realmente o passado deles não impedirá que sigame em frente pelo novo caminho ou se simplesmente eles saberão viver sob valores completamente diferentes dos que estão acostumados. 

Os atores dão conta do recado e sem suspeitar já estava simpatizando com a personagem mais improvável, a suposta "loira burra" muito bem interpretada por Leven Rambin. Outros membros da família incluem Virginia Madsen, que já foi indicada ao Oscar por Sideways, em 2004 e Patrick John Flueger um dos protagonistas da série The 4400.

É difícil dizer se Scoundrels vai dar em alguma coisa só pelo Piloto, mas vou ao menos dar mais uma ou duas semanas para ver se os roteiristas surgem com alguma trama que me prenda a atenção. Os personagens não me cativaram logo de cara, mas talvez com um pouco mais de tempo, eles garantam uns quarenta minutos de diversão por semana sem muito compromisso.

terça-feira, 8 de junho de 2010

Estréia: Pretty Little Liars

Todo mundo tem um segredo

Cinco amigas; umas delas desaparece. Elas têm um segredo terrível em comum e cada uma delas tem os seus próprios segredos sombrios. Um ano depois do sumiço da garota, as quatro restantes começam a receber mensagens ameaçadoras da desaparecida. Finalmente, a surpresa: encontram o corpo dessa garota. Quem afinal está mandando essas mensagens? Qual é esse segredo mútuo que parece envolver uma sexta menina que ficou cega? 
Eu já estou curioso. E vocês?

Seria interessante primeiro sabermos quem são essas Pretty Little Liars cheia de segredos: temos a jock (nadadora, saudável, tendências lésbicas), a "it"girl (fashionista, popular, cleptomaníaca), a overachiever (inteligente, esforçada, um fraco pelos namorados da irmã) e a free-thinker (pais liberais, independente, precoce, uma queda pelo professor) e a finada bitch (traiçoeira, invejosa, capaz de fazer intrigas até mesmo do além).

Agora sim, vocês certamente ficaram interessados...

Se não, para fechar, você ainda tem uma trilha sonora totalmente equivocada. As músicas, além de ruins, são tão inapropriadas para os momentos em que são executadas que o episódio parece um videoclipe onde as imagens são só um acompanhamento para a melodia.

Enfim, Pretty Little Liars só não ganhou a classificação mínima, porque ainda que seja um veneno para o cérebro, consegue ser pelo menos interessante para os olhos, afinal o elenco é jovem e bonito e a fotografia é no mínimo agradável (acho que ver o episódio me deixou num clima mais fútil). 

Obviamente não verei nem o segundo capítulo dessa trama, então quando alguém descobrir todo os segredos dessas "lindas mentirosinhas", por favor, não deixe de me contar!

Obs.: Uma outra maneira de pensar na série é pegar Desperate Housewives (notem a semelhança da imagem da abertura), cortar a idade das personagens para menos da metade, tirar todo o talento das atrizes que as interpretam, trocar o humor esperto dos diálogos por um pastiche de obviedades e explicações desnecessárias, escolher um elenco masculino inexpressivo e ao invés de personagens protagonistas densas, complexas, contradiórias, utilizar caricaturas rasas e fáceis de identificar e então... se você for um executivo da ABC, pode estrear a sua nova série e chamá-la de Pretty Little Liars.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Flashforward

Visões do futuro do pretérito

A premissa era boa: em um determinado momento, a humanidade inteira "apaga" e vivencia dois e poucos minutos de sua vida em um futuro próximo. O resultado, no entanto, vai ficar para a história como uma das maiores decepções que já foi ao ar na televisão.

O problema foi dado na largada: a ABC propagandeou aos quatro ventos a série como o "novo Lost", ainda que o programa fosse intrinsicamente diferente. Lost era uma mistura pop-filosófica-científica que funcionava por ter como cenário um local místico onde qualquer coisa poderia acontecer. Flashforward iria se concentrar em conspirações, agências de investigação governamentais, explosões e perseguições de carro etc., ou seja, estaria muito mais para 24 horas do que para Lost, duas séries que possuem conjuntos de fãs consideravelmente diferentes (ainda que com muitos elementos na intersecção).

O segundo maior erro foi a escolha do protagonista: Joseph Fiennes fez de Mark Benford um dos personagens mais inexpressivos da história da televisão. Se Jack Bauer personaliza os acertos de 24 horas, Mark Benford é a personificação de boa parte dos defeitos de Flashforward: Fiennes faz sempre as mesmas caras e bocas e usa sempre o mesmo tom de voz rouco como se estivesse constantemente para morrer, suas falas são forçadas e suas ações dependem do que o roteiro do episódio necessita (ele pode ser um idiota ou deduzir as coisas mais absurdas dependendo do que o enredo pede).

Ainda no campo "defeitos de Benford" está seu romance com Olivia (Sonya Walger, a "Penny" de Lost) que carece de "química" e é difícil você conseguir se importar minimamente com um dos principais dilemas da série que é seu provável/possível término. Contribuindo para que esse "plot" funcione, está a construção da ligação entre Olivia e Lloyd Simcoe, que vai melhorando a cada episódio e quando efetivamente engata, não parece tão forçada quanto se poderia prever do começo.

Outro ponto fraco é que, talvez para não encarecer a série, uma trama que poderia ser completamente globalizada, ficou restrita basicamente aos Estados Unidos e, na maior parte do tempo a Los Angeles. A tentativa de colocar o "mundo" na estória gerou uma das tramas paralelas mais insossas que poderia haver: o romance-a-acontecer de Keiko e Bryce (Zachary Knighton). Vamos lá: ele não tem qualquer relevância para a trama principal,a não ser trabalhar junto da esposa do personagem que está investigando o "blackout", e ela então nem se fala. Porque estaríamos então interessados em saber como eles vão ficar juntos no final? Em tese, se eles simplesmente continuassem vivendo suas vidas normalmente, eles acabariam se encontrando de qualquer maneira... Típica enrolação...

O tema destino x livre-arbítrio que deveria permear todos os episódios da série é pouco trabalhado e quando finalmente entra com força na história, gera uma das melhores sub-tramas (vide episódio 06 - "The Gift"), apenas para ser abandonado logo no episódio seguinte (ainda que, para ser justo, não totalmente). Ao longo da série, algumas boas idéias são colocadas na mesa, mas são mal-aproveitadas ou não são inseridas no contexto da trama. Um exemplo do primeiro caso são as o das pessoas que não tiveram "visões" que é destruída com a trama do "Blue Hand Club" e um exemplo do segundo é o lavador de janelas que vira pastor, mas cuja história não têm qualquer ligação com a trama principal.

A série entrou em um hiato aproximadamente na metade da primeira temporada e, realmente, voltou bombando com os episódios 11-12 e manteve um ritmo indiscutivelmente melhor do que na metade anterior, porém as principais deficiências continuaram presentes. Ainda que eu não seja masoquista a ponto de querer passar por mais uma temporada, realmente acredito que simplesmente por tirar (ainda que temporariamente) Benford da trama (o final da série dá margem a essa possibilidade), o nível melhoraria muito.

Os melhores episódios de Flashforward foram:
No more good days (Eps. 1-2) - Vale pela "promessa" do que poderia ter sido o seriado e não foi, ótimas cenas catastróficas e a abertura de um universo de possibilidades 

The gift (Ep. 07) - Ainda que o mote principal do episódio seja o estúpido "Blue Hand Club", o final do episódio dá uma sacudida em uma das premissas principais da série 
Revelation zero (Eps. 11-12) - mais uma promessa, o primeiro episódio depois do "hiato" foi tão frenético que pareceu ser muito mais longo que os seus 80 e poucos minutos e conseguiu transformar Simon Campos (Dominic Monaghan) em um personagem que você queira seguir. 
Goodbye yellow brick road (Ep.18) - mais uma boa surpresa da série, catapultando Janis (Christine Woods) como a personagem mais interessante da trama (ainda que, mais uma vez, o potencial não tenha sido utilizado a contento posteriormente) e de quebra, ainda introduzem Gabriel, o savant que aborda Olivia, outra ótima promessa. 
Future shock (Ep. 22) - o final fechou a série com os flashforwards mais importantes virando realidade, sendo que o episódio anterior foi montado de forma que parecesse impossível para que eles se concretizassem.

Para terminar, a série teve pouquíssimos pontos altos que não valem a tortura de quase quatorze horas basicamente de puro lixo. Não dá para dizer que será esquecida na semana que vem, porque, por culpa dos próprios criadores, vai ser sempre lembrada como o fenômeno que poderia ter sido e não foi.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Modern Family

 
Família, Família...



Modern Family foi, sem dúvida, a melhor entre as estréias da temporada 2009/10 de séries de TV, a ponto do Hollywood Reporter incluí-la ainda nos primeiros episódios entre as dez melhores séries da década.

Polêmicas e exageros à parte, o show realmente conta com diversos pontos a seu favor: roteiros inspirados, atores com ótimo timing para comédia, piadas ágeis e nada politicamente corretas e uma premissa bastante simples, mas com a qual a grande maioria das pessoas consegue identificar-se: viver em família é uma tragicomédia, não importa quão moderna ela seja. 

Valendo-se do já bem-sucedido estilo "mockumentary", cujo exemplar mais icônico é The Office, a série finge ser um "reality show", com comentários para a câmera e tomadas sem corte, sobre uma família estendida (três famílias dentro de uma mesma família maior).



De longe, a melhor personagem é Phil, o pai paspalho da família Dunphy, a mais "tradicional" entre as três. Ele é interpretado com maestria por Ty Burrell (Madrugada dos Mortos), que no mínimo deverá ser indicado para um Emmy como ator coadjuvante.



Fazendo par com Ty e comandando a família Dunphy está Claire, interpretada por Julie Bowen (Ed, Lost), que cresce muito com o passar dos episódios e vai de "escada" no início à protagonista de muitas das melhores cenas da segunda metade da temporada.



Claire é filha de Jay Pritchett, mas pode chamá-lo também de Al Bundy, pois o personagem além de ter muitas características similares às do pai imbecil de Married...with Children é também encarnado por Ed O'Neill.



Jay vive com Gloria e o filho dela, Manny, e nesses dois aparecem alguns dos poucos defeitos da série. Por exemplo, a maioria das piadas que cabem a Sofia Vergara (que claramente não precisa de piada nenhuma para justificar sua presença no programa, os vestidos colados justificam qualquer coisa) envolvem a sua origem latina (ela é colombiana) e só são engraçadas nas primeiras vezes, depois viram versões requentadas da mesma piada.

O outro lado "moderno" da série é a família formada por Mitchell, Cameron e Lily, os quais, assim como acontece com Gloria, às vezes cansam um pouco com as piadas gays. Quando exploram o metodismo de um ou a personalidade "expansiva" do outro, no entanto, a dupla funciona bem.

As crianças/adolescentes de modo geral cumprem bem com seus papéis, principalmente, Rico Rodriguez II, interpréte de Manny. Ele é um dos mais engraçados no começo da temporada, mas infelizmente vai virando uma caricatura de si mesmo mais para a frente. 
 
Certamente, todos os episódios valem uma conferida, mas uma lista dos melhores certamente incluiria: "Pilot" (Ep.01), "Run for your wife" (Ep.06), "Fizbo" (Ep. 09), "Not in my house" , "Truth be told" (Ep.17) e "Hawaii" (Ep.23).
 
A série tem ainda que começar a criar suas piadas internas e desenvolver macro-enredos que ultrapassem o limite dos episódios de vinte minutos para dar um ar de continuidade para ela. Porém, mesmo nos seus momentos mais fracos, Modern Family ainda é melhor que a maioria das comédias no ar atualmente.
 
Então, que venha a segunda temporada!