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domingo, 12 de abril de 2015

Demolidor

Os tentáculos se expandem 


Temporadas: 1
Episódios: 13

Demolidor é uma franquia da Marvel considerada por muitos anos como de segundo ou até de terceiro escalão. Ganhou notoriedade e juntou-se aos figurões da editora quando Frank "O Cavaleiro das Trevas" Miller abordou o personagem com uma pegada mais sombria e realista. O escritor introduziu personagens importantes como Elektra, Stick e o Tentáculo e posicionou o Rei do Crime como o grande arqui-inimigo do herói. Miller é também responsável pela "origem definitiva" do Demolidor com a mini-série O Homem sem Medo e por uma das melhores histórias dos quadrinhos de super-heróis em geral: A Queda de Murdock. A saga mostra a vida de Matt Murdock sendo meticulosamente destruída pelo Rei do Crime quando o vilão descobre a identidade secreta do herói (pouco provável que não seja o tema de alguma temporada da série).

Acertadamente, são o clima e os conceitos criados por Miller e refinados posteriomente por grandes escritores como Kevin Smith (Guardian Devil), Brian Michael Bendis (Underboss, Decalogue, Out) e Ed Brubaker (The Devil Inside and Out) que fazem de Demolidor, a série da Netflix, um dos melhores produtos da Marvel Studios até o momento. O conflito entre o advogado e o justiceiro, a corrupção e a decadência da Cozinha do Inferno, a potência das filosofias orientais contra a angústia católica do herói, são temas que saem do papel para fielmente serem traduzidos para a tela.

A mais agradável surpresa e um dos aspectos mais positivos da série foi a decisão dos roteiristas de não utilizar a preguiçosa solução de "caso da semana" que seria óbvia considerando a profissão de Murdock. Mesmo ótimas séries como Hannibal  e Justified não conseguiram fugir, ao menos no ínicio, desse modelo. A revolução causada pelo Netflix com a entrega de todos os episódios de uma única vez obriga um distanciamento do tradicional modelo procedural e nós só temos a ganhar com isso. Até mesmo a TV aberta já foi forçada a começar a se adaptar e séries como How to get away with murder já trabalham com menos episódios e um híbrido entre o procedural e o serializado.

Em seus treze episódios, Demolidor conta uma única história do começo ao fim e o enredo avança em cada um deles, ainda que todos tenham cenas expositivas e redundantes. Há um arco fechado tanto para seu protagonista quanto para os principais personagens secundários e tecnicamente, em termos de narrativa, é difícil apontar problemas. A trama em si envolve o desmantelamento de uma complexa operação criminosa (drogas, corrupção, especulação imobiliária etc.) no bairro Cozinha do Inferno e é bastante tradicional, previsível, quase entediante. Felizmente, ela serve apenas como pano de fundo para que outros elementos mais interessantes sejam desenvolvidos.

O principal desses elementos é certamente a construção dos personagens. Charlie Cox (Stardust, Boardwalk Empire) encarna Matthew Murdock com o desespero de quem reconhece o ponto de virada de uma carreira. Ele injeta charme e carisma no advogado cego, mas também uma camada de melancolia subjacente. Mesmo quando seu personagem sorri, fica sempre a sensação de que há algo mais sombrio e atormentado por trás das palavras. O ator consegue ser o centro de todas as cenas em que aparece, com exceção das em que contracena com Vincent D'Onofrio.

Os primeiros episódios abordam principalmente os dilemas de Matt, mas cada personagem secundário ganha protagonismo por um ou dois episódios. Esse esquema é brilhantemente trabalhado para que o arco dos personagens secundários se interconecte com o enredo principal em momentos diferentes, garantindo que a trama principal não pare para dar espaço a desenvolvimento de personagens. Revezam-se nessa posição Karen Page (o interesse romântico), Foggy Nelson (o melhor amigo), Stick (o mestre) a enfermeira Claire (o sidekick) e obviamente o vilão da temporada, Wilson Fisk.

Wilson Fisk, o Rei do Crime (denominação que não é utilizada na série em nenhum momento), é o antagonista ideal para Matt Murdock e o personagem beneficia-se da atuação comprometida de Vincent D'Onofrio (Law and Order). Tanto Murdock quanto Fisk acreditam estar lutando pelo mais nobre dos objetivos e enxergam em seu nêmesis o principal obstáculo para atingi-los. Ambos agem de maneira moralmente questionável e o expectador pode ficar com a impressão que a única coisa que os separa é onde eles traçam a linha do que é aceitável ou não. Fisk termina sendo quase tão protagonista quanto o próprio Murdock e é construído com a mesma complexidade e densidade psicológica de seu opositor. Suas cenas com Vanessa, interpretada pela ótima atriz israelense Ayelet Zurer, são algumas das melhores do show.

Outro personagem importante é Karen Page, interpretada por Deborah Ann Woll (True Blood), que passa a trabalhar como secretária na firma de advogados já no começo da história. Ao contrário da personagem dos quadrinhos que inspirou sua criação, a Karen de Woll não é apenas um objeto de cena. Longe de ser somente a ponta de um triângulo amoroso ou potencial vítima do enredo, Karen protagoniza um arco completo que segue paralelamente à história de Matthew durante toda a temporada. Ainda que a investigação conduzida por ela torne-se redundante rapidamente já que a trama principal chega no mesmo resultado muito antes, é um movimento correto da Marvel no que refere-se ao tratamento de suas personagens femininas.

Os aspectos mais técnicos também são dignos de nota. A fotografia adequa-se perfeitamente ao clima, abusando de tons amarelo-acinzentados que dão uma vibe noir pra história - uma das principais graphic novels do herói é justamente Demolidor: Amarelo, que usa do mesmo expediente. As cenas de ação, com ótimas coreografias para as lutas e perseguições no estilo parkour, ficam no limite do realismo: o Demolidor não possui super-força e nem gadgets e tem que se virar apenas com agilidade e técnica. E também não há mortes assépticas como as dos "raios vaporizadores" de Capitão América, violência é o que não falta no programa.

Contudo, apesar de todos os aspectos positivos, Demolidor ainda sofre da previsibilidade e do exagero de cenas expositórias típicas dos produtos Marvel Studios. Sempre divertido, sempre competente, mas ao mesmo tempo burocrático e limitado pelos problemas do gênero. Por mais interessante que algumas cenas sejam, a suspensão da descrença tem que ser muito alta para que elas funcionem. A conexão entre as subtramas é tão coreografada quanto as cenas de luta. A fórmula é tão óbvia quanto a de um desenho da Disney. Mesmo algumas das surpresas deixadas para o final da temporada só têm algum impacto porque fogem da realidade dos quadrinhos e em segunda análise são menos relevantes do que parecem.

E, por mais fiel que seja ao material original, as piadinhas, as frases de efeito que são mais do que características da "Casa de Ideias", soam cansativas e um pouco ridículas em alguns momentos. Foggy Nelson, por exemplo, é um personagem que não fez uma boa passagem do papel para a tela. Já que a intenção era mudar o tom, dar mais seriedade, porque não fazer a mudança completa? Porque não deixar de lado a muleta e construir Foggy como uma pessoa de verdade e não só um alívio? E se não bastassem as tiradas tentativamente cômicas, ainda temos que suportar rasas lições de vidas que todos os personagens parecem ter para passar para quem quiser (ou não) escutar.

Com Demolidor, a Marvel estende seus tentáculos gananciosos em mais um gênero e aumenta a sua base de fãs. Não é preciso gostar de super-heróis para gostar da série, apenas de histórias policiais e ação. Se você é um fã de Dexter ou mesmo de programas mais densos como Hannibal ou The Wire, Demolidor pode até não agradar, mas não deve ofender. E o show ainda faz parte de um universo em expansão, com mais três séries saindo nesse e no próximo ano com personagens similares (Jessica Jones, Punho de Ferro e Luke Cage), culminando com a junção de todos na mini-série Os Defensores. Longe de ser, no entanto, a obra-prima que a mente coletiva da internet tem tentado construir, Demolidor é um agradável entretenimento feito com competência e que talvez mereça a sua atenção.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Siege - One-Shots



Captain America

Editora: Marvel Comics
Publicação: Jun/10
Roteiro: Christos Gage
Arte: Federico Dallocchio

Uma história que poderia ter sido lançada sob qualquer outra forma e não tem qualquer relação com Siege em si. Bucky e Rogers enfrentam um vilão genérico (tanto que nem me lembro mais qual era) que fez uma garota como refém. A idéia é mais uma vez vender Bucky como um Capitão América para a nova era. Gage de Thunderbolts e Avengers: The Inititative me surpreende mais uma vez com uma ótima abordagem dos dois personagens.

Spider-Man

Editora: Marvel Comics
Publicação: Jun/10
Roteiro: Brian Reed
Arte: Marco Santucci

Venom vs Homem-Aranha em um necessário conflito final no apagar das luzes de Reino Sombrio (faltou Daken vs Wolverine). Uma luta e não mais do que isso, que ficaria pesada demais se fosse agregada à série principal e irrelevante demais se fosse resumida a uma página. Leve e sem muitas consequências.


Loki

Editora: Marvel Comics
Publicação: Jun/10
Roteiro: Kieron Gillen
Arte: Jamie McKelvie

Loki sendo Loki e fazendo mais uma das suas rocambolescas maquinações. Muita informação em uma só edição, mas uma história interesante que contém pelo menos um fato relevante para o evento em si e também para a continuidade Marvel como um todo: Hela volta a ter um "inferno". Arte limpa e eficiente de McKelvie.

Young Avengers

Editora: Marvel Comics
Publicação: Jun/10
Roteiro: Sean McKeever
Arte: Mahmud A. Asrar

Uma daquelas edições paralelas que ajuda a dar à Siege a sensação de evento épica que impacta a maioria das personagens do Universo Marvel. Ótimas interações entre os Jovens Vingadores, especialmente Patriota e Gaviã Arqueira. Não é o melhor dos one-shots, mas pelo menos é o que mais parece ser parte do evento.

Secret Warriors

Editora: Marvel Comics
Publicação: Jun/10
Roteiro: Jonathan Hickman
Arte: Alessandro Vitti

Com a morte de Ares durante o Cerco, Phobos decide ir atrás do homem que supostamente permitiu ou ordenou que o conflito acontecesse: o presidente dos Estados Unidos. Não li ainda Secret Warriors, mas um garoto que parece nem ter atingido a puberdade sair matando dezenas de guarda-costas e seguranças (pelo menos foi o que pareceu) é uma evolução um tanto duvidosa para a personagem (mesmo sendo o Deus do Medo). Há também um momento reencontro entre Steve Rogers e Nick Fury bem bacana, mas que simplesmente não precisava ter acontecido durante Siege. Arte e diálogos sólidos, mas ainda um pouco em dúvida sobre as escolhas do roteiro.

The Cabal

Editora: Marvel Comics
Publicação: Fev/10
Roteiro: Brian Michael Bendis
Arte: Michael Lark

Ótimo prelúdio para o evento. A Cabala se encerra com a saída apoteótica e explosiva de Destino. Um dos últimos pilares a sustentar Norman no poder desaba e agora falta pouco para o fim do Reino Sombrio. Ótimo texto, arte sólida.

The Sentry - Fallen Sun

Editora: Marvel Comics
Publicação: Jul/10
Roteiro: Paul Jenkins
Arte: Tom Raney

Faltou ser um pouco mais "gráfico", afinal de contas isso é uma revista em quadrinhos, não um livro. Ao invés de desenhar os rostos das personagens manifestando seus sentimentos por Sentry, Tom Raney poderia ter usado mais imagens para ilustrar o que elas falavam. No resto, ótimo tributo de Paul Jenkins a uma de suas melhores criações.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

New Avengers #61-64 e New Avengers Finale

Não exatamente um final

Editora: Marvel Comics
Publicação: Mar-Jun/10
Roteiro: Brian Michael Bendis
Arte: Stuart Immonen (#61-62 e Finale), Mike Mckone (#63-64) e Bryan Hitch (Finale)

Dos títulos participantes de "The Siege" que li até o momento, New Avengers é de longe o mais inexpressivo, mas nem por isso deixa de ser bom. Afinal de contas, das poucas histórias que li desses "Novos" Vingadores, nada era muito grandioso mesmo e não poderia ser diferente dada a formação da equipe, cujos heróis estão na maioria acostumados a enfrentar ameaças menos "cósmicas" como Homem-Aranha, Wolverine ou Luke Cage.

E é exatamente um final condizente com a série que vemos nessas últimas histórias. Nas duas primeiras partes, por exemplo, o esconderijo desses Vingadores renegados é descoberto e eles passam a maior parte do tempo enfrentando vilões de vigésima categoria como Mandril e Grifo. O que importa para Bendis é a interação entre seus personagens, e visivelmente ele gosta tanto deles que é difícil não gostar também.

Seguindo a mesma linha, nas histórias seguintes, muito bem ilustradas por Mike Mckone, quando eles finalmente juntam-se à batalha em Asgard, o enredo passa a maior parte do tempo em modo flashback, mostrando a interação entre os casais Gavião e Harpia e Cage e Jessica. Inclusive, na que deveria ser a última edição da série, grande parte da história dedica-se às conversas entre Parker (The Hood) e Whitney (Masque) enquanto eles tentam não ser presos.

O Finale em si, edição especial que conclui esse arco e a série, conta com um pouco mais de ação, mas ainda assim, o forte continuam sendo os diálogos e a sensação de que, mesmo com Nefária envolvido, aquela história e aqueles personagens poderiam realmente ser reais.

Finale pode ser o final de New Avengers, mas não é realmente o fim da passagem de Bendis pelos Vingadores. Ele assume ainda esse mês, ao lado de John Romita Jr., o novo título Avengers, com uma equipe com mais poder de fogo (Thor, Homem de Ferro etc.). Depois de sete anos e de um círculo completamente fechado de histórias, vamos ver se Bendis ainda tem boas histórias para contar com essas personagens.

domingo, 13 de junho de 2010

Thor #604-606

Batalha épica na Latveria

Editora: Marvel Comics
Publicação: Fevereiro a Março/2010
Roteiro: Kieron Gillen
Arte: Billy Tan

Cyberasgardianos? Sério?

Em certas ocasiões a mistura de universos narrativos completamente distintos acaba gerando aberrações que tiram qualquer ponta de seriedade de uma história. Nesse caso, os universos mesclados são o mitológico escandinavo de Thor e o tecnofantástico do Quarteto e do Dr.Destino. Gillen (substituindo temporariamente Straczynski) tenta criar momentos de intensidade dramática a partir dessa situação, mas não funciona simplesmente porque o conceito em si já é equivocado. 

Colocando de lado esse problema específico no roteiro, vale dizer que Latverian Prometheus, apesar de ser apenas uma cena de batalha estendida por três edições, é uma cena bem executada. Os diálogos são positivamente rebuscados, conferem um ar Histórico à batalha e, como tem sido por toda a atual fase do deus do trovão, conseguem captar a essência dos personagens, em especial Loki, Blake e os Três Guerreiros. 

A única personagem que ainda me incomoda é Balder que continua sendo tratado como um peão, jogado de um lado para o outro e sendo levado pelos eventos, a ponto de até a própria personagem verbalizar o problema. É verdade que essa situação tem sido necessária para que as idéias principais de Straczynski para a série sejam implementadas, mas fiquei decepcionado em ver que a promissora mudança de status da personagem em edições anteriores não foi aproveitada melhor. Continuo a seguir a trama para ver se ainda haverá outras viradas no roteiro que alterem essa percepção. 

terça-feira, 1 de junho de 2010

Thunderbolts #139-143

Personagens menores, mas profundos

Alerta: o texto abaixo pode conter revelações não desejadas de edições que ainda não foram publicadas no Brasil

Editora: Marvel Comics
Publicação: Fev-Jun/10
Roteiro: Jeff Parker
Arte: Miguel Sepulveda (#139-141 e #143) e Wellinton Alves (#142)

Mais uma série em que eu pego o bonde andando e, ainda que não esteja rumando à estação final, certamente está mudando completamente de direção e parece que a viagem até aqui foi bem interessante.

Na primeira das histórias, ainda sob o selo Dark Reign, Osborn envia os Bolts para uma batalha contra os Agentes de Atlas e, apesar de não conhecer nenhum dos personagens em qualquer dos dois lados, os diálogos e a caracterização me permitiram ter uma boa noção de quem eles são e tornou a batalha de duas partes bastante interessante. O ponto dessa história parecia ser apenas colocar Scourge, o único membro dos Bolts que aparentemente não questiona as intenções de Osborn, preparado para uma virada (que depois vi que não aconteceu) durante The Siege.

Na segunda parte da história, já efetivamente sob o selo The Siege, os Bolts ganham uma missão paralela de conseguir a lança de Odin, ao invés de serem jogados diretamente na batalha principal. Certamente uma boa escolha editorial, que permitiu não só não nos sobrecarregar ainda mais com milhares de títulos mostrando as mesmas cenas sob ângulos diferentes, mas também permitir fechar de forma satisfatória e sem muitas distrações essa versão da equipe.

O que vimos apenas como flashes em Mighty Avengers é mostrado em primeiro plano aqui e o eixo principal da história é a lança passando de mão em mão entre os Thunderbolts e os Vingadores e você imaginando quem afinal de contas vai terminar com ela.

A virada da série no final, com um painel mostrando Luke Cage olhando para a prisão de super-humanos e mencionando que vai ajudar vilões a se regenerarem, não me empolgou muito, porque sinceramente gostaria de continuar acompanhando as histórias desses personagens que vi nessas duas histórias. Espero que o gancho com Paladino e a lança de Odin seja seguido nessa nova fase e que personagens como o Homem-Formiga continuem dando as caras.

Em ambas as edições, é muito acertada a arte repleta de sombras de Miguel Sepulveda, o que garante o clima que a série necessita e a sua tomada de Asgard é impressionantemente bela. Wellinton Alves entra para cobrir a edição #142 e consegue manter o mesmo nível das outras.

São ótimas histórias que me deixaram com bastante vontade de checar essa fase Dark Reign dos Thunderbolts!

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Thor #607-610

Botando a casa abaixo

Editora: Marvel Comics
Publicação: Fev-Mai/10
Roteiro: Kieron Gillen
Arte: Billy Tan/Rich Elson (#607-609) e Doug Braithwaite (#610)

A participação de Thor em Siege é tão truncada quanto a mini-série principal. Personagens entram e saem da história, consequências aparecem sem você ter visto as causas (supõe-se que tenham sido mostradas em outros títulos) e a narrativa não flui naturalmente.

Esse foi o último material de Siege que li e esperava que o que eu ainda tivesse de dúvidas seria solucionado aqui. Uma delas realmente o foi parcialmente, em algumas cenas corridas: Voltstagg é efetivamente preso pelo seus crimes (ainda que ele tenha se entregue). Outra simplesmente não aconteceu: a morte relâmpago de Sentry na mini-série que eu acreditava teria mais destaque nesse título, foi mencionada em apenas um quadro e já no epílogo.

A história acompanha quatro grandes frentes: Tyr e a batalha em si, Balder e Heimdall e o desenvolvimento (que não aconteceu na mini-série) que levou à redenção de Loki no final, Kelda buscando aceitar a morte de Bill e Volstagg enfrentando Ragnarok, o clone de Thor. A primeira frente é mais do mesmo, a segunda poderia ser melhor e as duas últimas são simplesmente um "fecha a conta" para poder partir para próxima sem deixar nada pendente.

O que salva realmente essas histórias é a arte de Tan, Elson e Braithwaite de um aspecto levemente surreal que dá aos deuses uma aura diferenciada dos seres humanos normais. Isso, alguns bons diálogos isolados, como o de Balder e Thor no final, e o inesperado viral de Volstagg pelo Twitter-Facebook seguram essa coleção de cenas no Código 3.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Avengers: The Initiative #31-35

Laboratório de Personagens

Editora: Marvel Comics
Publicação: Fev-Jun/10
Roteiro: Christos Gage
Arte: Rafa Sandoval (#31), Mahamud Asrar (#32) e Jorge Molina (#33-35)

Títulos protagonizados por personagens menos "icônicos" das grandes editoras geralmente conseguem arriscar mais e aproximar-se minimamente dos quadrinhos "alternativos", mesmo trabalhando dentro do mesmo universo dos "carros-chefes". Alguns bons exemplos são X-Factor de Peter David, a bizarra X-Force de Peter Milligan ou mesmo Thunderbolts que volta e meia gera algumas pequenas pérolas como essa fase mais recente durante Dark Reign.

Avengers: The Initiative não chega a ser uma obra-prima, mas é, no mínimo, louvável o quanto de caracterização e abordagens diferenciadas Christos Gage conseguiu produzir em um título superpovoado com personagens de segunda (sendo generoso!) categoria. Quando os protagonistas de uma série são Cascavel, Treinador, Constritor, Justiça e Tigresa, você não pode deixar de aplaudir ao menos o esforço.

A grande maioria dos personagens consegue vida e dilemas próprios, alguns deles bem relevantes, como o papel duplo de Cascavel, a sede de vingança de Tigresa, a dúvida de Radical entre a ressurreição de seu irmão e o fim da Iniciativa de Osborn. Todas essas histórias alcançam uma resolução satisfatória e a última edição do título realmente parece uma edição final, o que não acontece com Mighty Avengers, por exemplo.

Sobre essas edições especificamente, como é necessário que o título adapte-se ao que está acontecendo durante Siege, a narrativa às vezes parece truncada, porque vai mostrando flashes de diferentes momentos durante o evento que afetam de uma maneira ou outra os personagens da Iniciativa, estejam eles na batalha em Asgard ou no ataque dos Vingadores Renegados ao QG da Iniciativa. Mas os momentos isolados conseguem valer-se por si mesmos e isso compensa as interrupções no fluxo maior.

Por fim, vale destacar o ótimo trabalho de Jorge Molina nos desenhos das últimas três edições que lembra um pouco o estilo detalhista de George Perez, o qual encaixa-se perfeitamente em uma série com um elenco de dezenas ou centenas de personagens secundários. O título morre aqui, mas Christos Gage continua o bom trabalho agora no novo Avengers Academy, que deve manter o mesmo espírito de laboratório, testando e desenvolvendo personagens novas ou reabilitando personagens que andavam esquecidas.

Siege - Embedded #1-4

Direto da Frente de Batalha


Editora: Marvel Comics
Publicação: Mar-Mai/10
Roteiro: Brian Reed
Arte: Chris Samnee

As histórias da série "Front Line" que surgiram durante Guerra Civil e reaparecem toda vez que um novo grande evento assola o Universo Marvel (Invasão Secreta, Hulk contra o Mundo, e agora O Cerco) são uma das maneiras da Marvel de manter seu "diferencial competitivo" em relação à Distinta Concorrência: uma abordagem mais realista e pé-no-chão das aventuras de super-heróis. Havia lido apenas a de Guerra Civil e considerei Front Line muito superior às estórias do evento em si.

Infelizmente não dá pra dizer a mesma coisa de “Embedded” (expressão que designa repórteres escolhidos para acompanhar o exército durante uma guerra). Não que a história seja ruim, mas ela não alcança o mesmo nível de discussão sócio-filosófica de sua antecessora e acaba sendo "apenas" uma perspectiva não-heróica do evento. Isso tem seu valor, mas eu esperava mais.

Dessa vez, o roteirista tem apenas um ponto: alertar sobre os perigos da manipulação da mídia durante um conflito militar. Seu vilão é mais desprezível que o próprio Osborn. De resto, ele precisa ainda matar muito tempo durante quatro longas edições com cenas de ação desnecessárias e incoerências (ou, no mínimo, escolhas duvidosas) gritantes no roteiro.

O exemplo mais claro desses problemas é o fato de Volstagg andar livremente de um lado para o outro, considerando que ele é, em tese, o culpado por uma tragédia do nível 11 de Setembro. Antes mesmo do cerco à Asgard, esperava-se que no mínimo detivessem o deus glutão. Aparentemente nenhum dos roteiristas da Marvel queria lidar com o assunto e partir logo para ação na cidade dourada, sobrou pra Brian Reed que, infelizmente,  resolveu simplesmente colocar Volstagg em uma road trip com os jornalistas ao invés de tomar providências mais cabíveis.

A arte de Samnee é confusa e torna difícil identificar o que exatamente está acontecendo em alguns quadros. E, em todos os outros quesitos, Embedded poderia também ser bem melhor. Ainda assim o título tem seus bons momentos e ajuda a complementar o mega-evento com um necessário viés "humano".

Siege #1-4

O Zênite de uma Era

Editora: Marvel Comics
Publicação: Mar-Jun/10
Roteiro: Brian Michael Bendis
Arte: Olivier Coipel

Nos quesitos abrangência e "grandiosidade", Siege conseguiu atingir tudo o que queria: vemos a batalha de vários ângulos diferentes, temos envolvimento relevante de boa parte do elenco Marvel, personagens importantes morrem, personagens importantes fecham seu ciclo e o Universo Marvel como um todo muda completamente seu status quo.

Agora, quando você olha como história em si, não há muito acontecendo aqui. Descontando o "prólogo" em Dark Avengers com a queda de Sentry, a história não vai muito além de sua própria sinopse: Volstagg se envolve em um evento similar ao que deu início à Guerra Civil e com isso Norman invade Asgard - Deuses e heróis entram numa batalha contra os Dark Avengers, HAMMER, a Iniciativa e os Thunderbolts. Siege não evolui muito além disso.

A maioria dos autores, sabendo que não tinha como efetivamente contar histórias dentro desse contexto, aproveitou para desenvolver personagens ou fechar pontas soltas (no caso de títulos que estavam sendo encerrados durante Siege). Foi isso que aconteceu em New Avengers, Thunderbolts, Dark Wolverine e na maioria dos One-Shots.

Em relação às quatro edições em si, o resultado ficou bastante truncado e cenas muito relevantes parecem apressadas. Isso acontece porque depois aquela mesma cena vai acabar aparecendo em pelo menos mais uns três títulos diferentes ou no mínimo em uma em que ela é ponto central (ex. a morte de Sentry nas mãos de Thor que é melhor desenvolvida no título do deus do trovão). Isso deixa Siege com cara de "melhores momentos" e às vezes não parece que é uma história que se basta em si mesma.

Algumas observações; particularmente, gostava muito de Ares e fiquei triste com a sua morte, ainda mais da maneira apressada que aconteceu e que nenhum outro título desenvolveu melhor. O Sentry também era um conceito fantástico, mas em um universo em que Homem-Aranha, Capitão América e Wolverine são as grandes estrelas, personagens como ele (ex. Feiticeira Escarlate e Fênix) estão sempre fadados à loucura ou à morte (ou ambos). Thor sobrevive porque volta e meia diminuem o seu nível de poder dele ou então o mantém dentro de seu universo mitológico, onde os outros seres conseguem rivalizá-lo.

Enfim, Siege foi um evento grandioso que fechou satisfatoriamente um período fantástico de mais de sete anos em que o Universo Marvel deu uma respirada criativa e os autores puderam trabalhar num contexto diferente de tudo que veio antes. Um universo com heróis brigando entre si (Guerra Civil e Hulk contra o Mundo), seguido de mais paranóia e desconfiança entre os que restaram (Invasão Secreta) e finalmente os vilões se tornando os protagonistas das séries (Reino Sombrio).

Agora é esperar para ver o que a Era Heróica nos reserva. Voltaremos às histórias mais ingênuas, simples e divertidas dos anos 80? Ou às histórias exageradas, rocambolescas, exageradamente interconectadas dos anos 90? Uma coisa é certa: os autores vão ter que ser muito criativos para construírem um nível de ameaça e tensão para os Vingadores e Cia. que rivalize com o que a gente teve nessa primeira década do século 21.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

The Mighty Avengers #34-36

Fim de festa

Editora: Marvel Comics
Publicação: Abr-Jun/2010
Roteiro: Dan Slott
Arte: Neil Edwards (#34) & Khoi Pham (#35-36)

Como já falei em algumas outras ocasiões, não vinha acompanhando muitas das séries de quadrinhos há um bom tempo, então estou um pouco desatualizado. Resolvi entrar em Mighty Avengers direto nas edições paralelas ao mega-evento The Siege, mas infelizmente essas eram também as três últimas edições desse título. A sensação é de ter chegado no final da festa e já ter gente varrendo o chão e limpando a casa.

Na primeira das histórias desse pacote, Pre-Siege Mentality, vemos o estranho grupo de Vingadores reunidos por Pym tirando satisfações com Loki por tê-los enganados nos últimos meses/semanas. Os desenhos de Neil Edwards não são dos melhores e a história em si não é das mais memoráveis, mas deu para notar que Dan Slott é um nerd da continuidade, pois há referências, entre outras, até à Atos de Vingança, uma saga que deve ter sido publicada nos dos anos oitenta. Devem ter sido interessante as suas histórias anteriores.

Já em Salvation, supostamente parte do evento The Siege, Hank Pym enfrenta sua "cria" e eterno arqui-inimigo Ultron. Essa segunda é bem melhor que a primeira e, além de fechar todas as pontas soltas e descontruir muitos elementos criados nessa passagem do autor pelos Vingadores, traz evoluções interessantes e relevantes para as personagens Jocasta, Janet Van Dyne e o próprio Hank Pym. Os desenhos de Khoi Pham também são uma evolução considerável em relação aos da edição anterior.

Apesar do selo The Siege nas capas das edições #35-36, nelas apenas são mostrados alguns "flashs" dos restantes dos Vingadores (Visão, Estatura, Amadeus etc.) durante os eventos da saga e a história em Mighty Avengers se dedica quase que exclusivamente ao enredo na mansão.

Apesar de já ter visto como tudo acaba, um dia vou desenterrar as edições anteriores do título e ler sobre essa estranha formação dos Poderosos Vingadores.

quarta-feira, 31 de março de 2010

Dark Wolverine #82-84

Uma força da natureza

Editora: Marvel Comics
Publicação: Mar-Jun/10
Roteiro: Daniel Way e Marjorie Liu
Arte: Giuseppe Camuncoli

Confesso que esperava algo muito pior do que o que li nessas três últimas edições. Esse foi meu primeiro contato com o "filho de Wolverine", um personagem que conceitualmente não me agradava já de partida. Fiquei me perguntando como uma personagem tão errática, imprevisível e insuportável poderia sustentar uma série solo, mas por algumas edições, ele até consegue segurar sua atenção.

Wolverine é violento, mal-humorado, anárquico, mas ao menos ele tem um código de honra e sempre tem alguma mulher para servir de âncora, seja ela um interesse romântico ou simplesmente um side-kick (Jubileu, Kitty Pryde). Você consegue ver uma "pessoa" e não só uma máquina de matar.

Daken, por sua vez, parece ser como o Coringa do filme "O Cavaleiro das Trevas". Ele é simplesmente uma "força da natureza" trazendo o caos por onde quer que passe e acaba não funcionando como um personagem real, mas sim como um "mecanismo narrativo" ambulante. 

Nessas três edições, há várias passagens isoladas legais, mas quando você olha especificamente para a participação do personagem em Siege, você percebe que não houve participação alguma. Daken quebra a cara de um soldado aliado para que ele não vá para a guerra, mas isso não contribui em nada para o roteiro; Daken inesperadamente beija o Mercenário, mas isso também não influencia em nada o enredo; As Parcas manipulam Daken para que ele traga o Ragnarok para Asgard, mas obviamente isso - mais uma vez - não dá em nada.

Enfim, como um estudo do personagem ou como uma introdução à série,  essa coleção de cenas isoladas funciona bem. Não havia, no entanto, a menor necessidade dessas micro-histórias acontecerem durante o "Cerco". Quando, então, essas edições são avaliadas como parte do mega-evento, o resultado é que elas são totalmente dispensáveis.

Para fechar, vale elogiar a arte de Camuncoli que é excepcionalmente versátil e alterna suave entre quadros com muita violência e sangue para devaneios surreais. Além disso,  ela consegue, assim como a arte de Miguel Sepulveda em Thunderbolts, construir verossimilhança para os cenários e te transportar com fidelidade para as ruas de Asgard e de Broxton. 

quarta-feira, 3 de março de 2010

Invincible Iron Man #20-24

Um passeio pela mente culpada de Tony Stark

Editora: Marvel Comics
Publicação: Jan-Mai/10
Roteiro: Matt Fraction
Arte: Salvador Larroca



Com "Stark: Disassembled", a Marvel completa finalmente a sequência de retornos da Trindade de seus Vingadores. Após a "ressurreição" religiosa-mitológica de Thor e a viagem no tempo do Capitão América, temos agora a jornada mental do Homem de Ferro e olhando para essas três histórias, nada parece mais coerente.

Stark sempre foi o cérebro dos Vingadores, assim como o Capitão América é o coração e o símbolo de valores nobres atemporais e, por sua vez, Thor é a manifestação do poder da fé no sobre-humano ou no "divino". Seus "retornos" são estruturados para representar aquilo que mais os define.

A história em si é bem "literária": pouca ação e muitos diálogos (ou monólogos). Apesar de estar em coma, Stark fala muito durante todas as cinco partes dessa trama, seja em vídeo ou em devaneios. Ele consegue mobilizar praticamente todo seu elenco de apoio (mais Thor e Capitão América) e garantir a participação de cada um deles no seu reboot (mesmo que para isso, seja preciso forçar muito a barra em alguns casos).

O destaque fica para os dilemas de Pepper Potts (sendo lançado à época do filme, essa personagem não poderia ficar sem destaque) que são muito mais relevantes do que os do protagonistas e o prenúncio do desenvolvimento de um triângulo amoroso com Maria Hill aumenta ainda mais o interesse.

Para não dizer que não falei sobre isso: uma tentativa de assassinato é enfiada na história para poder criar alguma tensão ou proporcionar pelo menos umas mirradas cenas de ação. Simplesmente não funciona. Seria melhor ter passado sem ela e ter encurtado a história para três ou quatro partes.

O resto é uma jornada pela mente comatosa e atormentada pela culpa de Tony Stark até o seu despertar que não consegue fugir do óbvio de histórias desse tipo. Mas pelo menos há muitas sequências belamente desenhadas ao longo do caminho.

As capas também são um pequeno espetáculo à parte e muito desse arco é exatamente isso: um banquete no visual, porém um tradicional feijão-com-arroz no roteiro.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Captain America: Reborn #1-5

Retorno (inevitável) de uma lenda

Editora: Marvel Comics
Publicação: Set/09 a Mar/10
Roteiro: Ed Brubaker
Arte: Bryan Hitch

Ed Brubaker, o cara que escreveu e continua escrevendo uma das melhores fases do Capitão América traz de volta o capitão original Steve Rogers pouco mais de dois anos após ter causado sensação com sua morte. Claro que ningúem levou a sério por um segundo que ele continuaria morto e sempre soubemos que voltaria, só não prevíamos que seria (nem gostaríamos que fosse) tão rápido. Aparentemente, o momento tem contexto: Rogers deve ser justamente a fagulha a inflamar os heróis a fecharem o cerco (The Siege) a Osborn e seu Dark Reign.

Voltando ao roteiro em sim: Rogers morreu E não morreu e agora não-perdido no tempo, fica deslizando para o passado e futuro e a cada pulo, um clarão branco surge nas pontas da página. Para completar a mulher que ele ama é chamada por todos de "a constante". Sou só eu, ou mais alguém acha que é muito cedo para uma referência a Lost não soar como homenagem, mas sim pura falta de imaginação?

Bom, crítica feita, vamos ao lado bom do mecanismo escolhido para o "retorno": ele permite Brubaker prestar uma ótima homenagem recapitulando os momentos mais significativos da sua carreira, enquanto no fluxo normal da história, reúne a grande maioria das personagens de apoio mais relevantes (Sharon, Bucky, Sam, Barton etc.), assim como os principais inimigos do Capitão.

Enfim, a história grita "épico" desde a premissa até os pequenos detalhes e realmente entrega o que promete. O desenhista Bryan Hitch (
UltimatesThe Authority) foi escalado justamente para garantir esse ar de grandiosidade, e, na maior parte do tempo é isso que ele transpira nas páginas. A arte-final de Butch Guice, no entanto, deixa o resultado um pouco mais "sujo" do que seria ideal.

Brubaker coloca sua assinatura em mais uma ótima história que entra para a lista de grandes momentos do Capitão América.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Thor v3 #7-12 e Thor #600

Reescrevendo a História

Editora: Marvel Comics
Publicação: Mai/08 a Abr/2009
Roteiro: J.M.Straczynski
Arte: Olivier Coipel e Mark Djurdjevic

Menos formulaicas que as histórias do primeiro arco/encadernado, a mairia das edições desse conjunto focam em aprofundar-se nos personagens, algo não tão comum entre as batalhas épicas e as criaturas fantásticas da mitologia nórdica. Temos um mergulho no vazio existencial de Balder, o desenvolvimento de uma(s) mal-resolvidas relações pai-filho, um passeio pelo desenvolvimento das motivações de Loki etc.

As estórias são muito boas e Straczynski se supera nos diálogos na maioria delas, em especial "Forced Perspectives", a história que foca em Balder, onde temos uma surpreendente revelação junto com uma de muitas alterações drásticas na história dos personagens ao longo dessas edições. Ainda que escritas como se essas mudanças sempre estivessem estado lá desde o princípio, em uma análise mais profunda elas podem invalidar muitas passagens de histórias anteriores (ex. o lento desenvolvimento do ódio de Loki por Thor).

Nenhuma das mudanças é efetivamente problemática se no fim refrescarem essa franquia que já deve estar chegando aos seus cinquenta anos. Straczynski parece gastar boa parte do seu arsenal de idéias novas de uma vez só (a maior parte dessas sete edições contém eventos bastante relevantes) o que nos faz pensar até quando ele vai conseguir manter esse ritmo.

A história com a homenagem ao Capitão América, ainda que tenha alguns pontos altos (bons diálogos e ótimos desenhos), é irrelevante para a trama que vinha sendo seguida e realmente poderíamos passar sem ela.

No conjunto, porém, mais um grande acerto da nova equipe criativa.

Obs.: a série retoma a sua contagem da série original na edição #600 como se volumes 2 (85 eds. ou #503-587) e 3 (12 eds. ou #589-599) fossem uma continuação ininterrupta da mesma.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

Thor v3 #01-06

Retorno de proporções divinas

Editora: Marvel Comics
Publicação: Set/2007 a Fev/2008
Roteiro: J.M.Straczynski
Arte: Olivier Coipel

Depois de algum tempo afastado do universo Marvel após o cataclísmico evento que finalizou a versão anterior de sua série, o Deus do Trovão retorna em grande estilo com a arte espetacular de Oliver Coipel e um ótimo enredo de J. Michael Straczynski.

Longe de ser forçada, a "ressurreição" de Thor abre uma discussão sobre o ser divino e sua relação com o ser humano e sua jornada para "despertar" os deuses nos corações dos homens rende ótimos momentos.

A escolha pela localização de Asgard garante um viés mais realista e prosaico para estória, permitindo alternar os momentos de grandiosidade divina com outras de pragmatismo e pé-no-chão com os personagens de uma cidadezinha no coração da América.

O ritmo também é muito bem construído e cada edição é uma estória fechada em si ao mesmo tempo que avança o enredo principal. Cada capítulo dá um passo a frente: o retorno de Thor, a recriação de Asgard, o despertar de Heimdall, depois dos três guerreiros etc.

Um grande retorno para um grande herói!